Bebés que nascem de cesariana têm riscos acrescidos de ter asma e obesidade

As sociedades científicas internacionais dizem que as elevadas taxas de cesarianas constituem “um problema de saúde pública”, diz Diogo Ayres Campos, secretário-geral da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia. Há consequências tanto para a mulher como para a criança, avisa.

Uma entrevista conduzida pelo Público.pt, trás com detalhes os contornos de um mal que enferma as sociedades mais vulneráveis e que são mais propensas a este problema.

Profissionais menos experientes e equipas mais depauperadas “geralmente têm tendência a ter uma taxa de cesarianas maior”, afirma Diogo Ayres de Campos, secretário-geral da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia e ex-presidente da Comissão para a Redução da Taxa de Cesarianas. A comissão conseguiu que a taxa de partos cirúrgicos baixasse para níveis considerados aceitáveis nos hospitais públicos, na sequência de medidas que passaram, entre outra coisas, por equiparar o valor do pagamento dos partos normais e das cesarianas no Serviço Nacional de Saúde.

A cesariana aumenta o risco de infecção cerca de cinco vezes. O risco hemorrágico [da mulher] aumenta cerca de duas vezes e uma complicação que é rara, o trombo-embolismo pulmonar, aumenta quatro vezes. As lesões dos órgãos adjacentes também são raras mas o risco aumenta cerca de 30 vezes. Mesmo as mortes maternas são cerca de cinco vezes superiores nas cesarianas do que nos partos normais. Em relação ao feto, a cesariana aumenta cerca de cinco ou seis vezes o risco de problemas respiratórios. E aquilo que hoje se sabe é que os bebés que nascem de cesariana têm riscos acrescidos de ter asma (mais 20%), diabetes, obesidade.

Esta comissão é uma comissão de profissionais pro bono e não tem poder nenhum. Fizemos um relatório e a tutela aceitou algumas medidas. Uma coisa que funcionou muito bem foi a alteração das normas de financiamento pela ACSS [Administração Central do Sistema de Saúde] e começou-se a pagar o mesmo pelas cesarianas [e os partos normais] nos hospitais públicos. O financiamento passou mesmo a ser condicionado pela taxa de cesarianas de acordo com a diferenciação dos hospitais.

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