NDLAVELA: MINEDH TEM FUNDOS PARA CONSTRUIR ESCOLA DE RAIZ, MAS NÃO TEM ESPAÇO

O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano diz ter o orçamento para a construção de uma escola de raiz no bairro de Ndlavela, no município da Matola, província de Maputo. Esta disponibilidade de fundos foi avançada pela Ministra da educação, Carmelita Namashulua, sem avançar o valor, a mesma afirma que o seu sector ainda não têm um espaço disponível para a construção desta infraestrutura de magnitude desejada, e pede ajuda a população.

O governo já tem solução, mas a solução passa pela participação activa de nossa comunidade aqui, nós não temos espaço para construirmos a escola ideal para a nossas crianças, por isso pais e encarregados, e as autoridades daqui ajudem-nos a encontrar um espaço maior para nós construirmos a escola que já foi projetada, já temos orçamento disponível”, disse a governante.

Além dos fundos disponíveis para tal, a Ministra avança que já existe uma equipe disponível para executar as obras de construção, o que tudo indica que até agora a falta de espaço está a empatar o arranque das atividades.

Falando aos pais e encarregados de educação na escola primária de Ndlavela, na cerimónia de entrega de nove (9) novas salas de aulas das quais 4 são provisórias, construídas de madeira e zinco, Carmelita Namashulua disse que o espaço pertencente a escola foi invadido pela comunidade não restando assim espaço para a construção das noventa e nove (99) salas de aulas para que o bairro possa ter a escola ideal. “Meus pais o espaço que nós temos aqui até já foi invadido pela comunidade, podemos ver a nossa escola temos entrâncias e reentrâncias aqui, quer dizer a comunidade acabou invadido o espaço da escola, nós já não temos espaço aqui para construir as noventa e nove salas de aulas necessárias para a escola ideal para nossas crianças”, disse a Namashulua.

Entretanto, alguns moradores refutam a acusação da invasão do espaço pertencente a escola, revelando que até o espaço onde foram construídas algumas das novas salas de aulas pertence a um morador que acabou oferecendo a escola. Perante a esta acusação, Jorge Macata, residente no mesmo bairro diz que não consta a realidade que a população tenha invadido a escola. “Ela não disse a verdade, talvez não saiba mas até onde as salas novas foram construídas pertencia a este senhor ali na frente das salas, ele deu o espaço de trás, então fica feio quando um dirigente fala coisas do tipo”, disse Macata.

Questionado sobre a possibilidade de se encontrar um espaço naquele bairro para a construção de uma escola a fonte respondeu: “Já quanto ao espaço que eles pedem para construir a escola não sei se irão conseguir, este é um bairro quase totalmente habitado, não acredito que ainda tenha espaço, também estamos em um momento que todos cidadãos lutam para ter espaço, é estranho que o governo é quem pede o espaço ao povo, enquanto deveria ser tudo ao contrário, se a terra dizem que pertence ao estado então eles devem ter espaço”, concluiu Macata.

A governante afirma que há bastante tempo que o sector da educação está a procura de um espaço para a construção da referida escola de raiz. Entretanto havia ate se colocado a hipótese de se fazer a construção na vertical segundo a Ministra, mas cientes da falta de espaço para a contratação de mais salas a sector da educação veio a público pedir a disponibilização de um espaço. “Nós queríamos aproveitar a ocasião para exortar a comunidade para encontrarmos o espaço ideal para construirmos a escola e em condições para nossas crianças, repito temos orçamento para uma construção de raiz porque esta escola não tem condições, podemos ate bater as paredes e repor os tetos mas o importante é que criemos condições para que as nossas crianças poderem estudar melhor”.

Namashulua assume que os professores naquela escola trabalham em situações extremamente difíceis por causa da exiguidade do espaço, onde cada professor de te lecionar em uma turma com uma média de 60 á 65 alunos por turma. “O nosso desafio é reduzir esse rácio que é muito maior, e não é possível um professor em 45 minutos concentrar-se a cada uma das crianças que tem sobre sua responsabilidade e cada criança tem sua capacidade de assimilação das matérias por isso vamos acelerar a localização de espaço para podermos construir o mais rápido possível a melhor escola com todas condições”, exortou a dirigente.

A falta de carteiras nesta escola é um problema reconhecido pela Ministra, a mesma avança que em toda a província de Maputo o sector necessita de Onze mil, trezentas e noventa carteiras duplas para que as crianças possam sair do chão, e deste número a escola de Ndlavela precisa de trezentas e cinquenta carteiras. De realçar que nesta escola estão matriculados Cinco mil trezentos, e quarenta e nove alunos, onde 12 turmas encontram-se a ter aulas ao ar livre, e no total de turmas ao ar livre existentes em toda província de Maputo o número é de Mil trezentas e noventa e oito. A escola em questão foi construída no ano de 1999 com a introdução da sexta classe em 2001 passou escola primária completa, a mesma funciona em regime de 4 turnos e com 24 salas de aulas, conta com 98 turmas das quais 93 do ensino primário e 5 de alfabetização e educação de adultos, possui 87 funcionários dos quais 56 são mulheres e os restantes homens.

Em outubro do ano de 2019 a escola teve um prejuízo após o desabamento de 8 salas de aulas. Segundo a directora desta instituição do ensino primário, Cláudia Maria o desabamento destas 8 salas contribuiu significativamente na redução do aproveitamento pedagógico na ordem de 9.9 por cento, tendo em conta que no ano de 2018 o aproveitamento foi de 96 por cento e no ano passado foi de 86 por cento.

Com a destruição de 8 salas teríamos no presente ano 24 turmas ao ar livre, contudo com a reposição das 4 salas provisórias resultantes da parceria do governo e a Oga-Construções o nosso número reduziu para 12 turmas. Temos como desafios a erradicação das turmas ao ar livre buscando mais parcerias para o efeito”, concluiu Cláudia M.

Por seu turno Edeyleusa Nelson, representante dos alunos desta escola diz que as novas salas de aulas irão contribuir bastante na qualidade de ensino, a mesma pede que o governo ajude a encontrar novos parceiros para aumentar o número de salas para os seus colegas que ainda estudam ao ar livre. “Pedimos que nos ajudem a encontrar novos parceiros para aumentar as salas de aulas para os outros alunos que ainda estudam ao ar livre pôs no inverno podem contrair doenças, nos dias de chuva e ventos fortes perdem aulas e também há facilidade de distração durante a aula com a passagem de pessoas ou algo que chame atenção em outra turma e, não é cômodo sentar no chão e muito menos para a boa conservação do material escolar”, disse a estudante.

O pedido da construção de uma escola de raiz e a reabilitação desta escola veio também do conselho de escola, e em representação dos pais e encarregados de educação, Pedro Machava apresentou o pedido da extensão das classes até a décima classe, defendendo-se na perspectiva da extensão do bairro que tem 83 mil habitantes. Outra preocupação do conselho de escola está ligada a falta de guarda na escola e de auxiliar de limpeza, entretanto o guarda que antes trabalhava naquele local está sem salário desde o mês de outubro. “ Estamos a dever o senhor Domingos desde Outubro, e ele recebe mal está aqui todos os dias não tem descanso porque está sozinho, a senhora da limpeza também, as casas de banhos das crianças para uma única pessoa e o pátio também”, revelou o representante.

Pedro Machava termino a sua explanação denunciando a degradação avançada das salas de aulas de aulas. “Todas estas salas de Ndlavela vertem, se chover agora os professores irão dançar marrabenta”, concluiu a fonte. Machava avança em outro desenvolvimento que, se a direcção não contratar novos guardas a possibilidade de danificação das janelas é eminente, sendo esta uma preocupação urgente para a resolução.

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