Nós, mulheres moçambicanas, temos medo do presente e reservas em relação ao futuro! | Jornal Visão

Nós, mulheres moçambicanas, temos medo do presente e reservas em relação ao futuro!

Nós, mulheres moçambicanas, temos medo do presente e reservas em relação ao futuro!

As celebrações do dia da Juventude tiveram como epicentro o distrito de Marracuene, onde a Secretária de Estado para a Província de Maputo, Vitória Diogo, afirmou que aquele distrito tem tudo para desenvolver e que a juventude é a força motriz. Uma situação atípica que se vive no país e que apoquenta a juventude tem a ver com guerras, sequestros, e raptos que ao olhar dos jovens o governo está calado.

O movimento Mulheres Jovens Líderes lançou uma mensagem alusivo a esta data e aponta no eu escrito que “Nós, mulheres moçambicanas, temos medo do presente e reservas em relação ao futuro!”

A frase que começa o documento partilhado por este semanário, chama atenção a juventude mas muito ao governo para que olhe a situação política e social do país onde os sequestros, assassinatos e privação das liberdades parecem algo normais, colocando em risco as gerações vindouras.

“Este ano assinala-se o dia da Juventude num período atípico em que o anormal se reconfigura numa tensão através da qual a luta pelos direitos humanos é reduzida, por algumas correntes extremistas, em lutas de homens contra mulheres e de pessoas contra infra-humanos. Um ambiente no qual negligencia-se o cenário de disciplina militar/policial com relações de poder tão desiguais que não raras vezes resulta em punições severas contra desacatos à autoridade ao invés de às leis”, Lê-se no documento.

Para as activistas as perguntas não terminam e exemplificam dizendo “Como celebrar a juventude quando Fátima com apenas 15 anos continua raptada desde 2018 por insurgentes em Cabo Delgado agora em lugar incerto? Como celebrar a juventude quando Maria, em Morrumbala, foi engravidada pelo enfermeiro que tinha o dever de a proteger e preparar como activista na prevenção de uniões prematuras? Como celebrar a juventude quando em Maputo as nossas irmãs vêem os seus produtos expropriados de forma desumana sem qualquer reintegração em nome da requalificação da cidade? Como celebrar a juventude quando muitas de nossas irmãs em campos de reassentamento e de refúgio têm acesso condicionado a donativos em troca de sexo? Como celebrar a juventude quando os nossos jovens vêem as suas terras expropriadas em nome da exploração de recursos minerais que raramente beneficiam às comunidades locais? Como celebrar a juventude quando nossos irmãos aderem a incursões terroristas por falta de alternativas económicas mesmo tendo o rubí, a madeira, o carvão e o gás saqueados à sua vista?

Que tipo de sociedade quer ser quando normalizamos tanta gravidez em centros de instrução que nos devem formar para a vida? Se limitará a responsabilidade do instrutor em ministrar conteúdos formais sem o respeito à ética e à disciplina devida ao Estado?

As perguntas são infinitas colocadas por estas mulheres que têm medo de continuar numa sociedade onde se pode fazer tudo de mal e menos de bom. No seu entender o silêncio do governo e das instituições públicas mostra desinteresse pela juventude que vê nos dirigentes o alicerce para a resolução dos eus problemas.

O Documento que o Jornal Visão teve acesso aponta situações de Morrumbala, onde um técnico de saúde engravidou uma rapariga e não foi sancionado, da Matola, onde militares que violaram o maior de todos os direitos, o direito a vida, em nome da COVID-19 e a impunidade aos polícias que balearam mortalmente o jovem James Aníbal, da região

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