Após morte de Mariano Nhongo, pode se dizer fim da Junta Militar?

Muitas dúvidas pairam na mente de todos os moçambicanos acometidos com a paz. Mesmo com a morte de Mariano Nhongo e seu companheiro, dúvidas permanecem sobre o destino que a reivindicação da liderança da RENAMO poderá ter. É que, Mariano Nhongo liderava homens que no entender de qualquer pessoa com objectivo reivindicativo de seus direitos tem ideais comuns com as do líder do grupo.

Nhongo foi baleado num confronto com as forças de defesa governamentais moçambicanas, depois de se aperceber da perseguição contra sua pessoa. Numa entrevista concedida a DW, o analista político Wilker Dias, duvida que a morte de Mariano Nhongo seja o fim inquestionável do grupo dissidente do maior partido de oposição moçambicana, a autoproclamada Junta Militar da RENAMO.

Aquele analista político, falando sobre uma possível nova resistência do grupo deixado por Nhongo, referiu no momento deve se saber que morreu um líder e não um movimento todo e não se sabe o que pode estar a passar na cabeça daqueles indivíduos que pertencem ao grupo armado.

 

QUE RISCOS ESTÃO ASSOCIADOS SE A CAÇA AOS GUERRILHEIROS CONTINUAR?

Para o analista Wilker Dias ao se fomentar uma mensagem de busca e captura dos outros integrantes da Junta Militar da RENAMO nesta altura em que estão sem seu líder, não se sabendo se vão para o norte ou sul, “poderemos estar a criar um núcleo de chefia no movimento para que possam continuar as incursões”, alerta.

Nesse sentido, o analista apela às autoridades moçambicanas para usarem com muita urgência a queda do líder como um “troféu” para trazer os outros integrantes do grupo à vida civil, sob pena dos mesmos voltarem a reacender a guerra no centro do país num momento de fragilidade como o actual.

A morte de Mariano Nhongo foi confirmada ao início da tarde desta segunda-feira (11.10) pelo comandante-geral da PRM, Bernardino Rafael que disse ser um fim “não desejado”, os trabalhos vão continuar de modo a garantir segurança e tranquilidade pública na zona centro do país.

A opinião de Wilker Dias conserta-se com a de Lutero Simango que falava ontem à agência Lusa sobre o fim de Mariano Nhongo. Simango disse que a morte do guerrilheiro dissidente Mariano Nhongo não significa, só por si, o fim da violência armada no centro do país.

“Nós não podemos desprezar mortos, as mortes constantes não são celebradas, temos de encontrar a janela para solucionar as diferenças”, disse o deputado, acrescentando que “a morte de Nhongo não significa o fim do conflito armado” no centro do país.

Lutero Simango considerou que enquanto não forem resolvidas “as causas e as razões que provocam estes ciclos de violência”, não se estará a “cultivar um ambiente de paz permanente”.

O líder parlamentar do terceiro maior partido do país e um dos candidatos à liderança da força política nas eleições marcadas para Dezembro referiu que Nhongo podia ter usado a “janela” de que dispôs “para dialogar e encontrar uma solução pacífica” para as divergências com o Estado moçambicano.

O deputado sublinhou que, agora, é preciso dar atenção aos seus seguidores.

“Agora é preciso que os seguidores de Nhongo não sejam alvo de violência. É preciso sempre envolvê-los numa solução pacífica e enquadrá-los no processo de desmobilização”, concluiu.

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