FÓRUM MULHER PREOCUPADA COM FRACA IMPLEMENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE BEIJING

FÓRUM MULHER PREOCUPADA COM FRACA IMPLEMENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE BEIJING

A declaração de Beijing pressupõe Igualdade entre as mulheres e homens e fomenta um empoderamento da mulher em todos sentidos quer seja através das veteranas ou das novas gerações.

Foi neste contexto que o Fórum mulher realizou na quarta-feira(04) em Maputo, uma mesa redonda para refletir sobre os avanços e desafios na implementação da Declaração de Beijing.

O evento junto mais de 30 mulheres e jovens que representam várias organizações da Sociedade Civil bem como membros do Fórum Mulher. A declaração de Beijing manifesta explicitamente a vontade politica de Governos de diferentes matrizes ideológicos, culturais e religiosos no que diz respeito a igualdade de gênero.

De acordo com Ondina da Barca Vieira, especialista de programas da ONU Mulheres, o ano 2019 serviu para realização de uma série de acções na preparação do vigésimo quinto aniversário da Declaração e Plataforma de Acção de Beijing +25  e elaboração do Progresso Nacional o qual foi sujeito a um processo de consultas a nível dos países.

“O Governo de Moçambique submeteu o relatório em Maio do ano transacto, foram realizadas consultas à nível regional, um dos momentos particulares teve lugar em Novembro onde países Africanos desenharam uma declaração em relação ao progresso do Continente”. Disse Ondina.

Ondina, que falava em relação aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, disse que uma das características principais particularmente para a área de igualdade de gênero é o facto deste ter um objectivo de igualdade de gênero e empoderamento da mulher.

“Algumas metas neste mesmo objectivo contemplam a eliminação de todas as formas de violência contra mulheres e raparigas, incluindo uniões prematuras bem como o alcance da paridade de gênero na política e na liderança, dentre outras metas”, frisou Ondina.

A fonte refere que além de ter um objectivo especifico sobre gênero, os ODS contam com metas em todos outros 16 ODS. “Envolver jovens, de forma a assegurar que haja este diálogo entre gerações de modo que as novas gerações de Homens e Mulheres e de feministas percebam de onde vem a agenda e se apropriem dela”, explica.

As declarações de todos continentes foram consolidadas na declaração final CSW 2020 que substitui as decisões acordadas nos últimos anos onde um dos primeiros objectivos celebra o poder do Ativismo, “vou ligar este ponto ao aspecto solidariedade feminista, quanto mais as mulheres, organizações e activistas de igualdade de gênero trabalham, mais o movimento conservador se posiciona para se contrapor a estes avanços” falou Ondina.

Withney Sabino, Coordenadora de Participação Política da Associação Horizonte Azul (ASHA), conta que sua participação em dois fóruns no ano 2019, sendo Fórum de Jovens Líderes em Revisão da plataforma de Beijing na Costa do Marfim onde estiveram 250 Jovens Lideres, maioritariamente mulheres, foi produzido um documento de posição que já era almejado pelo grupo e apresentando-o aos veteranos em matérias de Gênero em Adis Abeba. “Tencionávamos apresentar a União Africana, as prioridades e as preocupações da juventude e uma das constatações que tivemos foi como é que nós Jovens estamos a nos preparar para dar continuidade a articulação desta agenda daqui para frente? O nosso engajamento nesses mecanismos formais, institucionais não é muito parecido com o tipo de engajamento que as veteranas tiveram” relata Whitney.

 

Whitney acredita que a juventude de hoje, está menos organizada sob ponto de vista institucional para estipular estas agendas quer a nível nacional e internacional, “a título de exemplo é como são constituídas as delegações hoje, sobretudo as africanas que vão participar desses espaços, é normal ver uma delegação CSW com 50 pessoas e existirem na mesma apenas 6 Jovens, isto é preocupante, porque diz-nos muito como nós levaremos essa agenda adiante”, refere.

Whitney afirma que durante o fórum em Adis Abeba foram levantados como prioridades seis pontos dentre eles, a necessidade contínua de mudar as normas sociais em progressistas e mais promotoras da igualdade de gênero, adoptar uma linguagem que seja transformadora em todas as formas de diálogo, a  questão da migração, deslocamento e do tráfico de pessoas, mulheres Jovens, agricultura e justiça climática, reforçar os estados africanos na responsabilização dos grandes projectos que têm a terra como seu principal capital, recursos acessíveis sustentáveis de quadros para promover a igualdade de gênero para mulheres e Jovens.

Whitney lamenta o facto dos Estados não aprovarem alguns itens referentes ao documento produzido “pela primeira vez, nós Jovens experimentamos o que é a produção de uma proposta de Lei, documento de posição e depois os Estados simplesmente não aprovam e posteriormente não se vê reflectido o que definimos como prioridade no nosso continente no que diz respeito a declaração política, quando se fez a leitura da declaração política africana final sentimo-nos espantados e desanimados” disse Whitney.

 

 

 

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