Um click para o muno das notícias! » Opinião » GAMOFOBIA: o medo patológico de relacionamentos duradouros

GAMOFOBIA: o medo patológico de relacionamentos duradouros

FOTO TEXTO OPINIAO

FOTO TEXTO OPINIAO

Basílio Macaringue

Para muitos, os relacionamentos amorosos são uma fonte de carinho e de atenção para com o outro, para amar e para se sentir amado. Ainda mais, outros afirmam que o relacionamento amoroso constitui um pano de fundo para um crescimento pessoal.

Todavia, os relacionamentos também são vistos como sendo uma situação propícia para desilusões, brigas, desentendimentos e demais ocorrências negativas quando não considerados como satisfatórios por pelo menos uma das pessoas que compõe essa interacção.

Muitas vezes nos deparamos com pessoas com ideias ruins acerca de relacionamentos duradouros e que vivem criticando-os em suas falas. Chamamos a essa dificuldade de gamofobia.

A gamofobia é o medo persistente e excessivo de se comprometer num relacionamento amoroso duradouro, sobretudo, enlace matrimonial. A gamofobia afecta negativamente o estabelecimento de uma nova relação, após passar por uma decepção amorosa ou acompanhar sucessivas histórias de relações mal geridas.

Essas pessoas, os gamofóbicos, apresentam um medo excessivo e persistente de entrar em um vínculo matrimonial e de interagirem com situações a ele associadas. Eles vêem com muita dificuldade a ideia de manter um relacionamento de longa duração, em especial o matrimónio.

Não que essas pessoas não sejam sérias, privadas de boas intenções e que não mantenham relacionamentos duradouros e respeitoso com seu parceiro. Pelo contrário, o medo estará estritamente relacionado, sobretudo, com o enlace matrimonial.

É comum que tal medo esteja atrelado a um comportamento de esquiva ou de fuga. No primeiro tipo a pessoa se comporta no sentido de não entrar em contacto com o estímulo, enquanto o segundo no segundo a pessoa mantém o contacto com estímulo, mas sai de perto dele mais rapidamente. Os dois tipos são sub-categorias do comportamento evitativo.

Esses comportamentos originam, no indivíduo, dificuldades para manter vínculos afectivos duradouros, fazer parte de enlaces matrimoniais dos outros e, até mesmo, de fazer parte dos preparativos de eventos desta natureza com medo de desenvolver uma sensibilidade. O transtorno pode ser originado por factores como o desajustamento familiar, traumas com situações que envolvem o matrimónio, a perda de parentes em acidentes, o desenvolvimento de doenças terminais, a morte de ex-parceiro, as experiências de vida acumuladas pelo indivíduo ou os relatos das pessoas ao seu redor, entre outros.

Devido a essa condição, pode haver um menor investimento nas relações amorosas, já que socialmente com o passar dos anos em um relacionamento estável, onde exista um compromisso entre o casal, poderá haver uma pressão para acontecer o matrimónio. Esses aspectos aumentarão ainda mais o sofrimento do indivíduo.

Ademais, os gamofóbicos raramente conseguem falar sobre o tema matrimónio. Isso passa a ser algo sofrido, e passam a evitar (também) pessoas que rotineiramente falam sobre tal assunto. Frequentar casa de pessoas casadas podem ser situações que geram estresse e desconforto ao gamofóbico, assim como a esquiva activa de casas onde vendem alianças, vestidos de noivas ou qualquer outro objecto que faça parte da temática.

As pessoas, na maioria das vezes, têm noção de que esse medo é excessivo e irracional, mas não conseguem ter um controlo sobre esses comportamentos evitativos. O sofrimento psíquico passa a andar junto com a pessoa gamofóbica e, por consequência, com os seus parceiros.

Nos homens esse medo está grandemente associado à perda de identidade, à visão do casamento como uma condição de perda da liberdade e à vontade de prolongamento de uma adolescência plena de festança e ausente de responsabilidades. Já nas mulheres, sobretudo nas que estão habituadas a uma vida independente, o casamento surge como uma possibilidade terrível de submissão doméstica e financeira, bem como condição de perda de controlo de suas vidas.

No entanto, esta fobia é mais característica no sexo masculino, pois a mulher em razão do seu relógio biológico sente mais necessidade e urgência na constituição de uma união estável para formar uma família e ter filhos, ou seja, o sinal de um futuro consistente e duradouro.

No âmbito da intervenção psico-terapêutica sugere-se a aplicação da Terapia Cognitivo-Comportamental. Esta técnica consiste em especificar o problema de modo a projectar soluções viáveis e, dessa forma, encontrar uma solução mais adequada entre as opões disponíveis. No decurso das sessões, os indivíduos atribuem novos significados aos acontecimentos, eventos sociais, seus padrões de sentimentos e entre outros aspectos de sua vida, construindo assim diferentes hipóteses sobre o seu futuro e sobre a sua própria identidade.

Jornal Visão Moçambique
Author: Jornal Visão Moçambique

Jornal moçambicano que inova na maneira de informar. Notícias de Moçambique e do mundo num toque. Digitalizamos a maneira como a notícia chega ás suas mãos e ao bolso através desta camada jovem que faz Jornalismo Social e Responsável.

Jornal Visão Moçambique. 2024 © Todos os direitos reservados.