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Crise na África do Sul sufoca transportadores

Numa altura em que já se somam 72 mortos com os protestos na vizinha África do Sul, que levaram a mobilização de 25 mil militares, a associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Maputo, ASTROCAM, já saiu a terreiro e afirma que a crise naquele país está a gerar prejuízos incalculáveis para Moçambique.

Luís Frade, presidente da ASTROCAM, revelou hoje em entrevista que todos os transportadores ultimamente viajam com receio.

O que acontece naquele país era esperado devido ao nível elevadíssimo de desemprego e também o nível do descontentamento popular”, aponta Luís Frade.

Para Frade, o encarceramento do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma é apenas um palito de fósforo para que os nativos pudessem fazer o que desorganiza neste momento aquele país economicamente.

“Estes cenários que são mostrados explicitamente nas nossas televisões devem ser muito acautelados, pois acabam criando um cancro nas mentes menos esclarecidas no nosso país e esse é um perigo que de certa maneira teremos que correr”. “Temos que começar a entender que isso é uma tragédia, pois está a começar e vai-se tornar numa perspectiva humanitária porque está a ser destruído aquilo que ainda dava alguma vida”, ressaltou.

Para Frade, deve haver respeito pelo poder judicial, quem comete crimes ou erros que mereçam cadeia deve o povo aceitar, aliás, para este interlocutor se alguém com este estatuto fizer algo errado não pode pensar que partir coisas, partir todo país vá consertar o que o poder judicial faz.

A fonte revelou que os transportadores estão completamente parados e que as cargas que estão a fluir são da semana passada, que estavam escondidas em abrigos e que neste momento na fronteira só passam veículos que vão carregar perto.

“Joanesburgo está fechado, Durban está fechado, N3, N17 e toda aquela área que passa pelo interior da eSwathini, também está fechada. Neste momento que estamos a fechar vai começar a haver falta de combustível na África do Sul, as distribuidoras não estão a operar. Os grandes centros de distribuição de combustíveis estão em Joanesburgo, Durban e Bloofontein e não está a sair absolutamente nada daqueles pontos para o resto do país, o que significa que pela quantidade que tem nas bombas e a demanda, até ao final-de-semana provavelmente não se tem mais combustível”, avisa Frade.

A paragem feita esta semana fará com que haja escassez de produtos de primeira necessidade e até mesmo de produção e isso consequentemente vai propiciar o aumento de preços. Os transportadores não vêem saída para este problema enquanto a situação não parar na África do Sul.

Até agora segundo o presidente da ASTROCAM, não é possível avançar números de quantos automobilistas estarão nalguns pontos sul-africanos a espera de saírem para outros países levando carga diversa, pois este cenário de greve e vandalização naquele país só existe há uma semana e só esta é que conseguiram perceber a gravidade e mandarem parar a circulação de veículos nacionais naquele país que merece agora  segurança das autoridades locais do país vizinho até que a situação volte a normalidade.

Luís Frade na qualidade de Presidente da ASTROCAM disse que quanto aos acidentes de viação que dizimam vidas em Moçambique a primeira impressão é a falta de formação dos automobilistas, falta de um regulamento para motoristas de longo curso bem como algumas fragilidades de gestão de sistemas operacionais nalgumas empresas de transporte.

“Não poderemos focar somente nas rodovias, pois um bom motorista, bem formado, anda numa estrada ruim ou numa boa e um bom motorista sabe que pode desenvolver a velocidade num veículo até X quilómetros ou não. Se a estrada tivesse quatro pistas ou duas pistas de cada lado, porque mesmo que o autocarro tivesse ultrapassado não poderia ter acontecido nada, porque mesmo se o veículo estivesse avariado, estaria na faixa esquerda e ninguém teria se apercebido que o veículo vinha a 140KM/H ou algo do género, então esta é a condição estrada-motorista.”

Num comunicado mais recente das autoridades sul-africanas, dá conta de que foram efectuadas até ao momento mais de mil e duzentas detenções de motins que se alastraram nas últimas 24 horas nas províncias do Cabo Norte a Oeste e a de Mpumalanga a leste na fronteira com Moçambique. O governo do país sedeado em Pretória, destacou pelo menos dois mil e quinhentos militares para prestarem apoio as forças policiais.

Os tumultos estendem-se praticamente em todo o território, mas têm sido mais intensos nas províncias de KwaZulu Natal e Gauteng, como é o caso de Joanesburgo, onde se instala a maior parte da comunidade moçambicana.

Frade apela ao governo moçambicano para reforçar as medidas de segurança.

A ASTROCAM existe no país desde 1998 e seu papel é apoiar os transportadores de carga principalmente da cidade e província de Maputo na solução de diversas preocupações que tem a ver com a estrada e a manterem o contacto directo com o governo.

 

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