Exploração de recursos naturais pode constituir um factor de insatisfação – afirma Salomão Mujui

O Director de Serviços Provinciais de Infraestruturas de Inhambane, Salomão Mujui, alertou, nesta segunda-feira, 1 de Agosto, para que o processo de exploração de recursos naturais decorra observando a transparência de modo que não seja um factor gerador de conflitos nas comunidades.

Salomão Mujui falava na abertura da formação de quatro dias sobre análise e resolução de conflitos, mediação e diálogo, lobby, advocacia e monitoria de gestão de recursos naturais de líderes comunitários, religiosos e representantes da sociedade civil dos distritos de Inhassoro, Vilankulos e de Jangamo, no princípio desta semana na cidade de Inhambane.

“Como é do nosso conhecimento, em Moçambique os recursos naturais abundam em diferentes partes do território nacional e a sua exploração pode constituir um factor de insatisfação, de conflitos e geração de problemas de difícil resolução para o governo, caso o processo não seja conduzido de forma transparente. Daí que julgamos ser muito importante treinamentos para que as nossas lideranças ao nível de base tenham conhecimento por forma a gerir melhor os acordos para a implementação dos projectos”, disse.

O Director de Infraestruturas da Província de Inhambane reconhece que a exploração dos recursos naturais tem sido uma mais-valia para a arrecadação de receitas para o Estado, no entanto anota ser necessário o reforço da capacidade dos actores locais para se evitar a ocorrência de conflitos nas comunidades.

“Apesar destes recursos contribuírem positivamente para a economia, são vários impactos negativos provocados pela sua exploração, desde os danos ambientais (a poluição das águas, poluição do ar, erosão dos solos, desmatamento resultante da sua exploração, falta de planos de maneio e reflorestamento), destruição da herança cultural das famílias, incumprimento da justa indemnização entre outros”.

Na ocasião, o Director de Programas do IMD, Dércio Alfazema explicou que desde o início da exploração do gás em Inhambane tem se registado situações de tensão e insatisfação das comunidades porque não tem percebido os benefícios da existência do projecto de exploração do gás.

“Tem sido recorrente os jovens e as comunidades nas zonas abrangidas pelo projecto de exploração de gás reclamarem a sua exclusão no acesso ao emprego, oportunidades de negócio e dos 2.75 porcento que devem ser alocados em benefício das comunidades. Isto demonstra que o diálogo entre as comunidades, empresas e governo a volta da exploração dos recursos ainda não tem sido suficientemente convincente para evitar a ocorrência de conflitos”, disse Alfazema, alertando para o facto da província de Inhambane estar a avançar para o início de um projecto no distrito de Jangamo.

“É preciso que se tirem lições para que se evite a repetição de erros. As comunidades devem ser devidamente informadas sobre estes projectos, como vai afectar as suas vidas, os benefícios e das várias formas como podem estar envolvidos. Isto passa necessariamente por haver diálogo entre todas partes de modo que as expectativas sejam devidamente geridas. Caso contrário, teremos a exploração de recursos a decorrer num ambiente de permanente tensão”.

Por sua vez, o Presidente do Fórum Provincial da ONGs de Inhambane (FROPROI), Enoque Costa reforça a necessidade de se tomar medidas de modo que a ocorrência de recursos não se transforme em uma maldição para o país.

“Hoje quando nós falamos de conflitos e de recursos naturais o que nos vem à cabeça logo a partida é a situação de   Cabo Delgado onde milhares de pessoas viram as suas vidas destruídas pela violência extremista, talvez justamente por causa da existência dos recursos naturais. Como vocês sabem, a província de Inhambane também tem um potencial de recursos naturais e nós não gostaríamos que essa situação de cabo delgado se replicasse pelo País também pela nossa província em particular”.

O representante da Finn Church Aid (FCA) em Mocambique, Lacerda Lipangue, realçou que a formação irá dotar os participantes de ferramentas de modo a serem capazes de se engajarem em acções de resolução, mediação comunitária de conflitos desde o nível local até nacional, bem como de capacidades para fazerem lobby e advocacia com as autoridades locais e sector privado.

A formação é organizada no âmbito do projecto “Por uma Sociedade Inclusiva e Pacífica em Moçambique (TIPS)”, uma iniciativa financiada pela União Europeia e implementada por um consórcio formado pelo IMD, Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) e FCA em colaboração com o Conselho das Religiões em Moçambique (COREM) e o Faith Associte. O projecto abrange as províncias de Inhambane, Sofala, Tete, Niassa e Cabo Delgado com objectivo de contribuir para a prevenção de conflitos, preparação e resposta a crises e construção da paz através da governação e gestão inclusiva dos recursos naturais em Moçambique.

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Sobre o autor: Agostinho Muchave

Agostinho Julião Muchave ou simplesmente Agostinho Muchave, é um cidadão moçambicano, nascido em Massinga, Inhambane, a 13 de Novembro de 1986. Muchave, cresceu em Maputo cidade e província onde chegou nos princípios de 1988 com sua família que fugia da pobreza absoluta e dos conflitos militares que assolavam aquela região da zona sul do país.
Em Maputo, Agostinho Muchave, teria encontrado refúgio junto de sua família com apoio de alguns conhecidos de seu pai(Julião Nhiuane Gemo Muchave), após residir na residência de seus avós maternos na cidade de Maputo(Alto-Maé), por mais de 4 anos. Muchave apesar de ter nascido no meio à guerra de desestabilização do país provocada pela Renamo, conseguiu sobreviver e como muitos jovens tem muito por contar.
Muchave, diferente de muitas crianças da época, só conseguiu estudar numa escola oficial aos 10 anos, fazendo a 1ª classe. Aliás no mesmo ano em que o mesmo entra para escola, faz duas classes sendo uma por cada semestre chegando ao ano de 1997 já na terceira classe. “Frequentei aquelas duas classes no mesmo ano porque a escola estava a fazer experiência, sendo que eramos os alunos de primeira via e com idade muito superior, viu-se a instituição puxar-nos e também experimentar outro nível pois era uma escola da igreja Católica”, conta.
Muchave, fez o seu ensino primário em diversas escolas devido a falta de vagas na altura para estudar numa escola pública, mas em 1999 consegue a proeza e em 2003 entra para o ensino técnico profissional, fazendo seu nível técnico em serralharia Mecânica no Instituto Industrial e Comercial da Matola, donde só saiu nos finais de 2006. Frustrado em 2007 por não ter conseguido fazer o curso de professor devido a falta de fundos, Muchave decide ir atrás do seu sonho de Adolescência, “fazer rádio”.
Ainda no ano de 2007, Agostinho Muchave acompanhado do seu amigo e vizinho Nélio Nairrimo, saem com destino a Rádio Trans Mundial, onde vieram a conseguir vaga para aprender e estagiar em matérias de Jornalismo Básico, Edição e Produção bem como apresentação de programas e radionovelas.
A experiência foi muito boa até que em agosto de 2008 Agostinho Muchave, sai junto do seu amigo da Rádio Trans Mundial e abraçam a recém formada Rádio Cidadania(100.9FM). Naquela rádio cruzam com o gestor da mesma João da Silva Matola, que em troca de produzirem Gingles da Rádio e Publicidades, continuam sua carreira como parceiros e colaboradores da mesma.
A parceira só viria a durar 4 meses, sendo em 2009, Agostinho Muchave decide abraçar uma nova área profissional, passando a trabalhar como assistente de contabilidade e estafeta de uma empresa sedeada aqui em Maputo, pertencente a uma família indiana.
Agostinho Muchave, trabalhou por 6 meses e o bicho de rádio tomou conta dele que dispensava algum tempo para continuar a gravar radionovelas na Rádio Cidadania isso ainda em 2009. Mesmo fascinado em ganhar dinheiro, Muchave decide em 2011 após uma série de eventos insatisfatórios abraçar a comunicação como seu único meio até que Deus o tenha. No ano 2011 em Agosto, Muchave volta a Rádio Cidadania, esta que já estava num endereço novo além do da Marien Ngoabi, e por lá fica Chefe do Departamento de Marketing e Publicidade e daí continua a produção de programas, bem como auxiliando o seu companheiro de trincheira Nélio Nairrimo na área técnica.
Agostinho Muchave, curioso e criativo, começou seu interesse pela Electrotecnia, chegando a fazer formação Online na matéria, com tutores do Brasil em Diagnóstico e Reparação de equipamentos informáticos. Agostinho Muchave, para além de ser responsável de Marketing e Publicidade na Rádio, colaborou também para a Associação Moçambicana para Promoção da Cidadania que é proprietária da Rádio Cidadania como assistente de Comunicação e Imagem durante 2 anos.
Agostinho Muchave para de Ser Jornalista é produtor de programas de rádio, música, roteirista de radionovelas, trabalho que o faz profissionalmente desde 2014. Agostinho Mcuchave após seu percurso com ONG´s e rádios, em Maio de 2013 entrou para a Rádio Voz Coop, a qual é colaborador até a data actual. No meio deste percurso de Rádio Jornalista, formado no nível Médio, fez uma formação em Finanças Públicas, Contabilidade Geral e Financeira, Género e Mulher, WebDesigner, Indesigner, Gestor de Redes Sociais e Criador de Aplicativos usando várias linguagens informáticas e softwares, tendo criado várias rádios online de Moçambique e Websites de diversas instituições e respectivas redes sociais, engajadas e em funcionamento.
Devido a sua peculiar curiosidade pela Tecnologia, Agostinho Muchave, está neste momento a desenhar uma rede social aliada o novo projecto em busca de financiamento denominado Visão Novo Moçambique Tv & Rádio. No recente projecto, o jovem comunicador busca a popularização da liberdade de opinião e imprensa através da internet num país onde as políticas ainda se negam a oficializar os canais de rádio e tv bem como jornais pela internet, “negando assim a liberdade de imprensa e expressão como se pretende no país”.
“A tomada de qualquer decisão sobre as políticas e o futuro de cada cidadão devem ser feitos de maneira informada e com conhecimento de causa e consequências. Isso eu chamo de liberdade de escolha. E não o que vivemos em que alguém comenta e é alvo de perseguição ou mesmo morto”, realça o Jornalista.
Agostinho Muchave é responsável desde 2018 pela execução e realização do Jornal Visão, uma entidade registada em Moçambique em nome de Cátia Mondlane, que viu o empenho do jovem e o entregou para a gestão aquele órgão de informação. Muchave, já colaborou com várias instituições públicas e privadas e continua fazendo esse trabalho na área de design e formação em matérias de comunicação e jornalismo como é o caso do Instituto Superior Gwaza Muthini, Ministério do Interior(Relações Públicas) e diversos jornais como GENERUS, NÓS, Visão, GWAZANEWS, BOLETINS DAS DIRECÇÔES PROVINCIAIS DE SAÚDE e com outras ONG´s como é o caso do CIP, REDE DA CRIANÇA, Associação dos Defensores dos Direitos da Criança, Óptica Vista Alegre, Southland Waters e muio mais.
Não pode caber em dez parágrafos a história e percurso de um homem cuja capacidade é inestimável e o conhecimento é vasto.

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