MULHERES JOVENS ENGAJAM-SE NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA BASEADA NO GÉNERO FACE A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS EM MOÇAMBIQUE | Jornal Visão

MULHERES JOVENS ENGAJAM-SE NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA BASEADA NO GÉNERO FACE A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS EM MOÇAMBIQUE

MULHERES JOVENS ENGAJAM-SE NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA BASEADA NO GÉNERO FACE A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS EM MOÇAMBIQUE

MULHERES JOVENS ENGAJAM-SE NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA BASEADA NO GÉNERO FACE A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS EM MOÇAMBIQUE – 

Face a pandemia do coronavírus que assola Moçambique e que a cada dia vai tendo contornos alarmantes, urge uma necessidade de todos extractos sociais buscarem formas de sobrevivência e ao mesmo tempo que lutarem para preservar os seus direitos humanos principalmente para os grupos vulneráveis como idosos, crianças e mulheres.

[su_members message=”Conteúdo para ASSINANTES. Por favor ASSINE PREMIUM SEMANAL e tenha acesso a toda notícia %login%.” color=”#0084cf” login_url=”https://jornalvisaomoz.com/produto/seja-assinante-para-ter-acesso-a-todas-noticias/”]Nesse âmbito, a REDE MULHERES JOVENS LÍDERES DE MOÇAMBIQUE, organizou na última semana, um debate online para discutir e reflectir sobre Papel da Sociedade diante da violência nos relacionamentos, sinais e saídas no contexto do confinamento devido a pandemia.

O evento enquadra-se na intensificação da disseminação de medidas preventivas contra a violência doméstica durante a pandemia. Estima-se que uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física e ou sexual, e nesta crise o número de casos aumentou.

Em Moçambique, os efeitos dos relacionamentos violentos e abusivos intensificam-se durante o confinamento neste período de Estado de Emergência.

Lucília de Fátima, Activista e Oficial de Mobilização Social da Rede de Mulheres Jovens Líderes, aponta que a sociedade não pode normalizar e ignorar situações de violência.

No entender da activista é dever da sociedade defender os direitos humanos, não só da mulher e rapariga, mas de todos.

”É necessário que tenhamos uma sociedade mais interventiva, que não permita actos de violência se perpetuarem”, disse Lucília.

Por outro lado Jana Dique, Psicóloga Clinica, relata que não é difícil identificar quando uma pessoa está viver num relacionamento violento e abusivo.

“Quando a pessoa vive num ambiente negativo na sua casa, facilmente transparece esse negativismo para as pessoas de fora, percebo que alguém com baixa auto estima não vê nada positivo ao seu redor e em ninguém”, aponta a Psicóloga.

Para Jana, o confinamento trás a tona o verdadeiro cenário que já existia nos relacionamentos antes do confinamento, “para prevenir-se da violência e relacionamento abusivo, Eu como pessoa, como mulher devo ser capaz de me respeitar, com isto quero dizer que existe um padrão do que devo aceitar e o que não devo aceitar, logo ao iniciar o relacionamento é importante que o casal dialogue e imponha regras e normas de convivência” explicou.

”Olhando para o nosso continente, a mulher é formatada e pré programada para viver agressões e considerar a situação de forma normal, por muitas vezes a mulher passa por uma situação de violência e não tem onde pedir apoio no seu ambiente social porque há quem responda, lar é assim mesmo minha filha, homem é bebé, você deve aguentar, você deve agradar o seu marido e garantir a paz e segurança no seu Lar, tudo isto implica na infelicidade e sofrimento desta mulher”, avançou a Psicóloga.

Jana defende ainda que o aconselhamento familiar e conjugal não deve ser apenas para mulheres, como tem acontecido e sim para ambos.

“Penso que há um trabalho árduo que deve partir de cada um de nós, criar-se palestras nas unidades sanitárias em conexão com psicólogos e conselheiros matrimoniais. São estas pessoas que deviam ser procuradas para estar nas cerimónias a título de exemplo, o Kulaya, apesar de ser uma cerimónia familiar, para garantir que não haja um lado a ser cobrado e outro a ser beneficiado”, recomenda JANA.

A Psicóloga avança que a questão de Dotes e Lobolo é tradicional, entretanto a sociedade deve começar a olhar esta situação numa outra vertente, começando pelos pais, ao invés de olhar para a filha como um grande presente para o homem como se fosse uma mercadoria a ser trocada.

”Inclusive tenho visto nas redes sociais que os valores do Lobolo têm sido avultados, de alguma forma acaba ficando natural e faz com que o homem pense que por ter pago muito caro por esta pessoa, lhe pertença e ele possa fazer e desfazer“, exemplifica a Psicóloga.

Na sua intervenção Sansão Nhamtumbo, seguidor da página do Facebook, Rede de Mulheres Jovens Líderes indica que o período de quarentena não é a causa da violência, serve apenas para remover o véu e mostrar o retrato preciso das relações de género na nossa sociedade.

“Como vemos, é um retrato bem defeituoso, é papel de todos nos engajarmos intensamente no processo de mudança social”, avança.

Outra ideia defendida por Sansão é que a VBG é um fenómeno multifacetado, “sempre que tentarmos combatê-lo numa única frente estaremos nos fadando ao fracasso. Precisamos atacar todas as facetas, envolvendo todos os actores sociais, desde instituições religiosas, conteúdos dos livros do sistema de ensino, famílias, comunidades, clubes de desportos, fábricas, a mídia e o governo”.

Gilberto Mário De Cristóvão, também seguidor da página do Facebook da Rede de Mulheres Jovens Líderes, relatou que no meio de tudo estão os hábitos culturais cujos valores são importantes.

”Existem tribos em que ignorar uma questão ou hábito cultural é grande ofensa aos espíritos e antepassados, e as mulheres e homens nascem, crescem e vivem apegados a esses hábitos, chegando a uma fase em que não se pode fazer nada, os poucos que poucas vezes parecem não ligar tanto para esses hábitos culturais são aqueles que durante a sua infância passaram por diversas culturas e ficam sem uma melhor opção“, esclarece e exemplificando Sansão.

Ednise Nassone, membro da Rede de mulheres Jovens Líderes, a sociedade deve redefinir a educação.

“Começamos mal quando criamos meninas para saberem cozinhar, limpar para um homem no futuro e não ensinamos rapazes a saberem fazer a mesma coisa porque terão sempre uma mulher para fazer isso, incutimos relações de poder ainda na infância” rematou Ednise.[/su_members]

 

 

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