O primado da ética política no discurso de João Lourenço

O primado da ética política no discurso de João Lourenço

E assim foi (…)

Com ecos rebuscados das “lavandarias” sociais e as emoções á flor da pele que de forma estridente, a ciência procura analisar como se constroem os discursos de angolanos de boa têmpera que procuram contribuir, de algum modo, para o alertar de consciências sobre o real significado e problemas que precisam ser esclarecidos, nos musseques e bairros, hoje transformados em cidades.

Proferir um discurso sobre o Estado da Nação nesta cerimónia solene de abertura do Ano Parlamentar da Assembleia Nacional é um privilégio e um dever que o Presidente da República cumpre, nos termos da Constituição da República.

Os últimos dez anos foram marcados por diferentes eventos excepcionais, os dividendos da paz recolhidos por cidadãos “privilegiados” que assumiram a forma de um controlo cerrado sobre uma população exausta e faminta. Angola está em viragem, passando pela sociologia política da arena internacional sob olhar dos oligarcas angolanos que já não habitam o mundo da economia global de luxo.

Jõao Lourenço proferiu um discurso centrado na ética e confrontado com objecções que se dirigem, por um lado, às abordagens deontológicas de uma maneira geral e, por outro, à tentativa particular de se explicar o ponto de vista moral a partir de pressupostos comunicativos universais de argumentação.

Irei aqui recuperar algumas dessas argumentações e debatê-las de uma forma metacrítica, para assim esclarecer através de um método assistemático e fazer referência aos assuntos tratados que de forma natural associam à relação entre a razão teórica e prática.

No seu discurso, o Presidente João Lourenço destacou, entre vários assuntos, a questão das eleições autárquicas, tendo reafirmado o seu compromisso com a sua realização.

A sua tese firmou também as afinidades e diferenças entre a validade da verdade e a vaidade moral, onde dei-me o cuidado de ouvir a alocução sobre o combate à corrupção e a promessa de continuar a prestar particular atenção à consolidação do Estado Democrático de Direito, sendo, para tal, fundamental a acção dos organismos de justiça.

O Presidente da República foi categórico ao afirmar que continuará a prestar a devida atenção ao combate à Covid-19, mas vai privilegiar a questão da diversificação da economia e aumento da produção.

A ética do discurso de João Lourenço traz algumas relações entre a racionalidade e a moralidade, bem como a prioridade do Justo sobre o Bom.

Nas _Origens da Ordem Política de Francis Fukuyama (2015) existem dois grandes tipos de Estado. Naqueles descritos de acordo com o sociólogo Max Weber como patrimoniais e o moderno. Com a reforma do Estado que se vive hoje em Angola, os angolanos ainda se debatem com o dilema de como pesar os lados negativo e positivo do antigo governo do país: sobretudo, o dilema de como equilibrar os benefícios económicos e os crimes de corrupção e peculato. O discurso do Presidente demostra os passos sólidos que estão a ser dados para que Angola transite do Estado patrimonial para o moderno. Os comentários à ética mostram-nos que a relação entre tradição e modernidade constitutiva do conceito de consciência moral pós-convencional e o desafio colocado pela ética do meio ambiente à concepção antropocêntrica.

Observei, nas palavras do Presidente João Lourenço – o discurso – pensado continua sustentado em discussões sobre as já consagradas práticas discursivas, mas também suscita novas reflexões sobre práticas discursivas, ou melhor, materialidades discursivas mais recentes.

Ao apresentar o percurso trilhado pelo próprio Presidente e o seu governo, analisei como ele próprio concebia o objecto discurso como constitutivamente heterogêneo, apontando para outras materialidades, outros corpora que poderiam servir de objecto de análise para os analistas de discurso.

É preciso pontuar, a partir dessas considerações, que todo o funcionamento, o movimento desse discurso é atravessado pela prática da escrita que, como vimos, assume uma outra dimensão na vida em sociedade.

Assim, para produzir o necessário efeito de fecho desse artigo, reitero as seguintes palavras “sabemos que o futuro vai ser difícil e a luta vai durar ainda algum tempo. Mas também conhecemos o nosso inimigo”. Foi por isso que afirmei no princípio que, João Lourenço proferiu um discurso acentuado na ética – as ideias mais correctas, as análises mais precisas, mais realistas, impõem-se pela sua força.

Já era hora de ter uma nova Angola e começar a quebrar os espelhos.

Que nós, estudiosos de política, continuemos a quebrar os espelhos das nossas práticas, meios e objectivos, não nos tornando cegos em relação à história, nem surdos em relação à língua, trilhando assim o caminho deixado aberto para uma Nova Angola.

Por: Edgar Leandro (Angola, Luanda)

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