INTEGRITY-MOÇAMBIQUE, 29 de Setembro de 2026-A preparação do XIII Congresso da FRELIMO está a expor sinais de tensão no seio do partido, com o secretário-geral, Chakil Aboobacar, a denunciar alegadas tentativas de “compra de consciências” entre membros da organização.
A declaração foi feita na Segunda-feira, 28 de Setembro, durante a chegada de Aboobacar à província de Nampula, numa altura em que o funcionamento interno do partido naquela região está no centro de um debate público.
O secretário-geral reiterou a posição anteriormente manifestada por Filipe Paúnde, antigo secretário-geral da Frelimo, segundo a qual Eduardo Abdula terá violado a disciplina partidária ao tornar públicas alegações de interferência no funcionamento da FRELIMO em Nampula.
Aboobacar acrescentou, entretanto, uma nova dimensão ao debate. Segundo o dirigente, existem membros do partido que estarão a procurar conquistar apoios e votos para garantir a sua eleição como delegados ao XIII Congresso, previsto para Junho de 2027.
A eleição dos delegados para o congresso assume particular importância no processo interno da FRELIMO, uma vez que estes participam nas discussões e decisões sobre a orientação política e organizativa do partido.
É neste contexto que surgem as alegações de “compra de consciências” mencionadas pelo secretário-geral.
Nas declarações divulgadas, porém, Aboobacar não apresentou detalhes sobre os membros que estariam envolvidos, os alegados mecanismos utilizados ou eventuais provas que sustentem as acusações.
Ao denunciar publicamente uma alegada interferência no funcionamento da FRELIMO em Nampula, Abdula levou para o espaço público uma questão que a direcção partidária considera estar abrangida pela disciplina interna.
A posição de Aboobacar, ao reiterar as críticas anteriormente feitas por Filipe Paúnde, sinaliza a intenção da liderança partidária de tratar este tipo de divergências nas estruturas da organização.
As declarações do secretário-geral colocam em evidência questões relacionadas com disciplina partidária, disputa por delegados e alegadas tentativas de influência sobre membros da organização, numa fase de preparação para o XIII Congresso.
A FRELIMO, partido que governa Moçambique desde a independência, em 1975, prepara o seu próximo congresso num contexto em que divergências internas começam a ganhar maior visibilidade pública.
Em Nampula, o debate deixou de estar restrito aos bastidores: alegações de interferência, disciplina partidária e “compra de consciências” passaram a integrar o discurso público da própria liderança da FRELIMO. (Nando Mabica)
Fonte original: Integrity Magazine
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