CASO RECRUTAMENTO: PRM DE ZIMPETO MENTIU

CASO RECRUTAMENTO: PRM DE ZIMPETO MENTIU

A confusão que registou-se na manhã desta sexta-feira (07) no bairro de Zimpeto, na cidade de Maputo sobre um suposto recrutamento de jovens para ingressarem as Forças de Defesa deixou os vendedores do mercado grossista e ambulantes em situação de desespero. Esta informação tornou-se viral nas redes sociais há dois dias, onde nas mensagens em circulação dizia-se que estão sendo recrutados jovens durante o período nocturno nos bairros de T3, Ndlavela, Zona-Verde entre outros na Matola.

Os vendedores relatam que indivíduos civis que identificaram-se como membros das Forças de Defesa de Moçambique fizeram-se aquele local para forçadamente recrutar jovens entre 18 a 35 anos de idade. Os vendedores tiveram que correr um lado para o outro de modo a evitarem que sejam levados. O transporte semi-colectivo de passageiros parou de funcionar e as lojas ficaram fechadas por várias horas.

O Jornal Visão entrou em contacto com a polícia de Zimpeto, na Esquadra localizada no Estádio Nacional mas o agente em serviço questionado sobre o que tinha acontecido, afirmou que nada e que não tinha informação. – A polícia não soube o que aconteceu logo pela manhã?—“Não sabemos de nada, não houve nada, não temos nenhuma informação”, respondeu o agente.  Entretanto, os vendedores afirmam que quando a confusão começou enquanto alguns fugiam outros colocavam barricadas como forma de reivindicação. A polícia teve de intervir, há relato de tiroteios no auge da confusão que segundo os nossos entrevistados foram disparados pela polícia. Enquanto os vendedores falam da presença policial no momento, a polícia afirmou que não teve conhecimento abrindo-se espaço para mais suspeitas.

CASO RECRUTAMENTO: PRM DE ZIMPETO MENTIU

“Há militares a recrutarem, eles não estão fardados chegam levam as pessoas a força, alguns tinham arma tipo AKM, levaram 4 jovens naquele lado que vendem galinhas no mercado, outros dois foram levados aqui dentro do parque e eu vi eles sendo pegos”, contou Júlio, jovem vendedor que diz ter escapado porque conseguiu fugir. Vários vendedores confirmam que mais de 4 jovens foram levados por estas forças desconhecidas. O comércio e transporte começou a funcionar horas depois desta confusão e até a retirada da nossa equipe de reportagem vários estabelecimentos comerciais continuavam encerrados.

Outro entrevistado pela nossa equipe de reportagem é um jovem que trabalha com cargas no transporte de passageiros naquele terminal. O mesmo, conta que várias pessoas contraíram ferimentos ligeiros no momento que a confusão começou tentando fugir. “Muita gente caiu e se aleijou tentando fugir, todos aqui fugiram, principalmente jovens… as pessoas que estavam a pegar os jovens perseguiam e pegavam quem conseguissem, ouvimos até tiros. O país está em crise não sabemos para onde levaram os que foram pegos, se vão para as nossas forças de defesa do país ou para o grupo dos que estão a criar confusão em Cabo-delgado”, relata.

“Estão a pegar jovens, até levaram um deficiente que vende sal, os que foram levados não se sabe para onde vão, eram civis os que recrutavam, não sei se são nossos soldados ou não, a verdade é que há pessoas pegando jovens sem avisar as famílias. O governo deve esclarecer, porque ouvimos que não são oficiais da defesa de Moçambique, mas levam os jovens em nome deles, então há muita confusão aqui e todos nós estamos com medo de perder nossos filhos”, conta Joana Sambo, vendedeira que perdeu a sua mercadoria no meio da confusão. “Pisaram todo meu Tomate quando a confusão começou, eu acabava de arrumar tinha gente correndo para todo o lado, parecia um filme ou guerra, pegaram pessoas e eu vi isso acontecer”, concluiu.

MERCADORIA SEM PROPRIETÁRIOS PODE SER DE CIDADÃOS RECRUTADOS

A nossa equipa de reportagem conseguiu identificar mercadorias no mercado de Zimpeto que desconhece-se os proprietários da mesma. De vários tipos de mercadoria como embalagem de sacos plásticos novos, hortícolas destaca-se um conjunto de 10 peças de uniforme escolar que segundo alguns vendedores suspeita-se que o proprietário tenha sido levado. “Não sabemos de quem são essas mercadorias, ninguém deixaria seu produto aqui no meio do nada, achamos que os donos tenham sido levados, a única pessoa que eu vi sendo levado é um jovem que vende sal”, conta Jéssica Magaia.

CASO RECRUTAMENTO: PRM DE ZIMPETO MENTIU

“O mercado está vazio, sou adulta e já velha mas também tenho medo, imagina quem é mais novo, há quem diz que isso é boato, mas nós vimos pessoas a lhes pegarem, é difícil dizer quem são os que perseguiam as pessoas porque não tinham farda, levaram vendedores aqui, até temos produtos sem dono espalhado por aí”, disse Ana Maperra. – Questionada sobre quem são, na sua opinião os recrutadores a fonte disse: “Não sabemos, porque dizem que são soldados das FDS mas há quem diz que podem não ser, porque no país temos um problema daqueles também que atacam em Cabo-Delgado, podem ser eles que estão a criar confusão ou mesmo militares descontentes”, atira a cidadã.

Outro nosso entrevistado que não quis identificar-se afirma que esta confusão pode estar ligado aos ataques no norte do país e culpa o governo de segredar tudo. “A culpa é do Governo que trata tudo como segredo, quem sabe podem ser os do Estado Islâmico a recrutar em nome da nossa Defesa, porque também nossa Defesa tem sua forma própria de recrutar que todos conhecemos. Hoje houve isto, dizem é boato, mas eles sempre são assim nunca assumem que as coisas estão mal até que o assunto fique pior, é preciso se investigar este assunto”, contou.

“Estou a caminho de casa não irei mais vender hoje, vou ficar com os meus filhos, dois deles estudam de noite mas com este problema não irei-lhes deixar sair para escola hoje, estão a me ligar para voltar para casa estão com medo, mesmo sem saber realmente o que está a acontecer, não há segurança, melhor prevenir, se isto continuar eles poderão ficar muito mais tempo sem ir a escola”, lamenta Marcelina Akatsa.

De realçar que mesmo depois da situação ter voltado a normalidade alguns vendedores continuavam com medo de colocar os seus produtos a venda. Destes destaca-se os vendedores de roupas usadas popularmente conhecidas por “Calamidade”, estes temem que a situação volte e não querem perder suas mercadorias. 

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Perfil do Editor

Nádio Taimo
Nádio Taimo
Editor-chefe do Jornal Visão.
Iniciou com a sua carreira Jornalística na Imprensa escrita em 2016 no Jornal Times of Mozambique. Conta com um prémio Jornalístico, 2º lugar do (Prémio Jornalístico sobre Cooperativismo Moderno - 2019 na categoria de Imprensa Escrita, organizado pela AMPCM. Já passou por vários jornais nacionais e trabalhou também como correspondente internacional.

Nádio Taimo é também Apresentador e Produtor de programas de Rádio, Redactor Publicitário e Escritor. Já ganhou um Prêmio "Poeta Revelação 2015". Contribui para o desenvolvimento das Comunidades de baixa renda como um agente Cívico, activista de Direitos Humanos, formado em liderança cívica pela Unisa Graduate School of Bussiness LeaderShip-SBL Alumni através do Yali na África do Sul.
Conta com outras formações como Acção Social, Empreendedorismo e Negócios, Técnico Médio de Comunicação e Multimédia, entre outras. ~

Nasceu a 06 de Novembro de 1995 na província de Maputo - Cidade da Matola - Moçambique, local onde fixou sua residência atual.

É comprometido com seu trabalho e família.

Editor-chefe do Jornal Visão. Iniciou com a sua carreira Jornalística na Imprensa escrita em 2016 no Jornal Times of Mozambique. Conta com um prémio Jornalístico, 2º lugar do (Prémio Jornalístico sobre Cooperativismo Moderno - 2019 na categoria de Imprensa Escrita, organizado pela AMPCM. Já passou por vários jornais nacionais e trabalhou também como correspondente internacional. Nádio Taimo é também Apresentador e Produtor de programas de Rádio, Redactor Publicitário e Escritor. Já ganhou um Prêmio "Poeta Revelação 2015". Contribui para o desenvolvimento das Comunidades de baixa renda como um agente Cívico, activista de Direitos Humanos, formado em liderança cívica pela Unisa Graduate School of Bussiness LeaderShip-SBL Alumni através do Yali na África do Sul. Conta com outras formações como Acção Social, Empreendedorismo e Negócios, Técnico Médio de Comunicação e Multimédia, entre outras. ~ Nasceu a 06 de Novembro de 1995 na província de Maputo - Cidade da Matola - Moçambique, local onde fixou sua residência atual. É comprometido com seu trabalho e família.

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