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Implicações do uso das redes sociais na delinquência juvenil

FOTO TEXTO OPINIAO

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Por: Basílio Macaringue

As redes sociais têm sido muito importantes na actualidade, sendo recorridas em diferentes áreas da vida humana, a destacar: educação, saúde, política, comércio, etc. De modo geral, essas redes são aplicadas para promover o auto-desenvolvimento, a ampla exposição de conteúdos de interesse social, o relaxamento, a busca de oportunidades de carreira, a partilha global de informações na área profissional e/ou acidémica, entre outros.

Todavia, as redes sociais não só oferecem benefícios, como também podem constituir um perigo. O seu uso patológico ou a dificuldade de seleccionar conteúdos adequados para acompanhar e compartilhar com outros internautas, pode levar ao desenvolvimento da delinquência juvenil, bem como alguns transtornos mentais.

A delinquência juvenil é definida como sendo uma turbulência que ocorre na fase da adolescência caracterizada pela prática de pequenos delitos. Ela envolve, nesse caso, duas perspectivas distintas, sendo uma de natureza jurídica e outras de natureza social. A primeira tem a ver com o cometimento do delito e consequente in imputabilidade penal devido a sua idade cronológica; e a segunda refere-se ao desvio das normas sociais. Nesta ultima, o individuo pode se tornar vítima da segregação social, podendo se sentir isolado e sem redes de suporte social.

Por outras, existe delinquência juvenil quando um individuo em idade cronológica que não pode ser responsabilizada criminalmente, cometendo um delito punível em lei. Nessa acção, o individuo viola a lei e as normas de convívio social em vigor. Nas duas situações, embora seja clara a violação das normas, apenas na esfera social o individuo pode ser punido, quer verbalmente quanto por via de atitudes de repreensão.

A Psicologia defende que a delinquência juvenil pode ser um comportamento normativo, enquanto pode ocorrer em qualquer indivíduo quando atinge essa fase de desenvolvimento humano. Nesta fase, geralmente o individuo se distancia das suas figuras paternais e se associa aos grupos de pares da mesma faixa etária, visando estreitar suas redes de amizade e explorar activamente as redes sociais. Nesses dois contextos de vivência, ele adquire novos padrões de personalidade, os quais interioriza e se apropria deles, definindo assim o seu modelo de futuro adulto na sociedade.

Portanto, o adolescente, até certo ponto, se torna reflexo dos modelos de personalidade que acredita serem adequados para reproduzir, pelo que, o desenvolvimento da delinquência nem sempre constitui uma acção realizada conscientemente, mas sim um papel que se desempenha passivamente, com o intuito de se tornar um adolescente ideal face ao que lhe circunda.

Importa destacar que o uso das redes sociais está associado aos temperamentos. Indivíduos introvertidos, por exemplo, apresentam menor grau de socialização com seus semelhantes e, por conta disso, são os que mais usam as redes sociais, enquanto os extrovertidos despendem mais o seu tempo em actividades sociais que não envolvem o uso das redes sociais.

Ainda mais, as redes sociais influenciam nos padrões de pensar, sentir e de agir de um indivíduo em determinadas situações da vida, enquanto constituem fontes mais recorridas, sobretudo pelo adolescente, para fazer pesquisas, consultas, sanar dúvidas, assim como para manter relações com pessoas com quem não se partilha o mesmo espaço geográfico para aquisição de hábitos culturais mais modernos e se entreter. Isto é, o adolescente serve-se das redes sociais para fazer o acompanhamento das tendências da vida na actualidade, embora possua limitações cronológicas e/ou cognitivas para questionar os tipos conteúdos disponíveis. Nesse caso, através das redes sociais podem ser disseminadas informações úteis assim como prejudiciais.

Nesse sentido, adolescentes que frequentemente acompanham nas redes sociais conteúdos violentos, por exemplo, podem tornar-se menos sensíveis à dor alheia, normalizando este padrão de comportamento e difundindo-os entre seus pares.

Entre os problemas mentais que se pode desenvolver por conta do uso patológico das redes sociais, podemos destacar: ansiedade acentuada, transtorno de humor, transtorno de comportamento anti-social, transtorno de conduta desafiadora ou opositora, défice de atenção, fobia social, bem como o comprometimento das competências sociais.

Considera-se uso patológico das redes sociais quando o individuo se mantêm ligado a elas a ponto de comprometer a sua rotina diária (vida escolar, profissional e a socialização com os outros). Este comprometimento pode ser em termos de que tempo que o individuo consegue se manter distante das redes sociais, pela qualidade de vida que consegue levar fora das redes sociais, pela quantidade e qualidade das suas publicações, assim como pelo desenvolvimento de algum transtorno mental associado ao uso destas redes.

Diante este cenário, o Psicólogo tem como papel a assumir, designadamente: difundir informações sobre a delinquência juvenil associada ao uso das redes sociais; realizar e publicar estudos que visam alertar os usurários das redes sociais sobre o seu perigo na sua saúde mental; usar as redes sociais para sensibilizar a sociedade em torno dos transtornos mentais inerentes ao uso patológico das redes sócias; entre outros.

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Author: Jornal Visão Moçambique

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