O empreendedorismo como forma de promover o empoderamento feminino

O empreendedorismo como forma de promover o empoderamento feminino

O empoderamento feminino tem ganho um maior espaço em Moçambique e no Mundo nos últimos tempos. Há anos as mulheres têm sido consideradas o sexo frágil e que precisa de protecção.

POR: CELINA NDEVE

Apesar do termo ‘empoderamento feminino’ ser muito difundido actualmente na media, principalmente nas redes sociais, a maioria das mulheres ainda vive sob um regime de discriminação e muitos dos seus direitos lhes são negados devido ao seu género. Muitas mulheres em Moçambique e a nível mundial, têm sido vítimas da violência baseada no género, sofrendo vários outros tipos de violência, como por exemplo, violência doméstica, violação sexual, assédio sexual, etc.

Agora, fala-se de igualdade do género, um conceito que está interligado ao empoderamento feminino, pois, o principal objectivo é acabar com as desigualdades existentes na sociedade no que diz respeito ao género e promover o empoderamento da mulher, como forma de garantir que as mesmas possam ter um maior espaço na sociedade e participar das decisões do País.

Uma das formas adoptadas pelas mulheres para promover o empoderamento feminino tem sido a prática do empreendedorismo.

Ilda Domingos Sitoe tem 36 anos de idade, vive com o seu marido e sua filha na Província de Maputo. Vende produtos como peixe, pedaços, fígado, patinhas, tomate, cebola, cenoura, alho, refresco, entre outros. Iniciou o seu negocio há 15 anos atrás, quando tinha 21 anos de idade.

Antes da Covid-19 conseguia vender por dia 3000 a 4000 meticais, o que não acontece actualmente, pois, só consegue 1500 a 2000 meticais por dia.

Com o valor da venda consegue ajudar nas despesas de casa e também na construção da sua casa. O que a motivou a entrar no mundo dos negócios foi a vontade de querer dar o melhor para a sua família.

Ilda já ouviu falar acerca do empoderamento feminino mas não sabe ao certo o que significa. Segundo a mesma, espera alcançar os seus objectivos e poder concretizar os seus sonhos futuramente.

‘’No futuro almejo ser uma pequena empresaria, ter e abrir muitas mercearias. O meu sonho é crescer financeiramente cada vez mais’’, afirmou Ilda.

De acordo com Ilda as mulheres devem tentar se ocupar e encontrar uma forma de ganhar dinheiro honestamente.

‘’O meu conselho para as mulheres que ficam em casa sem fazer nada é: mulheres, vamos procurar alguma coisa para fazer pois a vida está cada vez mais difícil, nãos adianta ficar a se lamentar, temos de fazer algo para melhorar essa situação. Mesmo com pouco valor podemos iniciar e vender alguma coisa ou então optar por ser mesmo que seja empregada doméstica, pois Deus ajuda quem cedo madruga.’’ Disse Ilda.

Rita Lúcia, tem 21 anos de idade, vive em Laulane, na Cidade de Maputo com o seu marido e os irmãos do mesmo. É uma mulher empreendedora que dedica-se a venda de cosméticos e roupas femininas.

Iniciou o seu negócio em Agosto de 2019 e, recentemente, participa de uma formação de activistas; a qual iniciou em Abril do corrente ano. Se não fosse activista e empreendedora, seria uma professora, pois, gosta de partilhar o conhecimento com outras pessoas.

Rita reconhece a importância de desenvolver o seu próprio negócio e lutar pelos seus sonhos e tem aconselhado as outras mulheres a fazerem o mesmo.

‘’Aconselho as outras mulheres que não estão a fazer nada agora para fazer, nem que seja para vender tomate.’’, Afirmou Rita.

Assim como algumas mulheres, Rita é a favor do empoderamento feminino e vê o mesmo como uma forma de permitir que as mulheres passem a ter domínio sobre suas próprias vidas e sejam capazes de tomar decisões sobre o que lhes diz respeito.

‘’Para mim empoderamento feminino é uma forma que foi criada para delegar poder as mulheres, no local do trabalho, na comunidade, os espaços de debates e mesmo em casa’’. Disse Rita.

A sua maior motivação para entrar no mundo dos negócios foi e continua sendo a sua família, principalmente sua tia. Uma das dificuldades que continua enfrentando até agora no negócio é de ter clientes fixos.

Mesmo com dificuldades, nunca desiste e já conseguiu motivar a maioria dos seus clientes a aderirem ao negócio.

Agora, com a Covid-19, a demanda pelos seus produtos tem diminuído, pois o corona vírus gerou desemprego no País, o que fez com que a maioria dos seus clientes parasse de comprar os seus produtos.

‘’Antes as vendas eram excelentes, não parava em casa, mas, agora não tem sido fácil vender com a Covid-19, pois, a maioria dos meus clientes está sem emprego, daí que fica difícil as vendas serem positivas nesse tempo.’’ Afirmou Rita.

Como activista, Rita acredita que pode ajudar a sociedade e ao mesmo tempo ajudar principalmente as mulheres que ainda não tem nenhum conhecimento acerca do empoderamento feminino fazendo campanhas publicitarias, ou reuniões onde explicaria a todas mulheres que também podem ganhar o mesmo salário que o homem, trabalhar no mesmo sector sem discriminação, elas também podem decidir em debates, a opinião delas também é valida, podem ter sua própria empresa, ser donas de grandes impérios, sem discriminação. Pretende se formar na área de planeamento familiar, pois, é a área que mais domina. O seu maior sonho é ser uma empreendedora conhecida em toda parte do mundo.

As discussões sobre empoderamento feminino cumprem um papel importante na sociedade: o de despertar as mulheres. Uma mulher empoderada é capaz de transformar a realidade, pois, ela acredita no poder que tem e persegue os seus sonhos, mesmo com barreiras.

Para muitas mulheres, empreender tem sido a única opção diante da taxa de desemprego que tem aumentado nos últimos tempos, e elas vê no empreendedorismo um meio para que as mesmas busquem a sua independência e possam ter uma renda, poder sustentar a família e realizar os seus sonhos.

Ilda e Rita são um exemplo de mulheres que tem lutado para promover o empoderamento feminino, e são a prova de que com forca e determinação é possível atingir a igualdade de género e o empoderamento feminino, e principalmente, que todos podemos seguir e alcançar os nossos sonhos, é só querer e ir atrás.

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Propriedade de Edições do Jornal Visão, Registado na República de Moçambique em Dezembro de 2016 no Gabinete de Informação, Instituição de Tutela sobre o sector da comunicações e radiodifusão com procedimentos dos ministérios da Justiça, Interior, Comércio e Indústria e dos Transportes e Comunicações. Publicações Semanais por PDF e diárias através do Website www.jornalvisaomoz.com. Notícias de Moçambique e do mundo na hora certa, com factos e argumentos fiáveis e credíveis.

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