PROJECTO RENASCER EM KaTEMBE É UMA FANTOCHADA

O Conselho Municipal de Maputo anunciou está semana, o lançamento de um projecto denominado “Renascer”, o mesmo será implementado no bairro Incassane, no Distrito Municipal KaTembe. O Renascer consistirá na construção de um total de 100 casas do tipo zero em um espaço de 15x30m para jovens residentes no Município da capital do País.

Entretanto, esta iniciativa advém da necessidade de desenvolver-se programas de disponibilização de terra infraestruturada ou outros programas viáveis de Habitação condigna para os jovens da capital do país. Há necessidade de referenciar que, o mesmo projecto é a materialização do Plano de Desenvolvimento Municipal 2019-2023. O memorando de entendimento para a concessão deste projecto foi assinado pelo Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Éneas Comiche, e pelo Presidente do Fundo para o Fomento de Habitação, Armindo José Munguambe.

Porém depois da divulgação desta iniciativa, vários jovens criticaram severamente o “Renascer”, apelidando o projecto de Fantochada. Segundo as declarações da camada juvenil, este projecto não têm pernas para andar, e que o mesmo está condenado ao fracasso.  Estás constatações devem-se aos custos de aquisição das propriedades, onde os beneficiários deverão deveram pagar mensalmente um valor de 2.782,36 Meticais durante um período de 20 anos. O que a edilidade chamou de “Custos controlados”, durante o período estabelecido para o pagamento, no final custará aos proprietários um valor total de 667. 766,4 Meticais.

Portanto, partindo do princípio de que a terra não está a venda, a juventude afirma que não vê os porquês de pagar mais de seis centos mil meticais em uma casa do tipo zero. Estes defendem que os custos de aquisição deveriam estar mais acessíveis, olhando para o tipo de infraestrutura que será erguida pelo fornecedor do serviço de habitação. Nesta senda, os jovens questionam a qualidade da obra, desconfiando de princípio que as casas não serão de alta qualidade, uma má reputação que o país leva no seu histórico, se comparado com outros projectos similares.

O governo deveria parar de tentar burlar-nos com este tipo de projectos, os custos são altos de mais para o tipo de casa. Não podemos pagar uma casa Tipo zero com mais de seiscentos mil meticais, é absurdo. Eles devem dizer para quem são as casas, porque para jovens não são, ninguém deveria parar por uma casinha tipo capoeira, não justiça o valor cobrado”, afirma José Macate, cidadão de 36 anos de idade.

O nosso entrevistado vai mais longe alertando aos jovens a serem mais atentos e a fazer as contas como deve ser. Macata diz ainda os que aderirem ao projecto será pelos moldes de pagamento mensal, que parecem acessíveis mas que irá o custar caro no final, e descobrirão tarde que investiram em uma casa muito pequena a muito dinheiro.

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Por seu turno, Atalia Azarias defende que a edilidade deveriam distribuir espaços e deixar a juventude construir ao seu gosto. A jovem de 28 anos de idade contou-nos que ela e o seu parceiro adquiriram um espaço no valor de 160 meticais no bairro santa Isabel, e que iniciaram uma obra para casa, e que se tivessem o valor exigido no projecto Renascer iria fazer uma grande casa. “O que realmente os jovens precisam agora é terreno, não um projecto caro destes. Deveriam distribuir terrenos e deixarem cada um construir a casa dos sonhos”, disse Atalia.

Nos entrevistados pela nossa equipe de reportagem alguns foram mais longe nas suas intervenções, afirmando que o projecto foi concebido para fracassar logo de princípio, para que depois as casas sejam distribuídas a um único grupo de pessoas privilegiadas como os jovens da Organização da juventude Moçambicana (OJM), braço juvenil do partido no poder.

Elaboraram este projecto para fracassar ainda no início, e mesmo assim as casas serão construídas. Depois do fracasso esperado irão fazer o que sempre fizeram, distribuir os jovens da OJM. É chegado o momento parar com esse tipo de coisas, se é que querem ajudar todos jovens. Este será um projecto fracassado como tantos outros que diziam que eram para os jovens. Isto é roubo e mais nada, não é para jovens”, disse, Daniel Mendes.

Até quem foi mais explicativo na sua explanação. Lara Sitoe, uma cidadã de 31 anos também acredita que o projecto não será de muito sucesso. A fonte explica que o tipo de casa não se adequa ao preço, tendo em conta também o período de pagamento. Está afirma que nesse período de 20 anos a família do jovem que irá adquirir a casa irá aumentar, e haverá necessidade de se ampliar a casa.

“Por exemplo se eu comprar a casa, em 10 anos apenas minha família não irá caber neste tipo de cas. Serei obrigada a contratar um pedreiro para acrescentar o espaço da casa, heide gastar mais, ao mesmo tempo a continuar a pagar. Não faz sentido, com o valor total pode-se fazer algo melhor, não pensaram bem nesta iniciativa”, disse Lara.

Fora a questão do preço de aquisição e tipo de casa, os jovens afirmam que os critérios de acesso das casas deveriam ser revistos. Estes defendem a necessidade de olhar-se também para a maioria jovem que não está em um emprego formal, mas sim que vive de pequenos negócios. Segundo apurou o Jornal Visão, os jovens sem emprego deveriam ser os primeiros a serem incluídos na planificação deste tipo de projecto de acordo com os pronunciamentos da juventude. A camada acredita que, os jovens com trabalho formal muita das vezes tem condições para fazer próprio e que têm mais oportunidades mesmo de financiamento do tipo empréstimo bancário. Oportunidades estás que os do trabalho informal não têm, é por este e outros motivos que deveriam ser os primeiros privilegiados na planificação.

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Entretanto na ocasião do lançamento da iniciativa, Éneas Comiche afirmou que o Plano de Desenvolvimento Municipal de visa concretamente implementar o projecto primeira casa jovem, com a alocação de talhões infraestruturados, com planta tipo em cada parcelamento realizado para jovens e a mobilização de parceiros públicos e privados ou instituições financeiras para a viabilização de projectos acessíveis e de financiamento da habitação para os jovens a custos controlados. Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração do FFH, Armindo José Munguambe, disse que se prevê investir até final do projecto cerca de 70 milhões de meticais, de forma faseada, sendo que o primeiro lote será de 30 casas, com prazo de execução estimada de 6 a 8 meses.

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