Mulheres querem ser envolvidas nas negoviações de Paz em Moçambique | Jornal Visão

Mulheres querem ser envolvidas nas negoviações de Paz em Moçambique

Mulheres querem ser envolvidas nas negoviações de Paz em Moçambique

Mulheres querem ser envolvidas nas negoviações de Paz em Moçambique – Nos últimos anos, o papel das mulheres na prevenção e combate à violência extremista tem ganho relevância no cenário internacional moldando os discursos e as políticas de contra – terrorismo (CT). As mulheres são as mais afetadas pelo extremismo violento ,mas são igualmente, importante agentes dispostos a evitá-lo e a combatê-lo.

Moçambique, concretamente na província de Cabo Delgado, sofre uma onda de ataques violentos desde outubro de 2017, que põem em causa a segurança das comunidades locais, a estabilidade e a ordem pública da província e a soberania do estado. desde novembro de 2018, ataques esporádicos e surpreendentes ocorrem contra os próprios civis, comunidades locais, sem discriminação de mulheres e crianças. Grupos armados mataram quatro pessoas numa das principais estradas de Cabo Delgado, no sábado (02.11), dia em que as forcas de defesa abateram insurgentes em esconderijos naquela região. 300 pessoas já morreram, segundo números oficiais e da população, e 60.000 residentes foram afetados, muitos obrigados a deslocar-se para outros locais em busca de segurança, segundo a ONU.   

Segundo José Magode, Reitor da Universidade Joaquim Chissano, existe uma tendência de classificar a mulher como vitima ou cúmplice, ignorando muitas vezes o papel que elas têm como agentes de mudança, a luz destes factos ha uma urgência de se pensar em politicas que resolvam problemas intrasetoriais, esta cada vez mais evidente que o objetivo desta luta não pode ser simplesmente por término ao conflito, mas sim contribuir para a construção e manutenção, é nesta realidade que se deve pensar no papel da Mulher para a  promoção da paz.

Violeta Candeia, residente em Cabo Delgado, afirma que estam  numa situação complicada porque as crianças e as raparigas são as mais vulneráveis, algumas pessoas já não estão nestes distritos, acabaram se movimentando para as casas das famílias em Nampula.

Esta situação tem um impacto negativo, “temos situações em que os nossos maridos e filhos são catanados, a maioria acaba se juntando a esses mal feitores por falta de oportunidades, portanto a participação das mulheres no extremismo tem muita relação, se tiver um familiar ou esposo envolvido nesses atos terroristas“. Diz Violeta

A circulação é condicionada, “antes circulávamos a vontade, agora temos de esperar as forcas militares para poder acompanhar à nossa ida ao trabalho e outros lugares. Para ir ao centro de saúde, tenho de ficar à espera da brigada móvel para acompanhar-me porque ninguém està no Hospital para nos atender. Os alunos ficaram dispersos, e nesta época dos exames, não sabemos como fica esta situação, pois prejudicam o futuro dos alunos. Uma sociedade com Raparigas não escolarizadas, torna estas mesmas Raparigas vulneráveis“relata Violeta num grito de soccorro.

Para Violeta, estes ataques promovem também um elevado custo de vida, na altura o pescado tinha um preço mais alto, “a produção ficou afetada porque as nossas comunidades vivem de machamba, mas com estes ataques já não podem ir, vai criar uma situação de fome e afetará na economia, não só em Cabo Delgado, mas também a nível nacional“.

De acordo com Elisa Samuel, do Centro de Formação Jurídica afirma que há muitos fatores ambientais que precipitam as mulheres de participar de forma coerciva. nas organizações extremistas, as mulheres participam não como combatentes, mas como apoiantes. No Quênia descobriu-se que a participação das mulheres têm muita relação se tiver um familiar ou esposo envolvido no extremismo.  A Nigéria representa um dos casos de sucesso, do papel das mulheres no processo do combate ao extremismo.

Suzana Domingos, a outra vítima do Extremismo violento em Cabo Delgado, concretamente em Mocímboa da praia, relata que muitos perderam seus ente queridos e seus bens que o Governo está a apoiar em termos de alimentação, mas os alimentos não são suficientes para todos. No posto administrativo de Mbau, as pessoas voltaram para o posto Sede.

“A outra preocupação que temos é acerca dos malfeitores também aparecerem vestidos de militares e o povo já não conseguir  distinguir quem é militar e quem não é. Um dos mal feitores foi preso e depois absolvido, agora encontra-se  a residir em Nampula, pois já era uma ameaça para as comunidades“, disse Suzana.

Já a outra vitima Flávia Nicolau, residente em cabo Delgado, distrito de palma, explana que  os Al Chababi foram descobertos em Montepuez, tendo posteriormente avançado para palma, em 2017 criaram danos, eles só atacavam os homens, porque diziam  que querem acabar com os Homens de palma para poder dominar, mas o facto é que atualmente tem atacado também as mulheres. “Esses Homens que atacam não são de fora, são moçambicanos“ aponta Flavia.

De acordo com os populares de Cabo Delgado, há uma necessidade de se refletir que tipo de influência o Gás em Cabo Delgado pode ter entre o extremismo e violência das comunidades.

Para os populares as mulheres devem estar envolvidas na mediação da paz e apoiar as mulheres e raparigas encorajando-as a procurar caminhos para a sua auto defesa, bem como fornecer apoio psicológico e social a mulheres vitimas do extremismo e suas famílias.

Refira-se que em 2000, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a histórica Resolução 1325 sobre mulheres, paz e segurança. Ela exige a participação das mulheres na construção da paz, a proteção das violações dos direitos humanos, e a promoção do acesso à justiça e aos serviços para enfrentar a discriminação.

 

 

Ajude-nos a crescer. Sua ajuda conta muito para nó
1.167

×

Olá!

Envie sua notícia ou informação pelo WhatsApp, é seguro e sigiloso. Pode confiar ou envie-nos um e-mail para redaccao@jornalvisaomoz.com

× REPÓRTER É VOCÊ. ESCREVA-NOS AGORA!
%d bloggers like this: