DESEMPREGO EM MOÇAMBIQUE: Adolescentes que se tornam adultos antes da idade

O
aumento de número de jovens em busca de uma vaga de emprego parece ter virado
febre ou epidemiologia em Maputo. 
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Ao amanhecer em todos cantos da urbe é muito
fácil cruzar com alguém perguntando em residências e Campos de produção sobre
uma vaga de emprego ou seja, muitos jovens na sua maioria sem escola e não
tendo opções de escolha optam em procurar trabalho em qualquer lugar desde que
o mesmo renda dinheiro. A idade não é o que conta, pois segundo constatou nossa
reportagem os que mais labutam nos campos de produção agrícola são menores de
idade e jovens, pois este grupo é caracterizado por ter muito a dar
considerando a sua idade. Movidos pelo sofrimento da família, ou porque os
chefes de família, grupo maioritariamente formado por pessoas entre 40 a 59
anos perderam emprego, estes adolescentes e jovens se vem na obrigação de
sustentar ou apoiar no sustento de seus parentes.
A
obrigação a que se submetem os adolescentes e jovens, os leva a deslocarem-se
para Maputo em busca de oportunidades de emprego.
À
medida que as pessoas membro de uma família perdem o emprego, a tendência é que
os outros moradores busquem um trabalho ou ajudem em alguma actividade para
complementar a renda da família. Durante a crise, a perda do emprego tem esse
efeito de abandono escolar. Onde os jovens começam a se preparar para entrar no
mercado de trabalho, considerando algumas opções. As mais comuns: arrumar um
emprego em uma grande empresa, e, mais recentemente, montar o próprio negócio.
Quando
a escolha é arrumar emprego para trabalhar como funcionário, era comum sonhar
com uma posição em uma grande empresa, pois geralmente se trata de uma
corporação estabelecida, com anos de experiência no mercado e talvez  ideal para desenvolver a carreira.
Porém,
a maioria dos jovens arruma emprego em machambas de pequeno porte. Isso pela simples
razão de não ter concluído a escola e ter de crescer e cuidar da família antes
do tempo considerado como tal, deixando o ensino que afecta-os em grande parte
da vida.
Deste
modo a Rádio Voz Coop escalou a Zona de Zimpeto para conversar com os adolescentes
que por alguma razão tiveram que deixar a sua família em Inhambane para fazer
algum trabalho na cidade de Maputo em determinados campos de produção agrícola.
Augusto
António Cumbane de 21 anos de idade, nascido em Inhambane no distrito de Panda,
residente na zona de Khongoloti, afirma que deixou de estudar ainda criança e
veio a Maputo com seus 10 anos para trabalhar como babá de outras crianças, mas não conseguiu e, está a trabalhar na machamba já há
dois anos. Augusto explica que veio a Maputo com a intenção de ser alguém na
vida, mas quando cá chegou o trabalho que o tio havia lhe dito que tinha não foi
possível encontrar.
Augusto
declara ainda que perdeu os pais ainda criança e dai teve que vir a Maputo para
viver com o tio, pois trabalha 24h por dia e só tem algumas horas para o
descanso. O Nosso interlocutor não estuda, ocupa seu dia trabalhando na machamba.
Ele faz diversos trabalhos como, sachar, regar, semear e cultivar. Augusto, acrescenta
ainda que se tivesse de deixar de trabalhar na machamba assim o faria e
gostaria de estudar caso tenha oportunidade para tal, pois trabalha para ajudar
os irmãos.
O nosso
interlocutor refere ainda que o dinheiro arrecadado mensalmente tem usado para
comprar cadeiras, mesas, e loiça, pois o seu maior sonho é construir uma casa
para albergar a sua família, mas como é o comum algumas pessoas vê aquele
trabalho como não sendo um trabalho para um jovem, mas para ele é bom o
suficiente para a sua sobrevivência.
Augusto
é mais um dos pouco mais de
um milhão de crianças sujeitas ao trabalho infantil em Moçambique.
Segundo um estudo do Ministério do
Trabalho, Emprego e Segurança Social, conduzido pela Universidade Eduardo
Mondlane, cerca de 12 milhões de crianças existentes no país, mais de um milhão
estão envolvidas em trabalho infantil.
A agricultura e o comércio são apontados
como os sectores que registam mais casos de trabalho infantil. Há ainda muitas
crianças envolvidas nas áreas da caça, pesca, prostituição e actividades
domésticas remuneradas.
A pobreza das famílias é apontada como a
principal causa do trabalho infantil em Moçambique. A pesquisa divulgada nos
meados de 2016, envolveu crianças entre os 11 e os 17 anos, em nove das 11
províncias do país. O estudo revela que 44% das crianças se envolvem no
trabalho infantil por dinheiro, 32% por querer ajudar a famílias e 11% por
falta de ocupação.

Angélica
Miranda
300

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