Líderes locais desviam ajuda humanitárias em zonas de conflitos do norte e centro do país | Jornal Visão

Líderes locais desviam ajuda humanitárias em zonas de conflitos do norte e centro do país

Líderes locais desviam ajuda humanitárias em zonas de conflitos do norte e centro do país

Líderes locais desviam ajuda humanitárias em zonas de conflitos do norte e centro do país –

O estudo recentemente tornado público pelo CIP aponta que há desvio de mantimentos enviados às famílias deslocadas da Província de Cabo Delgado e de outras províncias do país no norte e centro.

A complexidade encontrada na elaboração das listas de deslocados que é confiada a líderes de bairros, pessoas singulares¸ muitas delas¸ sem emprego formal e vivendo em situação de carência, abre uma oportunidade para o desvio de parte da ajuda destinada aos deslocados para benefício próprio.

Segundo o documento do CIP, a forma mais usada para o desvio da ajuda destinada aos deslocados é a manipulação das listas, incluindo nelas, nomes de pessoas que não são deslocadas do conflito e que muitas vezes vivem na mesma família.

Como referido, a ajuda é destinada aos chefes de família de deslocados. As estruturas de bairro elaboram as listas das famílias de deslocados¸ entregam ao PMA e a organizações parceiras para a distribuição da ajuda.


“Entretanto, uma vez no terreno, quando inicia a chamada, as pessoas que aparecem para receber a cesta básica ou a senha de cash-based transfer não são deslocados. São familiares ou pessoas das relações dos líderes dos bairros responsáveis pela elaboração das listas”, lê-se no Documento.

“Os primeiros cinco da lista são os chefes”, disse ao CIP um elemento de uma organização responsável pela canalização da ajuda.

“Os chefes (de bairros de acolhimento) alistam nos primeiros lugares os seus familiares para receber a ajuda em primeiro. E só depois é que colocam os verdadeiros deslocados. E como a ajuda nunca chega para todos, os prejudicados serão sempre os deslocados”, explicou.

A situação da manipulação das listas é do conhecimento tanto do Governo local como das Agências das Nações Unidas que lideram os clusters de ajuda no terreno mas nunca foi tratada de forma aberta com a sociedade e muito menos denunciada. O que se tem feito é a verificação minuciosa das listas, tentando retirar os nomes de falsos deslocados.

O Governo do Distrito de Pemba passou a exigir a verificação das listas para homologá-las antes de serem entregues ao PMA e a parceiros.

Contudo¸ nem mesmo com esta acção conseguiu eliminar ou reduzir significativamente a desconfiança da manipulação das listas.

A situação chegou a tal gravidade que as organizações da canalização da ajuda, amiúde são forçadas a cancelar a distribuição da ajuda ao perceber que as pessoas que estão a ser chamadas nas listas não são verdadeiros deslocados. O facto de em cada mês ter que se actualizar as listas, dado que que novos deslocados chegam quase que diariamente em busca de abrigo, dificulta a consolidação das listas.

“Cada vez que uma nova lista chega, contém sempre nomes de falsos deslocados de guerra”, contou um dos de responsáveis de uma organização de canalização da ajuda.

O Governo não aceita que as organizações internacionais ou da sociedade civil que disponibilizam a ajuda elaborem as listas.

Alegando questões de soberania, exige sempre que sejam por si (Governo) elaboradas mas por sua vez delega esta função às autoridades de bairros, que não têm conhecimento nem responsabilidade para tão complexa e sensível actividade.

Ajude-nos a crescer. Sua ajuda conta muito para nó
193

Average Rating

5 Star
0%
4 Star
0%
3 Star
0%
2 Star
0%
1 Star
0%

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

×

Olá!

Envie sua notícia ou informação pelo WhatsApp, é seguro e sigiloso. Pode confiar ou envie-nos um e-mail para redaccao@jornalvisaomoz.com

× REPÓRTER É VOCÊ. ESCREVA-NOS AGORA!
%d bloggers like this: