MAIS DE 2MIL ADOLESCENTES PERDERAM A VIDA VÍTIMAS DE HIV/SIDA NO PAÍS

MAIS DE 2MIL ADOLESCENTES PERDERAM A VIDA VÍTIMAS DE HIV/SIDA NO PAÍS

São no total 2.551 adolescentes que perderam a vida em 2017 vítimas de HIV/SIDA. Esta informação foi tornada pública nesta quarta-feira em Maputo (4) durante a reunião de mais de cem educadores para discutir assunto relacionado com saúde escolar. Está reunião tinha como objectivo avaliar a implementação de múltiplas intervenções realizadas dentro da escola para reduzir a prevalência de HIV nos adolescentes na faixa etária dos 10 aos 14 anos, e igualmente reter a rapariga na escola. Estas intervenções resultam do facto de que em Moçambique a partir dos 15 anos, a prevalência de HIV aumenta com maior incidência nas raparigas.

De acordo com dados estatísticos do sector de educação e Desenvolvimento Humano de 2019, Moçambique contou com 8.192.665 alunos, dos quais 3.951.562 de sexo feminino e 4.24.103 de sexo masculino no ensino público, comunitário e privado nos turnos diurnos e nocturnos. Destes alunos, 4.369,529 tinham idade de 10 a 19 anos, sendo 2.061.068 de sexo feminino e 2.308.461 de sexo masculino, os quais pela faixa etária precisam muito de reconhecimentos sobre saúde sexual e reprodutivo, incluindo a componente de prevenção de gravidez, das infecções de transmissão sexual e da infecção pelo HIV/SIDA.

Estes alunos estudavam em 14.024 escolas, algumas das quais localizadas muito distantes das unidades sanitárias, portanto com muitas dificuldades de aceder aos serviços de saúde. Em 2017 por causa da gravidez, doenças e ritos de iniciação o país registou infelizmente desistência de 13.376 alunos e outras 2.551 faleceram. Segundo a Directora Executiva da Fundação para o desenvolvimento da comunidade (FDC) Zélia Menete no sistema educativo, a saúde sexual e reprodutivo é abordada nas aulas de forma transversal em todas as disciplinas e fora das aulas, através de diferentes estratégias nomeadamente a educação de pares e de diversas manifestações artísticas como teatro, canto, dança, música e concursos.

Menete diz que estas actividades informativas, educativas e de sensibilização são complementares com a orientação para que os alunos adiram aos serviços de saúde amigáveis disponíveis nas unidades sanitárias, nas brigadas móveis de saúde e nas feiras de saúde e deles se beneficiam. “De acordo com o relatório final da fase 2 da Avaliação Nacional no Âmbito da Iniciativa Global ALL IN-2017, há um número reduzido de professores capacitados em matéria de saúde sexual e reprodutivo e prevenção do HIV e há falta de um sistema de monitoria e avaliação das actividades relacionadas com HIV/SIDA nas escolas porque não há instrumentos específicos sobre esta matéria”, contou a fonte.

Por sua vez, Adelino Xerinda, Director de Operações Programáticas de FDC referiu que este encontro é para fazer avaliação de um programa que tem estado a implementar desde 2018 que é baseada nas escolas, e segundo inquérito realizado pelo EMASIDA sobre saúde, os índices de sero-prevalência começam a subir quando as crianças começam a atingir uma idade de 15 anos, quando alcançam uma idade sexualmente activa e isto é fruto da má preparação durante a adolescência ou pré-adolescência.

Xerinda frisou que a FDC fez um trabalho de formação de professores nesta componente de HIV, no ano passado e formaram cerca de mil professores abrangidos no país e os formandos fizeram réplica ao nível das províncias, contudo neste momento pretende-se fazer a avaliação para ver o que correu bem ou mal para poder ver o que pode ser melhorado para este último ano de implementação, e para poder-se fazer com um pouco mais de afinco aumentar mais as metas que tem preconizado.

A fonte revela que a organização nos primeiros três anos têm uma meta de cerca de meio milhão de raparigas até finais de 2020 que deseja atingir e este momento estão aproximadamente nos 60%, e acredita que para além de alcançar poderão ultrapassar. “Sentimos que as mensagens estão a passar e está haver alguma mudança de comportamento, apesar de ser um processo porque não acontece de um dia para o outro, portanto precisa de muita insistência até notar se que a incidência do HIV numa certa população está a diminuir”, explanou a fonte.

Xerinda revela que para além da componente de formação sobre HIV, existe à componente de educação, da gestão menstrual da rapariga, porque uma das coisas que o MINEDH identificou é o facto de que durante o ciclo menstrual da rapariga estas não iam a escola. Para acabar com a problemática de faltas foi feita distribuição de um quit de higiene menstrual que de certa forma reduziu drasticamente as ausências das raparigas ao nível escolar, apontando está acção de sucesso porque a mesma mudou o cenário em que as estudantes no período menstrual não faziam educação física.

O Diretor explicou ainda que a partir dos 15 anos têm um índice elevado de crianças que já são mães, neste sentido tentam resgata-las e devolver à escola e depois criam condições para que elas tenham uma actividade de geração de rendas, pois vai permitir com que elas tenham opção de vida e não optem por um comportamento como raparigas trabalhadoras de sexo.

Por outra, Arlindo Folige, Chefe de departamento de Saúde escolar no Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) explanou que saúde escolar é uma área vasta, têm componente de saneamento do meio, de saúde sexual e reprodutiva, incluindo a prevenção do HIV/SIDA e cada uma delas têm as suas fraquezas e muitas das vezes é a questão da atitude dos utentes. Folige diz que a partir do momento em que o aluno entra na escola aos 6 anos há informações de forma faseada em função da faixa etária que é transmitida aos meninos, exemplo as crianças de 6 à 8 anos ensina-se a questão da sua própria higiene pessoal, do respeito pelos colegas e outras pessoas,  e assim vai crescendo e quando alcançar a fase do início da prática da relação sexual possa estar informada e preparada para poder exercer de forma saudável.

Uma avaliação de lacunas no sector de educação feita no Âmbito da Iniciativa ALLIN mostrou que não existem ferramentas de monitoria e avaliação de ensino abrangente da sexualidade incluindo a prevenção do HIV/SIDA/ITS. Embora este conste no currículo nacional de forma transversal, há lacunas em relação a professores treinados para abordar conteúdos sobre saúde sexual e reprodutiva nas salas de aula, falta de cantos de saúde escolar, funcionais nas escolas, poucos educadores de pares para apoiar escolas nestas matérias. Este quadro de situação gera um conjunto de evidências de adolescentes com fraco conhecimento sobre HIV/ITS saúde sexual e reprodutiva e, aos serviços mesmo quando estes serviços estão disponíveis existem barreiras na utilização e qualidade dos mesmos.

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