LIXEIRAS INFORMAIS EM MAPUTO: um problema provocado com desculpas de tapamento de buracos e falta de contentores

LIXEIRAS INFORMAIS EM MAPUTO: um problema provocado com desculpas de tapamento de buracos e falta de contentores

LIXEIRAS INFORMAIS EM MAPUTO: um problema provocado com desculpas de tapamento de buracos e falta de contentores – A propagação de lixeiras informais vem sendo algo comum e se alguém não tomar atitude pode ser um problema natural. Vários bairros da cidade e província de Maputo vivenciam momentos sarcásticos com a falta de depósitos de lixo, o que obriga seus moradores a recorrer a abertura de pequenos buracos para enterrar os resíduos sólidos.

As vítimas mais visíveis são os bairros T-3 no posto Administrativo de Infulene, Zona Verde e Ndlavela. No bairro T-3, após a ocorrência das cheias do ano 2000, várias ruas ficaram esburacadas e a erosão quase que levava alguns pedaços de terra que protegiam talhões e casas naquela zona residencial.

Os munícipes movidos pelo desespero começaram a contribuir 25,00MT em cada casa para que os tractores que depositavam lixo na lixeira do “bairro”-Infulene A, passassem a jogá-lo em frente as suas residências como solução do problema de erosão.

Passados alguns anos o município começou a olhar para a solução criada pelos moradores como ideal para aliviar algumas zonas e o lixo passou de informal para formal método de tapamento de buracos em todas ruelas do bairro T-3, Zona Verde e Ndlavela até que surgiram lixeiras informais que hoje são um perigo para o meio ambiente.

As imagens anexas a este texto mostram como ficou a antiga cooperativa Avícola do bairro T-3 depois do depósito de lixo como forma de recuperar o espaço que agora fora vendido em parcelas a muitos cidadãos e igrejas que ergueram suas infraestruturas por cima do Plástico.

Fabricar lixeiras informais na Matola tornou-se realidade que munícipes cansados de viver com lixo no final de cada rua do bairro Khongolote amontoam sacos de resíduos sólidos diversos. Mas, o que não sabem os cidadãos é que os riscos do lixo depositado em lugares impróprios pode trazer consequências nefastas para o futuro.

A poluição do ar, do meio ambiente na Matola, cidade industrial de Moçambique passou de comum para normal e as lixeiras informais crescem mais devido a gestão deficitária dos resíduos sólidos por parte da Autarquia.

Afinal que riscos podem ser associados às lixeiras informais no meio em que vivemos?

A seguir a uma breve explanação vamos ouvir de quem lida com este assunto os riscos, as possíveis soluções e o que está mesmo a acontecer ao meio ambiente neste momento por conta deste tipo de comportamento que é oficialmente aceite pelas autoridades competentes na gestão de resíduos sólidos.

O lixo (também chamado de resíduo) é considerado um dos maiores problemas ambientais da nossa sociedade. A população e o consumo per-capita crescem e, junto com eles, a quantidade de resíduos produzidos. Na maioria das vezes, o lixo não é descartado de maneira correta e pode resultar em diversos problemas para o meio ambiente, como contaminação da água, do solo e até mesmo do ar.

No país, a população em geral não apresenta uma cultura de interesse no destino dos resíduos, residindo a maior preocupação na necessidade de um serviço de recolhimento. Uma vez recolhidos pelo serviço público de coleta, para muitos, o problema já está resolvido.

Esta cultura tem como consequência a falta de interesse em fazer uma redução significativa na geração de lixo, como base para a gestão sustentável. Em áreas mais pobres e de difícil acesso aos camiões, a população deve ser estimulada a trazer o lixo a pontos de recolhimento, em vez de colocá-lo em qualquer lugar, acarretando problemas não só de saúde, mas também de infraestrutura, como o entupimento de valas de drenagens em zonas como Maxaquene, Urbanização, 25 de Junho A e B entre outras.

As pessoas não pensam na preservação dos recursos naturais e não têm interesse nos mecanismos de eliminação, a menos que estes representem uma ameaça para a saúde. No entanto, deve-se lembrar que todos consumidores são responsáveis pelos resíduos que geram em relação à qualidade e à quantidade e que também tem o papel fundamental na geração de resíduos e no seu destino final.

Para que o lixo não acabe por ser o grande, talvez o maior problema de relacionamento entre as cidades e o meio ambiente, é importante que a cada nível de governo trate a questão com prioridade.

Os benefícios da limpeza urbana para a sociedade, em geral, já estão bem estabelecidos, no entanto, questões relativas ao gerenciamento dos resíduos sólidos não oferecem uma melhoria qualitativa do sistema como um todo. Há uma forte relação entre a geração de resíduos sólidos e a saúde, seja de forma directa ou indirecta, além das agressões ambientais.

Com o surgimento dos “lixeiras” nos centros urbanos, uma parte da população marginalizada do mercado formal tenta sobreviver dos restos produzidos pela sociedade, numa situação de pobreza e condições insalubres: são os catadores de lixo.

No entanto existem duas maneiras prováveis de contaminação a partir das lixeiras, seja pelo contato directo com algum micro-organismo patogênico presente no lixo ou por algum factor de risco associado, que actua como um risco ocupacional, ambiental ou alimentar.

A forma inadequada de descartar o lixo é discutida amplamente, na perspectiva de que o lixo produzido pela sociedade possa ser ao máximo reaproveitado, não causando danos ambientais e à saúde, havendo uma solução alternativa de emprego para os catadores de lixo.

MUNÍCIPES DEFENDEM QUE APESAR DO RISCO VALEU A PENA TAPAR BURACOS COM LIXO

Os munícipes apontam que mesmo sabendo dos riscos do lixo, não vêem solução diferente para uma habitação. “Jogar lixo ali é a única solução porque na minha casa não há espaço, já fiz muitas covas”, relata um dos munícipes entrevistados por nossa Reportagem.

Contrariamente ao primeiro entrevistado Nelsa Tuança, residente em Marracuene aponta que essas lixeiras trazem consigo impactos negativos tanto para a saúde como para o ambiente, sendo assim é prejudicial pois pode provocar o mau cheiro que além de poluir o ar pode chamar moscas. “As moscas, por sua vez vão pousar nos alimentos que posteriormente iremos ingerir e se der o caso de não lavarmos bem os alimentos ficaremos doentes ou seja teremos cólera, diárias entre outras”, disse Tuança.

Para Tuança, uma das formas do munícipe combater as lixeiras informais é deixar o lixo nos locais próprios tais como contendores de lixo e na própria lixeira formal.

“O município poderia disponibilizar contentores de lixo nos bairros, conscientizar a população a deixar o lixo nos locais próprios e fazer sempre a monitoria dos mesmos para ver se estão a ser usados conforme ou não”, refutou Nelsa.

Em suma nossos entrevistados apontam que as autarquias têm um papel preponderante na busca de soluções para evitar a propagação das lixeiras informais.

Dércio Cossa explana que as lixeiras informais são aquelas feitas em locais onde não padece de cuidados e condições apropriadas pala depositar o lixo, e que essa geram impactos catastróficos para a saúde da comunidade que reside ao redor, principalmente para crianças que dificilmente tem conhecimento e brinca naqueles locais a busca de brinquedos jogados fora, enquanto para o ambiente o perigo é maior pois estas libertam um cheiro nauseabundo, o pior de tudo é quando o lixo jogado não é classificado e nem separado, daí que gera uma degradação ao solo porque ali é deitado pilhas velhas, tintas e outros líquidos e metais improprio para aquele local que acaba deteriorando.

Dércio acrescentou que para o combate dessas lixeiras seus males a primeira coisa que deve ser feita é a sensibilização dos munícipes, uma Educação as crianças que muitas das vezes são elas que joga o lixo fora dos contentores se tiver e se não há uma necessidade de os residentes controlarem-se durante a noite para descobrir os que joga o lixo de noite.

“Considero lixeiras informais todo o lugar que é depositado o lixo mas sendo um lugar impróprio,” explicou Nhico Ubisse.

Nhico disse ainda que as lixeiras informais têm um impacto negativo para a saúde humana, provocando mosquitos que causam doenças (malária), a cidade ou a vila onde há lixeiras informais sempre anda com um cheiro desagradável.

“O munícipe pode combater as lixeiras informais abrindo uma cova na sua casa onde irá depositar todo lixo, ou procurar um recipiente por ex:( cortar um tambor e servir de lixeira).

Mas também não basta, o município deverá fazer o seu papel, recolhendo o lixo nas lixeiras formais que os munícipes irão depositar o seu lixo”, esclarece Ubisse.

Cianeta Mulima outra entrevistada diz que as lixeiras informais são prejudiciais a saúde dos cidadãos porquê causa doenças desde diarreias, cóleras, através das moscas que levam bactérias do lixo e posam nos alimentos e outras produtos, para além de trazer maior perigo para aqueles que residem ao redor da lixeira poderá ter problemas respiratórios pelo cheio nauseabundo que o lixo respira.

“Os contentores noa bairros são a solução para combater a questão das lixeiras informais, apelar a recolectores privados para entrar em todos bairros, pois todos pagam a taxa de lixo e não apenas recolher em uns e deixar outros a rasca,” frisa Cianata Mulima.

Inocêncio Guambe, residente no bairro Polana caniço B há 27 anos, explica que as lixeiras informais são aquelas criadas pelos cidadãos de forma desregrada em um locais abandonado onde o munícipe acha que deve virar uma lixeira, sendo que as mesmas na época chuvosa trazem doenças que normalmente vai eclodindo nesta época como diarreias e cóleras que são as mais frequentes diante dessa situação.

Guambe acrescenta que para o ambiente o impacto é maior pois este polui o ar, a água, a terra, para alem de contribuir para a erosão e danificar a imagem do bairro.

“Para combater a esse mal é preciso que as estruturas do bairro sensibilizem os cidadãos sobre o tratamento do lixo, para além de organizar-se semanalmente grupos de limpeza envolvendo a própria comunidade para tornar os nossos bairros asseados, não podemos deixar o nosso bairro sujo pois é sinal de desleixo e abandono, se não for nós a fazer, ninguém fará por nós,” desabafou Inocêncio Guambe.

Fernando Guambe residente do bairro Maxaquene desde 1982, disse que as lixeiras informais facilitam a propagação de doenças, uma vez que os moradores locais não tem contentores e há oscilação na escala combinada com o carro do município para recolher o lixo, os munícipes acabam criando lixeiras informais, essas que ao cair da chuva propaga mais doenças tais como a cólera pela transmissão de moscas que pousam nos alimentos, malaria pela picada de mosquitos, baratas que espalham-se pelas casas vizinhas.

Fernando acrescentou que para minimizar essa  questão é preciso que se cumpra com as taxas pagas para a recolha desse lixo, porquê o conselho Municipal estipulou que cada pessoa que tem energia na sua casa deve mensalmente pagar uma taxa para a recolha desses resíduos, “mais o que inquieta é que pagamos as taxas mais depois de um tempo não apareceu mais o carro para retirar, o que nós deixa espantados”, mais tambem é preciso que cada municipe ficalize o outro, para que aquele que for encontrado a jogara lixo possa ser sancionada a limpar todo quarteirão,” disse.

Nilza da Conceição explica que os impactos que as lixeiras informais são  poluição do ar, que pode consequentemente provocar várias doenças como o problema de respiração,a malária, a cólera decorrentes da desorganização do próprio ambiente(falta de assiduidade).

Nilza disse que é preciso que município forneça contentores plásticos e outros objectos próprios para colocar tudo que é lixo, e esses depósitos devem permitir a separação do lixo, os recicláveis e o não recicláveis.

Carlos Libombo explica que o  lixo que é jogamos ou amontoamos na rua, sem a devida coordenação com o Conselho municipal para a respectiva remoção é o que normalmente propicia a criação de lixeiras nos bairros.

Carlos Libombo disse que a degradação do meio ambiente é um dos impactos mais frequentes das lixeiras informais porque não há a reciclagem do mesmo lixo, pois é preciso que seja criada uma forma de primeiro haver a separação do lixo doméstico e industrial para facilitar a reciclagem, e posteriormente coordenador com as entidades competentes para a devida remoção do lixo, criação de uma educação cívica sobre a importância da gestão desses resíduos

UM PROBLEMA SOCIAL E AMBIENTAL QUE PRECISA DE ATITUDES CERTAS E DE PESSOAS CERTAS

Carlos Serra Ambientalista e Coordenador do Movimento LETʹS DO IT em conversa com Jornal Visão esclareceu que todas lixeiras informais ou formais a céu aberto geram um impacto, por isso seria última opção recomendável, porque primeiro os efeitos são negativos pois poluem a água, o ar, o solo, e a paisagem perde a imagem. A lixeira contribui na criação de um aspecto desolador colocando em causa os indicadores de saúde da comunidade.

“Numa primeira abordagem, principalmente as lixeiras informais estão geralmente em combustão decorrente a reaçções químicas, biológicas, físicas no lixo que está exposto. Este liberta uma série de substâncias através do ar para o ambiente que para o caso dos seres humano são tóxicas, um problema para a saúde. A dioxina que a partir de aspectos relacionados trazem doenças respiratórias, cancros, asmas, portanto quanto mais plástico tiver no lixo e for queimado é pior na qualidade do ar em especial. As lixeiras a céu aberto são o que não é necessário no país como função, seja em maior escala ou não e mesmo que não sejam objectos de queima também liberta o gás metano quê é um dos gases de aquecimento, que também estão relacionadas ao aquecimento global que contribuem através do metano, este que é mais poderoso do que o dióxido de carbono para as mudanças climáticas e aquecimento global”, explicou Serra.

Por outro lado Berta Membewane Ambientalista afecta a organização Livaningo em entrevista ao Jornal disse que as lixeiras a céu aberto são um problema de saúde pública e para o ambiente no geral pois danifica o solo. A questão da imagem (visual), tem um impacto pois, cria constrangimento como propagação de insectos tais como baratas, mosquitos que são transmissores de doenças, porque na lixeira é produzido chorume que é um tipo de químico que danifica o solo, produz-se gás que para as pessoas que estão em contacto ou residem ao redor do lixo estão sempre expostos outro aspecto é que o lixo provoca fumaça quando queimado, tem cheiro nauseabundo além do risco de explosões que são frequentemente em locais onde tem uma lixeira.

Berta Membewane esclareceu que as lixeiras não só prejudicam o solo, mar, ar e ambiente mais também tem uma ligação directa com a saúde através da propagação de doenças por insectos e outras forma que derivam dessas lixeiras, sem esquecer a dioxina que as mesmas libertam o que provoca doenças respiratórias, câncer e outras. 

LIXEIRAS INFORMAIS: UM PROBLEMA QUE ULTRAPASSA O GÊNERO E LOCAL… AFECTA O TURISMO

Osvaldo Iko Machaieie Representante da Cooperativa de Educação Ambiental REPENSAR apontou que as lixeiras informais primeiramente para o ambiente além de ter uma relação directa com a questão do aspecto dos bairros, da cidade e da comunidade, tem um fenômeno negativo que é criar o mau aspecto, (exemplo claro falando do turismo). Iko aponta que num outro sentido, diferentes categorias de lixo levam muito tempo para degradarem-se e certamente são feitos de químicos e assim criam fenómenos relacionados com aquecimento, secas, porque nota-se que as lixeiras normalmente atraem lixo, se uma pessoa joga lixo hoje, amanhã aquele lugar vira deposito de lixo, logo tem um impacto negativo para degradação do meio ambiente, como também da saúde, do aspecto da zona, a falta de sentido de pertença em termos da cidadania.

No que diz respeito a Saúde pública há lixo que normalmente lança um cheiro nauseabundo (exemplo fezes), que atrai mosca por conseguinte pousam nas comidas, alimentos e isso é prejudicial a saúde… tem garrafas jogadas de forma inadequada que para além de criar mau aspecto, vira um habitat para mosquitos que em alguns dias nascem milhares deles que causam a malária, cólera e outras doenças que são transmitidos por estes insectos e esses são os poucos dos muitos problemas por falta de educação ambiental as pessoas ficam reféns do seu comportamento, porque o que hoje jogam amanhã causa efeitos negativos na saúde, tanto para o meio ambiente.

GESTÃO INADEQUADA DO PLÁSTICO… outro problema que não parecer ter fim

Questionado sobre o impacto do plástico descartado de forma inadequada, Carlos Serra disse que este objecto contribui negativamente para a paisagem, o turismo, água, alimentos vários outros pontos porque além desses o maior problema é para saúde pois, “este é consumindo em quantidades maiores o que já está associado a problemas de saúde, pois sabemos que também na biodiversidade que muitas espécies sofrem ameaças e danos directos desse plástico”, disse. Segundo Serra, há uma necessidade de existirem medidas de prevenção e combate ao plástico, sendo que nos próximos tempos o país terá de transitar do descartável para o durável por isso é preciso que se use produtos que durem para que a gestão do plástico seja bem ordenada, pois só assim poderá se salvaguardar a saúde humana e dos animais que são os maiores consumidores deste objecto.

Berta Membewane, quando questionada sobre os perigos do plástico respondeu nos seguintes moldes: “O plástico é um grande problema porque não só se reflete nas lixeiras mas também no mar, mas este resíduo compromete o ecossistema e mesmo com a incineração do mesmo leva anos para desparecer. A questão do reaproveitamento do plástico é o que contribui para a poluição do meio ambiente ”, disse Membewane.

Osvaldo Iko aponta que o plástico demora muito a decompor-se e é jogado de forma irregular “é uma questão muito séria que deve ser tratada com muita sensibilidade porque hoje em dia o plástico é considerado inimigo número um do meio ambiente devido a contaminação que tem ao mar, pois este não degrada-se simplesmente separa-se e torna-se mais inobservável a olho nu, uma partícula que é chamada de micro-plástico que precisa de instrumentos adequados para apurar, e isto contamina o ar, a água e a terra. São química prejudicial, por isso jogar o plástico de forma irregular significa criar um mundo menos habitável porque o tempo do plástico é a longo prazo, por exemplo nós jogamos o lixo que vai parar no mar, isso significa que 30% do lixo que está no mar é jogado pelo ser humano, não só o calor que se faz sentir muitos vão a praia onde produzem lixo que deixam de qualquer maneira”, explicou.

Iko foi mais longe ao explicar que após ser jogado em qualquer lugar o plástico vai parar no mar e contamina água, no entanto prejudica a saúde porque o sal, peixe, verduras e outros produtos que consumimos saem do mar, e são regados por aquela água onde depois vai ao organismo humano e muitos dos animais marinhos alimentam-se desse plástico daí que o plástico é o problema número um não só em Maputo como também em todo país.

“Há que se tomar uma medida não só em relação ao plástico, mas também em relação ao comportamento do descarte porque é algo que todos fazem normalmente isso está padronizado no dia-a-dia e o plástico é algo que voa é uma situação irregular, mas também é preciso olhar para o tempo de deterioração e normalmente é falado de anos, mais em Moçambique onde estamos, um país com clima tropical húmido e é diferente de um país onde tem temperaturas baixa, a degradação do plástico é mais acelerada em relação a países europeus que já tem uma certa visão. Penso que tem que se tomar medidas sobretudo políticas que proíbam o uso do plástico mais que essas sejam operantes”, frisou Iko.

SERÁ QUE PODE-SE COMBATER AS LIXEIRAS INFORMAIS EM MOÇAMBIQUE?

Carlos Serra explanou que há muito trabalho a ser feito desde que haja um plano em todas vertentes para uma melhor abordagem “é preciso primeiramente que o lixo seja colocado no sítio próprio, a gestão de resíduos sólidos tem de ser uma prioridade a todos níveis, não pode ser um assunto tratado por alguns, mais sim deve ser um assunto fundamental de saúde pública, pois se deixarmos este para o último, a sociedade vai pagar caro a facturas de saúde, é fundamental que a gestão de resíduos passe para o primeiro plano”, relata Serra.

Segundo aspecto apontado por Serra, é alocar recursos necessário, contratar quadros qualificados para gerir e definir as estratégias para a gestão incidindo sempre a estratégias a montante, por isso é necessário que seja uma abordagem de repensar em tudo que o país está a fazer, isso passa por reduzir e recusar tudo aquilo que é supérfluo para prevenir e combater a poluição.

Em Terceiro lugar segundo o Ambientalista, deve-se passar para valorização o que necessariamente passa por reciclagem, abordagem fortes de revitalização e recuperação energética, portanto medidas devem ser tomadas no plano legal, administrativo, finanças, tributário, de educação e sensibilização, nesse caso deve-se atacar em todos lados, não basta uma, mais sim uma abordagem integrada.

“A lixeira enquanto tal pode numa primeira fase ser transformada num aterro controlado, porque o quadro legal permite, isso implica 100% de investimento, abandonando aquilo que é hoje caus e ou reorganizarmos controlando, com isso já é um bom caminha para evitar uma parte da poluição, não elimina mais evitamos uma parte, reduzirmos a poluição, temos que delimitar onde começa e termina a lixeira, temos que vendar o acesso, criar condições básicas para prevenir incluindo estancar queimadas e focos de incêndio e temos que associar também a separação do orgânico e não-orgânico é muito importante em alguns dos casos”, explicou.

“Para enfrentar essas lixeiras criadas nos bairros é necessário uma Educação ambiental, sensibilização das pessoas em relação ao tratamento. Há objectos que não precisam parar nas lixeiras, mas sim nas casas, primeiro temos de reduzir o lixo produzido, segundo separar o orgânico do não-orgânico, o bio agradável que será reaproveitado produzindo estrumes, é também necessário que se faça um trabalho a partir da base “casa”, ver o lixo de outra maneira, nós começamos a perceber que enquanto cidadão passamos a contribuir com os resíduos sólidos fazendo uma separação e ter mais Informação de onde levar para que as pessoas possam reutilizar”, frisa Berta Membewane.

“A melhor forma de combater essas lixeiras informais é o uso das plataformas de denúncia que existem, exemplo claro é MOPA, mas nisso o problema é a questão do ordenamento territorial em que mesmo os cidadãos colectar o lixo, o camião não chega a esses bairro e dai a possibilidade de criação dessas lixeiras informais. A Educação, o uso desses meios de denúncia, ordenamento territorial, sensibilização são algumas das formas que devem ser usadas para o combate a criação dessas lixeiras que causam doenças e vários outros problemas para o meio ambiente”, rematou Osvaldo Iko.

O LIXO INFLUENCIA NAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Respondendo sobre o descarte e gestão inadequando do lixo e sua influência nas mudanças climáticas, os nossos entrevistados acreditam que o plástico marinho está ligado ao aquecimento global que liberta o efeito estufa e a queima de resíduos no geral liberta o dióxido de carbono e outros gases para o ar, e alguns resíduos libertam agentes tóxicos que para além do aquecimento global provocam poluição como tal uma vez jogado de qualquer maneira e fora do sistema de controlo tornam-se um perigo a meio ambiente.

O LIXO NÃO PODE SER USADO COM PRETEXTO PARA TAPAR COVAS NA RUA

Carlos Serra frisa quê não é viável recorrer ao lixo para tapamento de buracos na via pública porque para além de provocar a erosão, contaminação do solo, da água, isso seria uma solução paliativa, aparentemente eficaz e de curto prazo, pois é sabido que é necessário que se busque conjunto de soluções com impacto a médio e longo prazo que irão surgir, pois as lixeiras tem de se geridas a montante e não dessa maneira porque origina vários problemas provocando poluição, continuação do solos, ameaças a habitações e a vida, qualquer solução parte necessariamente da construção de um aterro controlado uma vez que estes também são combatidos.

“Nos temos que actuar na valorização do lixo, porque a pegada ecológica é cada vez maior, porquê todos dias procuramos onde colocar o lixo e vamos adiando internamente uma solução, e nunca mudamos e mudança passa necessariamente de dizermos não a essa abordagem e considerar sempre as funções de valorização como fundamentais”, explana Carlos.

Ambientalista da Livaningo acrescentou que não é viável recorrer a lixo para tapamento de buracos porquê tem de se pensar em como reaproveitar o lixo e não como deitar. “Por isso não se pode de alguma maneira encontrar no lixo uma solução para o tapamento de covas porque este pode ser reduzido significativamente pensando em um sistema sustentável ou gestão sustentável e não onde depositar”, disse.

“Como Livaningo aconselho as comunidades a separar e tratar adequadamente o lixo, acreditamos que se encerrem as lixeiras a céu aberto e comece-se a pensar em aterros ou mesmo separação deste para melhor gestão”, explicou Berta.

O Ambientalista Osvaldo Iko respondendo a nossa questão disse que nunca foi e nem será viável usar o lixo para tapar covas porque não há nenhuma engenharia nisso, pois quando a chuva caí puxa o mesmo e deixa um aspecto desolador nas ruas, isso porque o lixo espalha-se para todo lugar e causa muitos problemas, primeiro porque as valas não são feitas a manutenção adequada e geralmente quando chove as casas inundam exemplo claro de Chamanculo e Mafalala. Embora neste último bairro exista fecalismo a céu aberto, há uma tendência dos munícipes se comportarem diferente um do outro, pois isso é uma questão individual que agrega a percepção da magnitude do problema que é tido como assunto colectivo.

Iko acredita que o assunto é levado como problema do vizinho e o que está em causa é a falta de Educação, que as vezes não dá possibilidade de procurar alternativas sustentáveis baseadas numa engenharia, “o que acontece é que quando o lixo é escoado provoca erosão que acaba tornando um problema que gera mais e mais problemas”, refutou.

AS LIXEIRAS INFORMAIS NA ECONOMIA NACIONAL

O Ambientalista Carlos Serra revela que as lixeiras informais interferem negativamente no desenvolvimento económico, em primeiro lugar no turismo porque o turista quando chega a um determinado país não quer ver lixo e ninguém quer estar num lugar que não lhe deixa confortável.

Serra disse que todo turista gosta de lugares que cheiram bem, agradáveis, lugares que não tenham lixo na paisagem, “sendo que o turismo é um mercado de concorrência e ninguém vai querer regressar onde há lixo”, relata Serra.

Mais adiante a fonte conta que uma vez encontradas lixeiras junto a rios ou mesmo ao mar pode-se claramente concluir isto que influencia negativamente na imagem porque está a vista de todos e com isso “não teremos nenhum turismo e a economia vai cair”, lamenta o ambientalista.

 “Enquanto tivermos lixo nas margens das praias, teremos sempre implicações negativas a economia, portanto perdemos receitas e depois vai ser difícil gerir esse lixo e teremos problemas sérios. Em termos de logística, vai custar dinheiro remediar uma mal feito, mais vale prevenir do que remediar, matematicamente é melhor agir de forma preventiva para que amanhã não nos preocupemos em gerir fogueiras, exemplo claro é o incidente da lixeira de Hulene que vitimou vários cidadãos e causou estragos nas habitações, portanto temos que evitar que isso volte a acontecer a todo custo”, apela Serra.

Berta Membewane, da Livaningo questionada sobre o impacto que as lixeiras informais no Desenvolvimento económico, frisou que estas contribuem de algum modo para o desenvolvimento económico, desde o momento que existem pessoas que sobrevivem deste lixo “catadores/recolectores”, mas isso não justifica a criação de lixeiras uma vez que a inexistência das lixeiras informais vai comprometer o ganho das pessoas, mas tem outras formas destes terem um ganho não necessariamente no lixo, mas sim buscar este onde é produzido.

APESAR DA LEGISLAÇÃO QUE PENALIZA, CONTINUA-SE A CRIAÇÃO DE LIXEIRAS INFORMAIS

Questionado sobre a lei que penaliza a formação de lixeiras informais o Ambientalista Carlos Serra explicou que existe trâmites e legislação que penaliza todo aquele que joga lixo em sítio impróprio, mas na legislação moçambicana existe um regulamento para zona costeira, marinha, lacustre e fluvial.

Esse instrumento legal sanciona a criação de lixeiras informais na zona costeira, também existe uma legislação que seria aplicável aos factos enquanto estão, sendo que a mesma deveria ser melhorada, isso quer dizer que tem uma base legal para agir e que não está tudo no zero.

Berta Membewane da Livaningo disse que não existe uma lei específica que fala sobre as lixeiras informais mas algumas que já existem sustentam a penalização da criação de lixeiras como a lei do ambiente e Constituição da Republica.

“Existem muitas lei, por exemplo há horas para jogar lixo mais normalmente as pessoas jogam lixo de noite porque o município recolhe os contentores logo cedo, essas leis existem geralmente mais não combinam com a realidade, e também não operam porque não há fiscalização, não há política públicas adequadas para resolver esses casos, por isso há uma necessidade de intervir a nível da sociedade civil de modo a dar vida a essas leis que existem no papel.

Neste momento o maior problema é que não são conhecidas, divulgadas… não são postas a rigor, praticamente torna-se invisível, não há transparência, não há Informação, Educação, e falta de interesse, e tudo torna difícil porque não há fiscalização nem pessoas que façam essas leis funcionarem”, explicou Osvaldo Iko.

Os vários impactos ambientais decorrentes das diferentes formas de disposição de resíduos sólidos oferecem também riscos importantes à saúde humana. Sua disposição no solo, em lixeiras ou aterros, por exemplo, constitui uma importante fonte de exposição humana a várias substâncias tóxicas. As principais rotas de exposição a esses contaminantes são a dispersão do solo e do ar contaminado.

O impacto na saúde das pessoas vai além daqueles que sobrevivem diretamente do lixo. Alguns estudos buscaram analisar as repercussões para os trabalhadores do serviço de saneamento ambiental e limpeza.

Estudos têm indicado que áreas próximas a aterros apresentam níveis elevados de compostos orgânicos e metais pesados, e que populações residentes nas proximidades desses locais apresentam níveis elevados desses compostos no sangue.

Assim, esses depósitos de resíduos sólidos constituem potenciais fontes de exposição para populações, tendo sido relatado riscos acrescidos para diversos tipos de câncer, anomalias congênitas, baixo peso ao nascer, abortos e mortes neonatais nessas e em populações vizinhas a esses locais.

Em Moçambique, a gestão de resíduos continua desafiante para muitas cidades principalmente as tidas como capitais econômicas, como Nampula, Quelimane, Matola e Maputo, só para citar alguns exemplos.

Um estudo produzido pelo Banco Mundial, citado por feito pelo IESE em 2018, sugere que a urbanização acelerada em Moçambique seja a força motriz para a transformação estrutural da economia e para o desenvolvimento socioeconómico do País, com enfoque nas zonas urbanas. Por isso os níveis de produção do lixo também seguem os padrões da urbanização acelerada o que não acontece para os serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos.

A contratação de empresas de recolha primária pareciam medidas definitivas para eliminar o problema de lixeiras caseiras(covas), lixeiras informais(uso de muros de escolas e outras instituições ou casas alheias), mas tudo tende a se agudizar e o problema continua.

Só nas cidades de Maputo e Matola os exemplos de lixeiras informais fomentadas pelas autarquias começam a vislumbram-se, com a Matola a liderar neste assunto. No posto administrativo de Infulene nos bairros T-3, Ndlavela e Zona Verde a liderar no quesito. Das obras de construção de rodovias naquele posto administrativo havia uma cova grande que só em 2018 começou a ser tapada com desabamento de algumas casas ao redor com recurso ao lixo.

As bermas daquela cova que atualmente é uma lixeira formalizada, há residências, situação de poluição do meio e gravemente um risco a saúde pública que a Autarquia parece ignorar e com clara tendência de desculpas para tapamento daquele buraco.

 

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Perfil do Editor

Angélica Miranda Rodrigues João
Angélica Miranda, nome profissional e mais conhecido nos meandros do Jornalismo, é uma jovem moçambicana formada em Jornalismo e Comunicação pelo Instituto Técnico de Moçambique entre os anos 2016 e 2018.
Começa a escrever e fazer o jornalismo na prática a 08 de Janeiro de 2018 na rádio Voz Coop como Estagiária e segue para uma outra fase na colaboração com o Semanário Jornal Visão, escrevendo matérias de relevo relacionadas com Economia, Saúde, Gênero e Mulher. Enquanto isso, Angélica Miranda continuou na aprendizagem sobre Rádio e chega a produzir um programa sobre trânsito no qual privilegiou o contacto directo com os automobilistas colocando temas em debate semanais.
Da produção deste programa torna-se no princípio de 2019 Chefe de Redacção da Rádio Voz Coop onde passa a colaborar na produção de conteúdos radiofónicos virados para notícias, reportagens e programas diversos.
Atualmente é colabora invicta do Jornal Visão, semanário que virou febre aos olhos dos moçambicanos pois é produzido por uma equipa completamente e 100% jovem, inovadora e dinâmmica.

Angélica Miranda, nome profissional e mais conhecido nos meandros do Jornalismo, é uma jovem moçambicana formada em Jornalismo e Comunicação pelo Instituto Técnico de Moçambique entre os anos 2016 e 2018. Começa a escrever e fazer o jornalismo na prática a 08 de Janeiro de 2018 na rádio Voz Coop como Estagiária e segue para uma outra fase na colaboração com o Semanário Jornal Visão, escrevendo matérias de relevo relacionadas com Economia, Saúde, Gênero e Mulher. Enquanto isso, Angélica Miranda continuou na aprendizagem sobre Rádio e chega a produzir um programa sobre trânsito no qual privilegiou o contacto directo com os automobilistas colocando temas em debate semanais. Da produção deste programa torna-se no princípio de 2019 Chefe de Redacção da Rádio Voz Coop onde passa a colaborar na produção de conteúdos radiofónicos virados para notícias, reportagens e programas diversos. Atualmente é colabora invicta do Jornal Visão, semanário que virou febre aos olhos dos moçambicanos pois é produzido por uma equipa completamente e 100% jovem, inovadora e dinâmmica.

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