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Menino de 4 anos que teve seu órgão genital amputado tem esperança de vê-lo restaurado

Uma criança de apenas 4 anos, viu seus órgãos genitais amputados em 2020, e, passados pouco mais de dois anos, a mesma poderá ter os órgãos restaurados.

O caso de amputação de órgãos genitais de uma criança preocupa a Focus Fístula Moçambique, uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que intervém na saúde uro-ginecológica, com foco na prevenção e tratamento da Fístula Obstétrica e da Cirurgia Reconstrutiva, que denunciou este mal feito ao menor e pela impunidade dos envolvidos.

A criança, que está sob tratamento na Clínica Cruz Azul, foi sujeita a uma amputação completa dos órgãos genitais em Março de 2020 quando tinha quatro anos e só não aconteceu o pior porque teve uma assistência a tempo do pessoal médico no Hospital Provincial de Tete.

Segundo o Director Geral da organização, o cirurgião Igor Vaz, o caso é grave e a intervenção a que a criança está a ser submetida é delicada.

“Nós estamos ainda a fazer técnicas de reconstrução para aumentar a uretra e para criar um pequeno pénis para ele poder urinar de pé. Ele ainda vai ser submetido a quatro cirurgias. Quando chegar aos 18 anos vai precisar de uma nova cirurgia porque este pénis que nós criamos é de pele, mas não tem a mesma função que um pénis normal. Então aos 18 anos nós temos de criar um pénis e depois fazer uma prótese peniana. Portanto, ele até aos 30 – 40 anos vai sofrendo de cirurgias e vai ter de fazer controle e pelo menos até ao fim da vida dele vai ter de fazer injecção de testosterona”, disse o médico, apontando que para além de destruição dos órgãos, a amputação de órgãos deixa sequelas e traumas difíceis de superar na própria criança e na respectiva família.

“A criança está a reagir bem sob o ponto de vista físico, mas em termos psicológicos ele está altamente traumatizado. Ele tornou-se violento, bate na mãe, rebela-se com a mãe. Bate nos colegas e já chegou a agredir o professor. Ele está a aperceber que é diferente dos outros, está a aperceber que não tem pénis, não tem testículos”.

O médico está preocupado com o facto do vizinho que praticou o acto hediondo continuar impune e considera que isto tem reflexo no comportamento da família.

“A mãe e a criança estão a ter acompanhamento psicológico, mas o que preocupa é que o actor deste crime continua solto. Continua a não haver meios para prender esse indivíduo e nem capacidade da polícia para pretender o actor do crime. Então, resolver este problema sob o ponto de vista psicológico vai ser cada vez mais difícil”, diz o médico ao mesmo tempo que questiona o papel das instituições que velam pelo respeito pelos direitos humanos.

“Qual é o papel da sociedade civil nesta situação? Todas as nossas organizações dos direitos humanos, todas as organizações que salvaguardam os direitos humanos, como, por exemplo, a polícia, a justiça e todos os elementos devem ter uma actividade muito mais incidente sobre estas situações”.

O Director da Focus Fístula mostra com preocupação pelo facto de cada vez mais crianças estejam a ser amputadas e indica que a razão tem a ver com práticas obscurantistas.

“Nunca imaginei que por motivos de curandeirismo e feitiçaria se estivesse a amputar órgãos. Estes órgãos ficam completamente destruídos. Ao fim de três horas começam a se degradar e ao fim de seis horas estes órgãos ficam completamente inúteis. Então este tráfico de órgãos que está a se processar em Moçambique é só para efeitos de feitiçaria. É preciso que seja a comunidade e a sociedade civil a tratar destes assuntos e levantar mais alto a voz e dizer basta, não é possível continuar a viver neste ambiente”.

Por sua vez, a mãe da criança conta o drama vivido pela criança quando um vizinho que tinha a missão de a proteger simplesmente a violentou de forma mais cruel.

“Ele disse que o vizinho o levou para a mata e lhe atirou no chão. Depois tirou o atacador do sapato e lhe amarrou no pescoço e começou a forca. A criança disse que pediu socorro e pediu para ele lhe levar para a casa dos pais, mas ele disse que a criança nunca mais iria ver a mãe e nem o pai e disse que iria morrer. Pegou uma pedra, bateu na cabeça e a criança perdeu sentido. Disse que ‘quando acordei vi que meu pipito já não tinha, bichinhos comeram meu pipito mamã’. Eu disse para ele não foram bichinhos que comeram”.

A mãe visivelmente emocionada explica que a família estava à procura da criança nas esquadras e nas unidades sanitárias até que foram informadas que uma criança havia dado entrada no Hospital Provincial de Tete.

“Quando a pessoa que fez isto soube que encontramos a criança foi pedir emprestado dinheiro a uma vizinha e fugiu. Reportamos o caso à polícia, mas até hoje nunca houve nenhum desenvolvimento. As pessoas por vezes ligam a dizer que estão a ver ele num sítio, mas quando informamos a polícia dizem que não tem combustível. Já fomos para SERNIC mas também dizem que não tem meios. A família queria ir sozinho, mas algumas pessoas disseram que não podem ir, senão podem se ferir e até hoje só ficamos no silêncio e ele nunca mais foi encontrado. Às vezes dizem que está em Moatize em casa da irmã ou que foi levantar salário da irmã, mas nunca foi feito nada para lhe encontrar”.

E explica que chegou na clínica com ajuda de uma senhora que informou que na Clínica Cruz Azul podia ter acesso a tratamento gratuito através de um Programa de Cirurgia Reconstrutiva que engloba casos de distúrbio do desenvolvimento sexual e malformações congénitas, defeitos de nascença, casos de lesões genitais causadas por situações traumáticas como resultado de actos de violência financiado pela Embaixada da Irlanda. O tratamento fora do país pode custar mais de 6 milhões de meticais.

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