Alexandre Chiure diz que Greve dos médicos não pode servir de vingança contra o povo

O jornalista e analista moçambicano Alexandre Chiure lançou, na cidade de Maputo, um posicionamento firme e crítico sobre a atual greve dos médicos, defendendo que, apesar da legitimidade das reivindicações, a paralisação não pode assumir contornos de retaliação que coloquem vidas em risco.
Falando durante um programa televisivo, Chiure reconheceu que os profissionais de saúde têm fundamentos sólidos para exigir melhores condições de trabalho, salários dignos e reformas estruturais no sector. No entanto, alertou que a forma como a greve vem sendo conduzida levanta sérias preocupações humanitárias “Greve dos médicos não pode servir de vingança contra o povo”.
Segundo o analista, há indícios de que a ausência de organização eficaz e a falta de garantia de serviços mínimos estejam a agravar a situação nas unidades sanitárias, onde pacientes vulneráveis enfrentam atrasos, negligência involuntária e, em alguns casos, desfechos fatais.
Num tom investigativo e crítico, Chiure questiona se a estratégia adotada por algumas estruturas representativas da classe médica não estará a ultrapassar o limite da reivindicação legítima para entrar no campo da confrontação direta com o Estado, tendo como consequência colateral o sofrimento da população. Para ele, qualquer movimento grevista no sector da saúde deve ser cuidadosamente planeado, assegurando equipas de emergência, funcionamento mínimo de serviços essenciais e mecanismos claros de comunicação com a sociedade.
O analista apelou à Associação Médica e aos profissionais do sector para que adotem uma postura estratégica e ética, lembrando que o direito à greve é constitucional, mas não pode sobrepor-se ao direito à vida. Defendeu ainda que o diálogo institucional deve ser reforçado, com mediação transparente e compromisso político sério para responder às reivindicações apresentadas.
Em síntese, Alexandre Chiure sustenta que a luta por direitos laborais é legítima e necessária, mas insiste que ela deve ser conduzida com responsabilidade social, equilíbrio e profundo respeito pela vida humana, sob pena de transformar uma causa justa numa crise humanitária evitável.

Ângelo Zacarias Manhengue

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