Iniciativas Que Tornam o Meio-Ambiente limpo e Sustentável

Iniciativas Que Tornam o Meio-Ambiente limpo e Sustentável

Iniciativas Que Tornam o Meio-Ambiente limpo e Sustentável – Moçambique tem um total de 91 centros urbanos oficialmente classificados dos quais 23 são cidades e 68 vilas. O país enveredou pelo processo de Municipalização depois das eleições gerais de 1992 e actualmente conta com 43 Municípios. A partir dessa altura, os resíduos sólidos urbanos que eram geridos pelas câmaras municipais passaram para gestão dos Conselhos Municipais nas Autarquias e nas vilas o processo continua sob responsabilidade das estruturas locais, distritais e/ou das vilas. (INE, 2007)

Os resíduos sólidos representam um problema que não afecta apenas os grandes centros urbanos, sendo por isso um problema de todos e para todos, independentemente da sua classe social. Então, se os resíduos sólidos são um problema para todos, a responsabilidade pela sua redução, seu reaproveitamento, tratamento e transporte ao destino final, é também de todos.

No entanto, a gestão dos resíduos sólidos continua um desafio na maioria das cidades e vilas, razão pela qual constitui ainda grande preocupação para a sua redução e gestão de forma sustentável. A causa principal de proliferação de resíduos sólidos nas cidades e vilas é atribuída a insuficiência de recursos materiais, humanos e a fraca participação pública na sua gestão e pelo desconhecimento do seu valor económico.

Para inverter essa situação, o Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental preparou a presente Estratégia de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos em Moçambique, que através da qual pretende-se inspirar e dar continuidade as vastas e boas experiências existentes nos diferentes municípios ou aglomerados populacionais com perspectiva de transformar acções isoladas em acções integradas, hábitos que degradam o ambiente e as populações em hábitos saudáveis.

A Estratégia de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos em Moçambique surge como contribuição para a melhoria da gestão dos resíduos e do saneamento do meio em prol do bem-estar do cidadão através da prevenção da sua proliferação, melhoria dos sistemas de recolha, transporte e deposição final dos referidos resíduos, neste âmbito algumas associações criadas para combater a proliferação do meio ambiente fazem trabalhos que visam tornar o meio ambiente limpo, saudável e sustentável ganhando assim mais visibilidade no país.

De acordo com o Regulamento sobre a Gestão de Resíduos Sólidos em Moçambique estima-se que resíduos originários das actividades domésticas e comerciais tem o potencial para degradar a qualidade do ambiente, prejudicar a saúde e a vida das pessoas ou danificar propriedades. Anualmente a produção de resíduos sólidos na Cidade de Maputo aponta para mais de um milhão de toneladas, o que corresponde a uma produção média de 1.639 tonelada por dia. Apontam os dados do Ministério Para a Coordenação da Acção Ambiental de 2012.

São diferentes actores envolvidos no país, com o objectivo de proteger e tornar o meio ambiente saudável e limpo, sobretudo empoderar crianças e adultos em matérias de educação ambiental ligadas a importância e conservação do meio, através de programas de recolha de lixo nos bairros, quer seja através da promoção de acções de recolha de resíduos sólidos nas praias e através de realização de workshops.

Apesar da problemática da gestão de resíduos sólidos apresentar uma situação alarmante para todo o país o referente texto reporta iniciativas de diferentes actores sociais em acções de intervenção ambiental na Cidade de Maputo.

 

O MEIO AMBIENTE TAMBÉM FAZ PARTE DAS RELAÇÕES PÚBLICAS

Alusivo ao dia Internacional das Relações Públicas que comemorou-se no dia 26 de Setembro, o Movimento de Relações Públicas de Moçambique juntou-se na manhã de (19.10) para uma acção de limpeza na Praia da Costa do Sol com o intuito de contribuir para um meio ambiente saudável.

A acção de limpeza naquele lugar público consistiu na recolha de resíduos sólidos, que a sua presença no ambiente tem tido um impacto negativo. Este movimento surgiu em 2017 e é constituído por estudantes universitários cursantes de Relações Públicas e graças a estes foi criada outra delegação na Província de Manica com a mesma visão. É importante salientar que o movimento surgiu com o intuito de dar mais visibilidade as Relações Públicas como uma ciência social e aos seus profissionais.

Ivan Cassiano Mawai, Presidente e Fundador do movimento Estudantil disse que para além da acção de limpeza tem promovido palestras com a organização Mais Mulher e conta também com o apoio da Escola Superior de Jornalismo que tem permitido a realização de palestras sobre diversos assuntos sociais e o desafio neste momento é fazer crescer o movimento.

Para que haja boa sustentabilidade ambiental, Ivan Mawai disse que os membros deste movimento tem procurado mostrar a sociedade em geral a necessidade de haver responsabilidade com o meio, visto que é onde a sociedade vive.

Mawai, aproveitou os microfones do Jornal Visão para falar da necessidade do município tornar-se mais activo na disseminação de informações sobre os cuidados com o meio e da necessidade de haver intensa fiscalização virada aos vendedores informais nas praias que são os maiores responsáveis da poluição da costa em Moçambique. “Manter o ambiente limpo não depende apenas do Governo e sim de cada um de nós”, concluiu a fonte.

Maria Cerveja, estudante do quarto ano de Relações Públicas disse que juntou-se ao movimento porque acredita que é um movimento promissor no país, acredita também que poderá tornar as Relações Públicas conhecidas.

Questionada sobre a relação que existe entre as Relações Públicas e o Ambiente esclareceu que as relações públicas são uma actividade meramente social e que por ser social preocupam-se também com questões ambientais e “é importante preservar o meio ambiente para que se evite o aquecimento global e como forma de evitar a poluição ambiental que tem prejudicado muitas espécies marinhas que a maioria delas hoje estão em extinção”, frisou Maria. “Espera-se que a acção de hoje possa incutir sobretudo aos jovens a importância de manter o ambiente limpo para garantir a sua sustentabilidade”, concluíram os participantes da actividade.

 

SERÁ QUE É MEIO AMBIENTE PORQUE JÁ DESTRUÍMOS A METADE?

Situação Ambiental do País preocupa o Greenway” – Diferentes painelistas juntaram-se quinta-feira (17) no Centro Cultural Americano Martin Luther King para abordar diferentes temáticas ligadas ao meio ambiente em um workshop organizado pelo Projecto Greenway.

O grupo de quatro painelistas esteve composto por João Cipriano chefe de repartição de gestão de resíduos sólidos do Ministério da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER), Edna Juga Médica-Clínica Geral, Osvaldo Iko Sociólogo, Ambientalista e Rapper e Fátima Domingos representante da Associação Moçambicana de Reciclagem (AMOR).

O lema escolhido para o workshop, “Será que é Meio Ambiente, porque já destruímos a metade”, tinha objectivo de encorajar e consciencializar os cidadãos principalmente a camada jovem a tomar práticas sustentáveis sobre a protecção do meio ambiente. Greenway provém da tradução directa “CAMINHO VERDE” que significa seguir um caminho sustentável.

Jéssica Alface, fundadora do projecto Greenway, composto por estudantes universitários engajados em acções que possam produzir mudanças da situação ambiental em Moçambique e no mundo promovendo a criação de um sistema que manuseia resíduos sólidos, para que contribuam no desenvolvimento sustentável. O projecto teve seu início em Janeiro do ano corrente e tem promovido acções de limpezas em locais públicos dentre eles, praias e escolas primárias com algumas lições de educação ambiental, plantio de árvores e reciclagem.

Jéssica na sua intervenção, reiterou a necessidade de haver mudanças através de pequenas atitudes como a substituição do uso do plástico por cestos durante as compras, substituição do plástico de uso único (copos descartáveis) por copos de vidro para reduzir o uso do plástico no país.

No entanto, o Chefe de repartição de gestão de resíduos sólidos do MITADER, João Cipriano, afirma que com base em alguns estudos (não citou) a quantidade de resíduos sólidos em Moçambique tende a reduzir. Na abordagem ao tema que fez relacionado com a Gestão de Resíduos Sólidos falou sobre o estágio do regulamento da Lei n° 16/2015, criada com o objectivo de fazer a gestão e controlo do saco plástico no país.

“Neste momento o Regulamento está na fase do controlo e gestão que reitera o controlo de todo o tipo de plástico que não deve ser usado, estando permitido o uso de plásticos que tiver acima de 30 micrómetros. Após a fase do controlo, seguirá a fase de avaliação que vai determinar se o país continuará com o controle ou banimento total e completo do uso do plástico. De referir que com o banimento completo do plástico, poderá se aplicar a política de plástico do uso único”, explanou João Cipriano.

Além da lei 2/2015 em termos de políticas públicas o MITADER conta com outros regulamentos ligados ao meio ambiente com vista a equipar o país de instrumentos de gestão de resíduos sólidos urbanos dentre eles, o decreto sobre a gestão de resíduos sólidos urbanos de 2014, decreto 79/2017 sobre a responsabilidade alargada dos produtores onde se prevê que todos os produtores de resíduos deverão ser responsáveis pela gestão do produto que introduz ou produz no país até a sua eliminação final, lei que proíbe que sejam atirados ao mar produtos nefastos ao meio ambiente, o Diploma Ministerial para construção de aterros controlados e algumas directivas para construção de aterros sanitários.

 

ARTISTAS JUNTAM-SE A CAUSA PELO MEIO AMBIENTE

Ainda neste workshop, o ambientalista e rapper Osvaldo Iko com o título internacional de melhor mapeador de lixo no mundo pelo movimento “Let’s do it”, falou dos problemas da poluição plástica para o ambiente e para a saúde. Iko, disse que existe no mundo segundo dados retirados de alguns estudos mais de cinco bilhões de plásticos espalhados pelo mundo, e o plástico é ainda uma dos maiores causadores do câncer no mundo.

Na sua chamada de atenção sobre os perigos do uso do plástico, Iko, afirmou que o plástico contém resina de petróleo e polímeros, substâncias químicas que são um perigo para a saúde humana pois, à medida que o plástico decompõe-se no meio ambiente libera substâncias que os seres humanos e animais inalam causando assim o câncer ao longo do tempo.

A fonte acrescentou ainda que a presença do plástico no país pode ser visto como sinônimo de má governação e que se a sociedade não pensar na forma como usa o plástico os seres humanos correm o risco de ficar em extinção. Iko, apela que os cidadãos no mundo façam menor uso do plástico e que use a política dos 3R: Repensar, Reduzir e Reciclar.

 

CAUSAS NOBRES QUE DÃO VIDA AOS OUTROS

Sobre a responsabilidade social e sustentabilidade, Fátima Domingos representante da Associação Moçambicana de Reciclagem (AMOR), criada com o objectivo de promover e organizar os resíduos sólidos com impacto no país, disse que a iniciativa da associação é o empoderamento de mulheres sobretudo que vivem com HIV e de outro grupo de pessoas marginalizadas a ganharem dinheiro catando lixo e ajudarem na gerência do ECOPONTO que lida com a compra, venda e recepção de resíduos sólidos no país.

A AMOR tem-se engajado em várias matérias ligadas a acções de limpezas, influência na legislação ambiental bem como fazer vários trabalhos com as comunidades.

Fátima referiu-se a necessidade da educação ambiental sobretudo das crianças sem deixar de fora os adultos para que valorizem a reciclagem e tornem prática a acção de separação do lixo para que haja melhor sustentabilidade ambiental.

 

A RECOLHA DE RESÍDUOS SÓLIDOS GERA FONTE DE RENDA NA CIDADE DE MAPUTO

Para além de contribuir para a saúde, limpeza e sustentabilidade ambiental as estratégis de recolha e gestão de resíduos sólidos tem  benéficiado vários cidadãos com a criação de vários postos de emprego.

Alexandre Fandela Vice-presidente da Associação Moçambicana de Microempresas (AMMEPS) da Cidade de Maputo, diz que a associação surge em 2008 através da junção das microempresas por iniciativa do conselho municipal através de um acordo com o Branco Mundial para que pudesse representar ao nível Central todas as pequenas empresas que fazem limpezas nos bairros da Cidade de Maputo.

Desde 2008, a associação das microempresas era constituída por 17 empresas pequenas e até 2012 contava com um mínimo de 600 trabalhadores constituídos por mulheres e homens, actualmente com a expansão dos seus serviços a associação conta com 44 empresas pequenas que actum nos bairros e beneficia cidadãos com 1000 postos de emprego com direito a um salário mínimo mensal.

O objectivo principal desta associação é limpar os bairros isto é fazer a recolha primária dos resíduos sólidos nas comunidades, contribuindo assim para um ambiente saudável. Sublinhou ainda o vice-presidente da associação que as microempresas tem contribuído para a limpeza do meio-ambiente com a realização de algumas jornadas de limpezas ao nível da cidade, eliminação de algumas lixeiras informais, e ao nível da saúde diminuição da onda de cólera.

O trabalho não é fácil, e uma das maiores dificuldades que os trabalhadores enfrentam no terreno está relativa ao tipo de lixo que é recolhido que carece de separação dos munícipes e o não cumprimento dos horários para a retirada do lixo, acrescentou a fonte.

Leonardo Buque, empreendedor criou a “Cupa Tudo”, sua microempresa localizada no bairro do zimpeto que atua hoje no ramo de recolha e transporte de resíduos sólidos (garrafas plásticas e outro tipo de material plástico) a sensivelmente dois anos por conta própria que oferece os seus serviços a SERLIMPES Lda associada á AMMEPS diz que o negócio além de render algum lucro, contribui para a limpeza do meio ambiente na medida em que cada vez que recolhem o lixo e os resíduos espalhados pela rua tendem a diminuir.

Disse ainda que a reciclagem tem servido para transformar o material velho para o novo quando fornecidos em algumas empresas o caso da Roksol no Bairro de Zimpeto e outras cujo nomes não foram apontados no Bairro da Machava.

Material catado do lixo como bacias partidas são transformados em novas bacias, cadeiras e vários utensílios provenientes do plástico para o uso doméstico no entanto desconhece a finalidade das garrafas plásticas são transformadas em outro tipo de matéria para no fim serem transportados para fora do país.

Pelo menos 90 toneladas de lixo são recolhidas mensalmente na praia da Costa do Sol, em Maputo, no âmbito do programa de preservação do meio ambiente. Trata-se de restos de comida, garrafas de bebidas alcoólicas e outros resíduos sólidos que diariamente são deixados de qualquer maneira pelos banhistas e por diversos frequentadores daquele local, só neste final de semana (20 de outubro) foram recolhidos cerca de uma tonelada e trezentas e quarenta e dois quilogramas de garafas de vidro, por agentes de limpeza e voluntários.

A Cidade de Maputo com uma produção anual de mais de um milhão de toneladas, o que corresponde a uma produção média de 1.639 ton/dia. Estes dados têm vindo a aumentar significativamente nos últimos anos.

O inquérito feito aos serviços de salubridade do Município da Cidade de Maputo, apontam para uma produção estimada em 600 mil toneladas de resíduos por ano (CMCM, 2009) contra uma produção anual de 243 mil toneladas, o que corresponde a uma produção média de 658 ton /dia e uma captação de 263 gr por habitante por dia. A recolha de resíduos sólidos pelos serviços municipais não tem sido abrangente. A nível nacional a percentagem de recolha vária de 40 a 50 % do total de resíduos sólidos, cobrindo basicamente as zonas de cimento e parte da suburbana, não incluindo a peri-urbana. Estes resíduos são recolhidos em contentores de 1 m³, 6 m³, de 10 m³ e de 16 m³ e silos, dependendo da área, do número de beneficiários e dos meios disponíveis.

 

 

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Propriedade de Edições do Jornal Visão, Registado na República de Moçambique em Dezembro de 2016 no Gabinete de Informação, Instituição de Tutela sobre o sector da comunicações e radiodifusão com procedimentos dos ministérios da Justiça, Interior, Comércio e Indústria e dos Transportes e Comunicações. Publicações Semanais por PDF e diárias através do Website www.jornalvisaomoz.com. Notícias de Moçambique e do mundo na hora certa, com factos e argumentos fiáveis e credíveis.

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