Perseguida por militares e Polícia Municipal: família Abucar vive na pobreza e clama por apoio

Perseguida por militares e Polícia Municipal: família Abucar vive na pobreza e clama por apoio

No Município da Matola, bairro de Boquisso-B, no quarteirão 07 é onde encontra-se a residir a família Abucar. Uma família que vive na extrema pobreza e enfrenta várias dificuldades desde alimentar, de habitação assim como perseguição por militares afectos ao quartel de Boquisso. E na busca por sustentabilidade, a mesma família desenvolve actividade comercial mas tem também sofrido perseguições por parte da polícia municipal da cidade de Maputo.

Sónia Alberto Abucar, cidadã de 40 anos de idade é a responsável pela família. Com 4 filhos abandonados pelo pai, Sónia enfrenta varias dificuldades na vida. Segundo soube o Jornal Visão a mesma encontra-se a residir em Boquisso desde 2018, mas está sendo expulsa do local onde afixou a sua residência feita de material precário.

Sónia Abucar é uma das afectadas pelo conflito de terra entre os militares e a população. A sua residência é feita de caniço e por várias vezes foi invadida por militares. Os militares fazem ameaças a família, e uma das vezes chegaram a prender a proprietária da residência e mantiveram-lhe em cativeiro no quartel como fora de intimida-la. De realçar que a residência desta família já foi destruída por militares, e sem onde dormir os vizinhos ajudaram a mesma a reconstruir usando mesmo material.

Antes vivia no Patrice em uma casa de aluguer, e meus filhos vendiam plásticos e eu conseguia trabalhar, e depois não tinha mais como poder pagar aluguer, e então passei para aqui em 2018. Consegui fazer este quarto, mas estamos a ser tirados deste local. Fiz da primeira vez vieram soldados destruíram e tive que fazer de novo. Depois que reconstruiu a casa, os militares vieram levar-me para o quartel e chegado lá obrigaram-me a abandonar o local. Eu disse não tinha onde como sair, não tenho onde ir e eles obrigavam a sair apenas”, avançou Sónia Abucar.

Perseguida por militares e Polícia Municipal: família Abucar vive na pobreza e clama por apoio
Sónia Abucar e 03 dos seus 05 filhos (JV/2020)

A nossa equipe de reportagem teve também conhecimento de que esta família recebeu um espaço no mesmo bairro para construir nova residência. Entretanto, por não ter condições para tal, a família da Sónia continua no local em disputa com militares. A estrutura do bairro, na pessoa da Chefe das 10 casas confirma que a família ainda não tem como abandonar o local devido a condição financeira e social da mesma.

A chefe das 10 casas, Isabel Carlos repudia a forma como os militares tem conduzido o processo. A mesma avança que a estrutura local não tem influência sobre o processo e não tem nada a fazer para ajudar a família. A chefe de 10 casas pede ainda apoio em material de construção para que a família possa erguer nova residência e para ter ser intimidada pelas Forças de Defesa de Moçambique.

Esta família sofre bastante, a sua maneira de viver não é das boas. Eles sofrem intimidações e perseguições de militares, eles sempre vem informar-me como responsável na comunidade as não tenho o que fazer. Tentamos ajudar a família mais não é fácil, os militares fazem e desfazem”, disse Isabel Carlos.

Por sua vez o chefe do quarteirão, Armando Vicente Benhane revelou que a família irá continuar no quarteirão no espaço parcelado pelo Conselho Municipal da Matola junto do Ministério da Defesa. A fonte diz ainda que não são várias famílias abrangidas pelo conflito de terra com os militares, e que as mesmas já receberam novos espaços parcelados. Armando afirma que a estrutura local esta ciente de que as famílias não tem como abandonar o local em disputa tão já, e que agora estão a tentar procurar material para tal.

Sónia Abucar afirma que, a vida que leva com seus filhos não tem sido fácil. Há dias que a família dorme sem jantar segundo contou-nos a responsável. A fonte vende Bolos no mercado de Zimpeto para poder sustentar a família, e sua filha de 21 anos tem também desenvolvido uma actividade comercial no mesmo mercado. O valor proveniente da venda não chega para sustentar a família e por várias vezes são arrancados os produtos pela polícia Municipal.

Não é fácil, há dias que dormimos sem jantar. Não ganho muito do que vende no mercado do Zimpeto. Só tento ganhar um pouco para conseguir não ficar sem comer nada, as vezes a polícia Municipal leva-nos os produtos e ficamos sem nada. Quem ajuda-me nas despesas da casa é minha filha, o pai dos meus filhos me abandonou e não me ajuda com as crianças”, disse Sónia.

Dânia Ricardo, a filha que ajuda a mãe além de vender é estudante e está a repetir a 12 classe. A mesma disse sentiu-se obrigada a trocar de turno para na escola, passando para o curso nocturno para que durante o dia possa desenvolver uma actividade para ajudar a família. Dânia tinha sua barraca no mercado Zimpeto, mas com a reestruturação do mesmo neste período de coronavírus ela perdeu o local. Actualmente vende na rua, sofrendo perseguições da polícia.

 “Quando perdi a barraca as coisas ficaram mais difíceis, as vezes chegam polícias e levam meus produtos, as vezes volto sem nada. Quando consigo vender um pouco compro carvão e caril para trazer aqui em casa. Mas ultimamente devido ao coronavírus e a polícia volto sem nada para dar meus irmãos de comer. Jantamos com bolos que minha mãe volta com eles quando não consegue vender”, disse Dânia Ricardo.

Dânia revelou-nos que trocou de turno quando estava na 10ª classe por ver a dificuldade que a família estava a passar. A fonte durante o dia vai ao mercado e de noite a escola. A mesma deseja ter um emprego para poder apoiar mais na renda da casa.

Importa referenciar que, no passado sábado (10) a família recebeu ajuda em produtos alimentares oferecidos pelo “PROJECTO ALIMENTANDO ESPERANÇA”. Na ocasião o coordenador deste projecto revelou que o mesmo nasceu em meados de Abril com objectivo de responder a pandemia em especificamente as famílias vulneráveis.

Já realizamos varias actividades de distribuição de alimentos, mas está é a primeira a ter a honra de receber todo o projecto com sua equipe na sua residência. As outras campanhas que temos realizado são divididas em diversos bairros onde para cada bairro é destacado cada grupo de voluntários”, avançou o Coordenador, Xavier Nhaule.

Está iniciativa foi concebida para as cidades de Maputo e Matola, a mesma já abrangiu mais de 200 famílias em situação extrema de vulnerabilidade. As famílias além de receberem produtos alimentares não perecíveis receberam também produtos de limpeza e higienização, segundo a informação do coordenador.

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Xavier Nhaule-Coordenador do Projecto Alimentando Esperança (JV/2020)

O projecto nasceu no âmbito da pandemia mas também serve como uma escola para os jovens. Queremos incutir esse espírito de solidariedade na juventude. O projecto é aberto para todo o mundo, todo aquele que se interessar e comungue dos ideais é bem-vindo, não é restrito. Dai que nós ao ajudar ao próximo acabamos aprendendo, e é nosso objectivo educar essa camada juvenil a ajudar um ao outro”, defendeu Nhaule.

Xavier Nhaule afirma que além das campanhas de sensibilização para a prevenção do coronavírus, o grupo tenta ajudar para que os impactos da covid-19 possam sobe cair na vida nas famílias mais vulneráveis da comunidade. Questionado sobre os destinos do projecto caso passe a situação da pandemia, tendo em conta que o mesmo surgiu para responder a situação, o coordenador do projecto afirmou que o mesmo irá continuar.

O projecto não irá parar, nós acabamos aprendendo através da pandemia mas vimos que a solidariedade está mais daquilo que é a pandemia. Nos identificamos com a causa e achamos que acima de tudo as pessoas já vinham enfrentando várias dificuldades, muito antes da pandemia. Mas com a pandemia está situação acabou se agravando e, mas durante as nossas actividades e nossos estudos acabamos fomos verificando que o número das pessoas necessitadas é maior. E queremos continuar a contribuir e ajudar estás família, também a solidariedade é infinita, vamos continuar ate onde Deus possa nos guiar”, explicou a fonte.

Perseguida por militares e Polícia Municipal: família Abucar vive na pobreza e clama por apoio

Importa referenciar que, os produtos que o PROJECTO ALIMENTANDO ESPERANÇA tem doados as famílias advém de uma contribuição de pessoas de boa vontade, integrantes do grupo e da comunidade em geral que identifica-se pela causa. A iniciativa conta com dois posto de recolha de produtos, estes pontos encontra-se na terminal de transporte no bairro C-700, no Município da Matola e o outro na avenida Angola, na paragem barracas na cidade de Maputo.

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Editor-chefe do Jornal Visão. Iniciou com a sua carreira Jornalística na Imprensa escrita em 2016 no Jornal Times of Mozambique. Conta com um prémio Jornalístico, 2º lugar do (Prémio Jornalístico sobre Cooperativismo Moderno - 2019 na categoria de Imprensa Escrita, organizado pela AMPCM. Já passou por vários jornais nacionais e trabalhou também como correspondente internacional. Nádio Taimo é também Apresentador e Produtor de programas de Rádio, Redactor Publicitário e Escritor. Já ganhou um Prêmio "Poeta Revelação 2015". Contribui para o desenvolvimento das Comunidades de baixa renda como um agente Cívico, activista de Direitos Humanos, formado em liderança cívica pela Unisa Graduate School of Bussiness LeaderShip-SBL Alumni através do Yali na África do Sul. Conta com outras formações como Acção Social, Empreendedorismo e Negócios, Técnico Médio de Comunicação e Multimédia, entre outras. ~ Nasceu a 06 de Novembro de 1995 na província de Maputo - Cidade da Matola - Moçambique, local onde fixou sua residência atual. É comprometido com seu trabalho e família.

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