COMERCIANTES NA ZONA-VERDE ENGANADOS POR CALISTO COSSA E SUA CÚPULA

COMERCIANTES NA ZONA-VERDE ENGANADOS POR CALISTO COSSA E SUA CÚPULA

COMERCIANTES NA ZONA-VERDE ENGANADOS POR CALISTO COSSA E SUA CÚPULA – Retirados com a justificativa de estar em local improprio para comércio. Hoje erguem-se bombas de combustíveis no mesmo lugar, o espaço foi vendido a um empresário

São mais de 30 comerciantes do bairro Zona-Verde no Município da Matola, na Província de Maputo que viram os seus estabelecimentos destruídos pela edilidade. A retirada e destruição dos estabelecimentos comerciais foram feitas no passado dia 19 de Agosto com a justificativa da edilidade de que, estavam num lugar impróprio para o comércio. Outra justificativa para a retirada destes segundo a edilidade, é que o espaço seria usado para ampliar a terminal de transporte e para a construção de uma vala de drenagem, avançaram ao Jornal Visão os comerciantes.

Os mesmos estão indignados com a edilidade ao saber que foram enganados. Estes afirmam que foram burlados pelo edil Calisto Cossa e sua cúpula, retirando-os para beneficiar um empresário.

A retida dos estabelecimentos comerciais foi informada aos proprietários em 2017, e os mesmos foram atrás da edilidade para exigir o direito de recompensação pelos prejuízos. Mas o sonhado encontro entre os comerciantes e o edil Calisto Cossa nunca concretizou-se, estes nunca foram recebidos apesar de tantas tentativas.

No passado dia 08 de Junho do corrente ano, os comerciantes receberam um ultimato para a retirada dos seus estabelecimentos comerciais até ao dia 10 do mesmo mês. Tempo recorde que alguns comerciantes não conseguiram cumprir e saíram mais prejudicados ainda, com a entrada da Pá-Escavadora perderam tudo.

Ao Jornal Visão os proprietários das lojas avançaram que, a edilidade obrigou-lhe a retirarem-se do local alegando que o lugar era improprio para o exercício da actividade comercial. Dizem ainda que outra justificativa usada pela edilidade era fazer uma terminal de transporte rodoviário adequada, e para dar espaço a construção de uma vala de drenagem.

O que nos falaram é que não o local não bom para a gente fazer negócio. Prometeram fazer deste lugar uma terminal e não tivemos escolha. Queriam também usar para construir uma vala de drenagem para acabar com a água estagnada na Av. 04 de Outubro mas fomos enganados pelo Município”, disse um comerciante.

A revolta dos proprietários dos estabelecimentos surge um mês depois da destruição das lojas. O local que antes pertencia a mais de mais de 10 comerciantes, hoje pertence a um único cidadão.

O espaço encontra-se agora vedado por uma rede e foi implantada uma placa de construção de bombas de combustíveis, realidade que deixa os lesados indignados com a edilidade por terem sido enganados pois o espaço foi alienado a um empresário conhecido por Inácio.

Entretanto na manhã desta quinta-feira, os lesados amotinaram-se no novo espaço onde foram iniciadas obras de construção de uma bomba de combustíveis, munidos de cartazes a reivindicar o espaço e a devida indemnização pelo prejuízo.

Os lesados sentem-se enganados e roubados seus espaços para beneficiar um único cidadão. Estes exigem a indemnização pela destruição dos estabelecimentos, principalmente por saberem que o espaço foi vendido para a construção de bombas de combustíveis.

Estamos aqui porque passamos a saber que este espaço foi vendido, não faz sentido. O que nos informaram não é o que esta acontecer, tiram várias famílias para dar espaço a um único cidadão empresário. Não fomos indemnizados, destruíram tudo, ficamos sem negócio e a dever os bancos. Queremos justiça e que sejam respeitados os nossos direitos apenas. Somos pobres mas temos nossos direitos, a edilidade burlou-nos sem vergonha”, disse uma vendedora.

COMERCIANTES NA ZONA-VERDE ENGANADOS POR CALISTO COSSA E SUA CÚPULA

 

O ESPAÇO PERTENCE AOS COMERCIANTES DESDE 1991

O Jornal Visão soube ainda que o espaço em disputa foi atribuído aos comerciantes há cerca de 30 anos, ou seja, muito antes da Matola tornar-se uma autarquia. A maior parte dos estabelecimentos destruídos já haviam sidos erguidos com a autorização do extinto “Conselho Executivo da Cidade Da Matola”. O local, próximo a avenida 04 de Outubro, um dos motivos para a retirada dos estabelecimentos, foi construída anos depois, e as lojas já existiam naquele lugar. Rita Carlota Nguenha é uma das cidadãs lesadas, e o seu estabelecimento existe há cerca de 30 anos.

Em 1991, Rita Nguenha parou no tribunal da Machava para resolver um impasse entre ela e o antigo proprietário do estabelecimento comercial que a vendeu. O estabelecimento agora destruído, Rita adquiriu de um cidadão que tempos depois aumentou o valor da venda e o que a levou ao tribunal. Resolvido o problema no dia 04 de Janeiro de 1991, Rita passou a ser a proprietária definitiva.

No dia 29 de Abril de 1996, Rita, no lugar do Alvará foi lhe atribuída a declaração de proprietária definitiva do estabelecimento comercial do tipo quiosque. Já no dia 02 de Abril de 2013 lhe foi atribuída pelo BAÚ da província de Maputo a licença nos termos do artigo 7 de Decreto №5/2012, de 7 de Março de 2012 como “Nova Abertura”.

Eu não estou neste lugar agora. Muito antes de Matola ser Município eu tinha aqui meu estabelecimento implantado. O Município veio e encontrou-me, construíram a estrada, eu aqui, antes de ser 04 de Outubro era chamada rua da Sonefe. Eu não nego abandonar o lugar, quero ser indemnizada, não se pode destruir o estabelecimento para venderem a outro sem pagar o antigo dono. Hoje querem construir bombas num espaço que dizem que nós comerciantes não devíamos estar por ser improprio para tal. Porque fazer sofrer várias famílias só para beneficiar um empresário?”- Questiona Rita Nguenha.

COMERCIANTES NA ZONA-VERDE ENGANADOS POR CALISTO COSSA E SUA CÚPULA

Por outro lado, Afonso Augusto, outro comerciante lesado, recebeu a regularização do seu estabelecimento comercial do tipo “Quiosque” no dia 19 de Maio de 1994 pelo Conselho Executivo da Cidade de Maputo. O alvará lhe foi atribuído no dia 17 de Julho de 2009 a título de “Renovação” nos termos do despacho de 14 de Maio, de S. Excia o Governador da província de Maputo, conjugado com o artigo 11 do №2, do Decreto 18-07 de 07 de Agosto. Este não está de acordo com o que aconteceu e lamenta a forma como a edilidade conduziu o processo para a retirada dos comerciantes. Repudia a venda do espaço a um empresário em prejuízo de várias famílias.

Não é certo o que aconteceu. Tiraram-nos porque queriam usar o espaço para colocar a terminal. Nosso espaço agora pertence a uma única pessoa. Exigimos nossos direitos, e nada mais. Desde muito tentamos falar com o edil mas não conseguimos, ele não nos recebe. Agora querem construir bombas neste mesmo local. Querem o povo a morrer de fome, o edil só quer votos mas nunca está disponível para resolver o problema dos seus eleitores”, disse Afonso Augusto.

Importa referenciar que um dos estabelecimentos destruídos foi inaugurado pelo antigo edil da Matola, Carlos Tembe. As obras de construção das bombas de combustível já estão em curso e estão avaliadas em cerca 10 Milhões Meticais. A maior parte dos proprietários dos estabelecimentos destruídos estão a dever bancos comerciais onde fizeram empréstimos para alavancar os negócios que hoje foram água a baixo porque a edilidade precisava do espaço.

 

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Perfil do Editor

Nádio Taimo
Nádio Taimo
Editor-chefe do Jornal Visão.
Iniciou com a sua carreira Jornalística na Imprensa escrita em 2016 no Jornal Times of Mozambique. Conta com um prémio Jornalístico, 2º lugar do (Prémio Jornalístico sobre Cooperativismo Moderno - 2019 na categoria de Imprensa Escrita, organizado pela AMPCM. Já passou por vários jornais nacionais e trabalhou também como correspondente internacional.

Nádio Taimo é também Apresentador e Produtor de programas de Rádio, Redactor Publicitário e Escritor. Já ganhou um Prêmio "Poeta Revelação 2015". Contribui para o desenvolvimento das Comunidades de baixa renda como um agente Cívico, activista de Direitos Humanos, formado em liderança cívica pela Unisa Graduate School of Bussiness LeaderShip-SBL Alumni através do Yali na África do Sul.
Conta com outras formações como Acção Social, Empreendedorismo e Negócios, Técnico Médio de Comunicação e Multimédia, entre outras. ~

Nasceu a 06 de Novembro de 1995 na província de Maputo - Cidade da Matola - Moçambique, local onde fixou sua residência atual.

É comprometido com seu trabalho e família.

Editor-chefe do Jornal Visão. Iniciou com a sua carreira Jornalística na Imprensa escrita em 2016 no Jornal Times of Mozambique. Conta com um prémio Jornalístico, 2º lugar do (Prémio Jornalístico sobre Cooperativismo Moderno - 2019 na categoria de Imprensa Escrita, organizado pela AMPCM. Já passou por vários jornais nacionais e trabalhou também como correspondente internacional. Nádio Taimo é também Apresentador e Produtor de programas de Rádio, Redactor Publicitário e Escritor. Já ganhou um Prêmio "Poeta Revelação 2015". Contribui para o desenvolvimento das Comunidades de baixa renda como um agente Cívico, activista de Direitos Humanos, formado em liderança cívica pela Unisa Graduate School of Bussiness LeaderShip-SBL Alumni através do Yali na África do Sul. Conta com outras formações como Acção Social, Empreendedorismo e Negócios, Técnico Médio de Comunicação e Multimédia, entre outras. ~ Nasceu a 06 de Novembro de 1995 na província de Maputo - Cidade da Matola - Moçambique, local onde fixou sua residência atual. É comprometido com seu trabalho e família.

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