Há uma necessidade de se cultivar o hábito de leitura

Há uma necessidade de se cultivar o hábito de leitura – QUEM somos? De onde viemos? O que vem a ser o amanhã? O que vem a ser depois da morte?

Essas são “apenas” perguntas retóricas, que as vezes permeiam nas nossas mentes, colocando-nos em dúvidas a respeito de algumas hipóteses cientificamente dadas como respostas…

Basílio Macaringue

basiliomacaringue@gmail.com

 

O filósofo Aristóteles chamou a esse tipo de indagação de espírito farejador, visto como instrumento da Filosofia através do qual saímos da zona de conforto das respostas previamente elaboradas e procuramos perceber minuciosamente o outro lado da mesma moeda, com base no uso da razão e da dúvida metódica (esta última defendida pelo filósofo René Descartes). Da dúvida e da curiosidade veio a existir a pesquisa.

Quando não temos o hábito de leitura, nos confinamos ao senso comum, acreditando naquilo que nos transmitem, visto que pensamos e elaboramos respostas de acordo com o tipo de ideologia ou doutrina predominante no nosso contexto sócio-cultural, politico e religioso.

De acordo com a sociologia, o Homem é artista social nas relações das quais participa, activamente como não. Dito em outras palavras, quando está-se na igreja, defende-se a origem da vida com base no capítulo bíblico de Génesis, mas quando está-se na escola, certamente, defende-se segundo a teoria de Big Bang…

Estes dois exemplos são apenas para elucidar que o conhecimento, visto como um resultado do cultivo do hábito de leitura, é que orienta-nos na busca de soluções face aos desafios do dia-a-dia.

A leitura pode ser vista como um meio de descodificar uma mensagem emitida, quer seja por meio da escrita, imagem, comportamento (linguagem corporal), etc.

No tocante à leitura de um texto escrito (núcleo fulcral do presente texto), é fundamental que os dois interlocutores (emissor e receptor) sejam conhecedores do mesmo código linguístico. Caso contrário, não vai haver comunicação possível, salvo se entre eles estiver um intermediário chamado de tradutor…

Muitas vezes as pessoas perdem o gosto pela leitura por falta de disponibilidade, interesse, algo concreto para ler, motivação de uma outra pessoa, etc. Em todo caso, a escolha de matéria para ler constitui o passo mais importante, e deve variar de acordo com a idade cronológica, o interesse, as necessidades e a capacidade cognitiva do indivíduo.

Não se pode, por exemplo, dar “emergência do filosofar” a uma criança que esteja no ensino primário, que não demonstre nenhum interesse individual por matéria de género e que tenha dificuldades de leitura… de igual modo, não se pode dar, por exemplo, “uma aventura na Falésia” para um indivíduo que esteja no ensino superior, salvo se este demonstrar interesse individual por obras infantis.

Para que a leitura seja significativa ao leitor é fundamental que haja motivação, de modo que este possa lê-lo compreendendo-o e questionando-o, se necessário. A motivação quando vem do próprio leitor é chamada de intrínseca, quando vem de um terceiro recebe a denominação de extrínseca. Em todo caso, o Homem age de forma surpreendente pela positiva quando motivado, quer seja por si mesmo, quanto por um terceiro ou ambos combinados.

O cultivo do hábito de leitura cresce gradualmente, na medida em que o individuo ganha motivação quer seja intrínseca quer seja extrínseca. Para melhor compreensão do texto, é importante que a leitura seja feita em local e hora adequados. Isto permite estar em sintonia com ele, entendendo-o no seu inteiro espirito artístico e na sua real distinção. Ademais, o desenvolvimento de competências linguísticas está intimamente ligado ao hábito de leitura e escrita.

Uma maneira fácil de compreender um texto consiste em imaginar o enunciado, frase por frase, e por fim todo texto como um todo, acompanhando-o desde a pontuação, as palavras-chave, as emoções descritas, as pausas, o tempo histórico, o contexto sócio-cultural e político, etc.

O cultivo do hábito de leitura permite estar em permanente contacto com o mundo real, acompanhando o ritmo de sua mudança e seus respectivos contornos, como também ajuda a ganhar maior consciência sobre os problemas que afectam a si mesmo, a outras pessoas, ao meio ambiente e a colectividade, incluindo a possibilidade de encontrar as respectivas soluções, onde cada uma pode ou não ser opcional em função do custo VS benefício colectivamente desejado e/ou esperado.

Algumas pessoas perdem o interesse pela leitura simplesmente porque no seu meio social ninguém aparenta ter hábito semelhante… e assim vão confinando-se, também, inconscientemente (que se diga de passagem), ao senso comum e, deste modo, perigosamente, ninguém mais desenvolve habilidades necessárias para garantir-se uma sobrevivência mais consciente nesse agrupamento.

Hoje em dia, com o avanço da ciência e da tecnologia, tem sido fácil ter acesso às obras ou aos textos de alguns escritores famosos em formatos PDF (na sua maioria) e/ou em Word (raramente) na internet. Para baixar ou ter acesso aos textos do escritor A através da internet, por exemplo, é só ir a uma janela do Google e escrever o nome e título da obra pretendida. Um exemplo mais concreto: cinco vias de prova de Existência de Deus de René Descartes.

De igual modo, é imperioso cultivar o hábito de leitura do jornal, quer seja em formato físico quanto eletrónico. Os jornais nos fornecem matéria de interesse geral, actualizada e, geralmente, nos apresentam problemas de natureza social, política, económica, desportiva, etc. passiveis de soluções, quer sejam soluções individuais quanto colectivas.

Conforme anteriormente referido, quando não mantemos o hábito de leitura nos confinamos ao senso comum, somos obrigamos a acreditar naquilo que os outros nos transmitem, pensamos e elaboramos respostas de acordo com o tipo de ideologia ou doutrina predominante no nosso contexto sócio-cultural, politico e religioso.

De forma resumida, o comportamento humano tem pouco de instintivo. É, antes do mais, algo que se aprende. As habilidades, crenças, os valores, tabus, conhecimentos, etc. são adquiridos simultaneamente por interacção e comunicação com os outros Homens na sociedade e pela transmissão cultural material e imaterial ao longo das gerações.

Para finalizar, nos importa trazer a seguinte máxima: quem escraviza a sua mente, evitando ler, escraviza igualmente a si mesmo, privando-se de compreender a vida na sua realeza…

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