Desenhador realista diz material de trabalho faz muitos desistirem desta arte

Yuri Baltazar Júnior José, é um jovem artista realista residente no bairro Zona Verde, Posto Administrativo de Infulene, Município da Matola, província de Maputo.  Yuri tem 21 anos, estudante em formação, cursando Administração Pública. 

Yuri Baltazar, ou simplesmente Yuri, conta que começou a pintar ainda criança, mas foi no momento da Pandemia(2020), que aperfeiçoou a sua arte de pintar realista. Durante a conversa diz que fazia mais quadros de pintura plástica e só foi com a chegada da Covid-19 começou a fazer a Arte Realista, fazendo desenhos a lápis.

Yuri, aponta que ninguém tentou fazê-lo desistir, mas que os factores relacionados ao seu trabalho já o colocavam pressionado até o ponto de pensar em desistir.

“Um dos factores era o material, porque o material para este tipo de trabalho é um pouco caro, e por não estarem muito disponíveis em muitas lojas, porcausa do monopólio na venda, acaba sendo muito caro. Isso acabava por vezes me deixando com a baixa moral, do eu ou qualquer outro gosta.”

O nosso interlocutor, diz ainda que não desistiu até hoje pois, faz por amor, apontando que sempre recebeu apoio emocional, “sabes como é, as pessoas, dão os parabéns pelo trabalho, elogiam, dão mais força, mas nunca pensei em desistir, só fiquei desmoralizado por não encontrar um bom material a um preço acessível, o que faz com que os artistas não dêem o seu melhor”, adianta Yuri.

Apesar de várias dificuldades Yuri, diz que é motivado pelo amor que tem ao trabalho que faz, “é algo que quando olho para trás, ou seja, 4 anos atrás, estou orgulhoso do meu eu, isso me faz não querer desistir e prosseguir ainda mais, e ver como é que serei daqui há mais 10 anos”.

Yuri está a fazer licenciatura em Administração Pública na Universidade Joaquim Chissano e justifica o porquê de um curso não relacionado com a arte que desenvolve. “Sou também professor e dou explicações e aulas de inglês”.

Questionado o que estaria a fazer para que seu trabalho não seja mais um, Yuri avança que pretende fazer a arte segundo sua inspiração e não se basear apenas em obras encomendadas pelos possíveis clientes, “quero mesmo desenhar o que a sociedade vive, por exemplo temos o problema de transportes, gostaria que a minha arte espelhasse essa situação, coisas que afectam directamente a sociedade moçambicana, para dê mais notoriedade”, ressalta Yuri acrescentando que a arte é uma forma de mostrar tudo que a sociedade vive mas, “acabo me desviando disso porque como sabes nós queremos dinheiro e, por isso vamos fazendo mais encomendas do que os próprios trabalhos por inspiração artística”.

“Gostaria de fazer algo que dê mais notoriedade ao nosso país além-fronteiras. Geralmente nós os artistas, mesmo sendo nós que somos daqui, acabamos fazendo arte externa ou seja, de outros povos e esquecemos do que nós somos, nós como povo africano, mas para isso gostava também de ter condições, não só financeiras mas também materiais”, desabafa Yuri.

O nosso interlocutor, aponta que não recebe patrocínio externo e que todos os seus trabalhos são por conta própria, por essa razão sente um peso para a execução das suas obras.

“Em outras ocasiões ou países deveria ser um empresário a patrocinar meu trabalho, mas cá temos que patrocinar o nosso próprio trabalho e se não fizeres isso, ficas atrás por acaba ficando puxado”.

Apesar de diversos constrangimentos apontados por Yuri, há uma declaração clara de ganhos relativos ao trabalho que faz e para ele esses ganhos concorrem para a sabotagem da inspiração artística, pois “não desenhamos o que nossa mente tem e apenas focamo-nos apenas fazer o que nos manda o cliente”. 

Os desvios segundo Yuri, surgem das necessidades humanas que devem ser atendidas, que apontam para despesas e desejos por algo que necessite o dinheiro.

“Faço mais encomendas do que aquilo que gostaria devido à necessidade com o dinheiro”.

Apesar dos ganhos obtidos com a arte de desenhar realismo, Yuri, diz que não vive da mesma, pois seria quase que impossível, pois não recebe encomendas todos os dias e até os clientes que o procuram reclamam o preço por ele marcado.

“Há pessoas que até disseram, prefiro fazer cópia da minha foto do que isso aí, porque está a fazer muito caro. As pessoas desvalorizam nosso trabalho. Há obras que levam um mês e ninguém liga para o tempo que investe, por isso é difícil viver-se só desta arte”, desvenda Yuri o desprezo que as pessoas tem pela arte, mas o mesmo dá espaço para o desconhecimento do valor pela arte de desenhar realismo nas pessoas, achando estas que é um hobby e nada mais.

Ainda no desabafo, Yuri aponta que se alguns artistas conseguem viver da arte, o fazem pois os compradores são estrangeiros, “porque pessoas daqui, não é possível conforme disse antes”.

Quase a finalizar a nossa conversa Yuri, diz que recebe muitas solicitações de pessoas que buscam por ele seja pelo instagram, facebook e até mesmo por whatsapp. “Alguns, para aprenderem, outros em busca dos meus trabalhos e conhecerem-me mais. Ensinando essas pessoas eu aprendo mais algumas técnicas para desenvolver a minha arte”, finalizou.

Yuri aponta que os grupos criados no WhatsApp servem na maior parte das vezes como salas de aulas e vitrines onde os que buscam aprendizado vêem a eles como mestres para poderem atingir um nível alto.

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Sobre o autor: Redacção do Jornal Visão Moçambique
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