Aumentaram crentes e religiosos no país, e há razões boas e ruins da tendência | Jornal Visão

Aumentaram crentes e religiosos no país, e há razões boas e ruins da tendência

Aumentaram crentes e religiosos no país, e há razões boas e ruins da tendência

A população moçambicana cresceu de 20,6 para 27,9 por cento, percentagem esta correspondente a 7 277 398 pessoas de 2007 a 2017. Neste aumento, o país passou de 21,67 milhões para 27.909.798 Habitantes. Entretanto, com o crescimento da população o número de cidadãos que professam uma crença ou região também cresceu. O cristianismo continua sendo a religião que mais predomina em Moçambique desde o tempo colonial.

Segundo o teólogo Filipe Angelina, este crescimento pode ser analisado em duas perspectivas, sociológica e crista. Sendo na sociológica, olhado como um fenómeno que impacta a sociedade, e pode ate questionar-se nesta perspectiva de forma filosófica os ganhos dos cidadãos com a adesão a religião. O teólogo diz ainda que este questionamento filosófico, pode levar a ideia de que há mais charlatões que querem enganar as pessoas, e dai regista-se este crescimento.

Enquanto numa perspectiva cristã ou evangélica, este crescimento de pessoas que creem em Deus de acordo com Filipe Angelina não é um mal, muito pelo contrário é um bem para o país. Ao Jornal Visão, o Teólogo revelou ainda que este crescimento tem seus poréns, tendo um lado positivo assim como negativo ao que diz respeito ao crescimento de congregações religiosas e suas lideranças.

Este crescimento exponencial têm seus poréns, tendo em conta que no meio disso a uns que vem com falsificações e os que têm o objectivo de enganar, com propósito de angariar valores monetários e abusar da credulidade pública. Mas na perspectiva cristã esta adesão a coisa religiosa não é mau, muito pelo contrário”, afirma o teólogo.

De realçar que, a religião Cristã registou um crescimento de 3,7 por cento de seguidores, passando de 56,1 por cento de 2007 para 59,8 por cento em 2017. Em segundo lugar encontra-se o Islamismo que passou de 17,9 por cento em 2007 para 18,9 em 2017. Enquanto estas duas registaram um crescimento, as “outras religiões” regrediram em uma percentagem de 6,7 em 2007 para 4,8 por cento no mesmo período em análise.

O teólogo afirma que o crescimento do cristianismo deve-se ao carácter a abertura para mudanças e liberalismo. Este carácter expansionista é resultante do facto dos cristãos poderem se contextualizar em qualquer plataforma cultural, diferente de outras religiões. Filipe foi mais longe justificando este crescimento dos cristãos, afirmando que religiões estão devidas em duas partes. Apontando a existência de religiões conservadoras e dinâmicas.

A religião conservadora é seguida mais por islâmicos, eles têm práticas e formas fixas, é uma religião intrinsecamente ligada a cultura Árabe, e não permite mudanças. Alguns cidadão querem seguir o islamismo mais não se identificam com algumas praticas por serem conservadoras. Ao contrário dos cristãos, especificamente os evangélicos são dinâmicos. O cristianismo quer que as pessoas deixem as suas práticas pecaminosas, olhando a bíblia, mas isso não é negar a cultura da pessoa, o que mais importa é que o íntimo seja transformado e isso vai mostrar-se no exterior”, explicou as motivações do crescimento dos cristãos.

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Filipe Angelina-Teólogo

De acordo com o Censo Populacional de 2017, pode-se dizer que o crescimento de Cristianismo e do Islamismo contribuiu para a redução da percentagem de cidadãos que não seguiam nenhuma religião. Os “sem religião” reduziram de 18,7 a 13,9 por cento, e o mesmo período foi marcado pelo crescimento de religiões e crenças desconhecidas em uma percentagem de 0,7 para 2,5 por cento, respectivamente.

Questionado sobre o que seriam estás “religiões ou crenças desconhecidas” o nosso entrevistado revelou que em ciência religiosa essas religiões desconhecidas tem um outro termo. São conhecidas como religiões minoritárias por serem religiões com pouca expressão na sociedade. Segundo soube o Jornal Visão, as religiões desconhecidas ou minoritárias seguidas por crentes que praticam a dendolatria e o panteísmo.

Não se chamam religiões desconhecidas pelo facto de não se saber que existem, é por isso que estão no Censo porque existem. Chamam-se desconhecidas por serem minoritárias, não tem vulto em termo de representatividade. Trata-se de religiões de pessoas que praticam a dendolatria, uma religião de adora e cultuar as árvores. Se hoje aparece alguém a dizer que ele cré numa árvore e que ela transmite alguma virtude a sua vida, não vamos ter 100 pessoas que creem nisso, vai ser uma minoria, e esta religião é desconhecida neste sentido. Existe religiões panteístas, aquelas que acreditam que qualquer coisa é Deus, e por ser minoritária também são consideradas desconhecidas”, revelou o teólogo Filipe.

Importa ainda referenciar que, a percentagem da população cristã no país encontra-se dividida em duas em duas partes, contando com crentes da igreja católica e das igrejas protestante. Os crentes das Protestantes ocupam a maior percentagem no país em 55 por cento, e os restantes 45 pertencem a igreja católica. O catolicismo que contava com uma da percentagem da população de 28,4 em 2007 reduziu para 27,2 por cento até 2017. Assim como aconteceu com os “sem religião” que ocupavam 18,7 por cento passando para 13,9 da percentagem da população.

“Os sem religião diminuíram, na verdade ainda há muitos é só uma estatística enumerar pessoas não é uma tarefa tão fácil está é a fraqueza da estatística. Esta mudança parte duma influência ou dum conhecimento, a influência parte duma conversa entre amigos acerca dum determinado assunto ou problemas, onde ela vai ter um acompanhamento espiritual, vai aprender a orar, provavelmente vai influenciar os outros a ir à igreja. E o conhecimento é alguém ouvir a palavra por diversos meios acatar e entregar-se. Por foi por isso que reduziram os sem religião”, acredita o teólogo.

Ao que diz respeito a tipologia de congregação ou crença religiosa, os Evangélicos são os que mais aumentaram no país em mais de 4 por cento, passando de 10,9 em 2017 para 15,3 por cento até 2017. Seguidos por crenças consideradas “desconhecidas” que ocupavam 0,7 de percentagem e em 2017 atingiram 2,5 por cento, e no terceiro lugar encontram-se os islâmicos que passaram de 17,9 para 18,9 por cento, no mesmo período em análise. Os crentes da igreja Anglicana também registaram um crescimento apesar de ser inferior a 1 por cento, de 1,3 para 1,7 por cento, o mesmo aconteceu com a Zione/Sião que saíram de 15,5 para 15,6 por cento.

Em soma total o país conta com 26899105 crentes, dois quais a maioria é do sexo feminino em um número de 13988906 e os restantes 12910199 são do sexo masculino. Esta maior presença feminina encontra-se na igreja católica com 3826071 crentes, seguida pelos islâmicos com 2625701, e com 243637 crentes a igreja anglicana ocupa o terceiro lugar. A evangélica/ Pentecostal tem 2225616 mulheres e a igreja Zione/Sião conta com 2298776 crentes mulheres.

Quantos ao “sem religião” o maior número vai para os homens, com 2051108 e as mulheres são no total 1686246. O maior número de crentes femininos também é encontrado nas crenças “desconhecidas” com um total de 382956, e onde 291805 crentes são homens. Este destacamento das mulheres é influenciado pelo número geral da população moçambicana, onde as mulheres são a maioria com um total de 14.561,352, corresponde a 52 por cento da população. O teólogo Filipe Angelina concorda que o número de mulheres existente no país influencia bastante, mas o mesmo fala de outro facto que contribuiu bastante.

A mulher é um pouco flexível e dinâmica. Este facto faz com que facilmente ela adira ao fenómeno religioso e, quando olha-se facto as pessoas associam isto a um senso de infantilidade, dizem que as mulheres acreditam em qualquer coisa, mas não tem nada a ver. Mas em um contexto mais evangélico, aqui no nosso país as pessoas nascem e crescem com crenças tradicionais e quando chega a hora delas se desfazerem destas raízes geralmente o homem é um pouco inflexível em ceder. Por esta razão temos casais que a esposa vai a igreja e o marido não vai, a mulher é dinâmica e mais flexível a mudanças. Esta flexibilidade faz com que ela adira facilmente adira ao fenómeno religioso”, justificou o teólogo.

Aumentaram crentes e religiosos no país, e há razões boas e ruins da tendência
Igreja Assembleia de Deus-Mafuiane Goba

Importa referenciar que de acordo com a área de residência a zona rural conta com 17927316 crentes e religiosos e a zona urbana com 8971789. Entretanto, de acordo com alguns religiosos ouvidos pela nossa equipe de reportagem, o aumento registado no país de seguidores de religiões contribui também bons resultados acalcados na estatística do estado civil da população.

A religião segundo nossas fontes contribuiu para a redução dos divórcios e separações, passando de 4,5 por cento em 2007 para 3,2% em 2017. Mas apesar de a religião incentivar o casamento, a percentagem de casados reduziu 15,1 para 13,8 por cento. A redução também foi registada em “união marital” de 43 por cento para 42%. Enquanto isso, a percentagem de solteiros aumentou de 31,1 para 37 por cento, e os estados civis desconhecidos que em 2007 ocupava 1.2 % deixaram de existir.

                                                                                                                            Texto e fotografia: Nádio Taimo

 

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