EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS, CHAVE PARA GERAR UMA CONSCIÊNCIA FUTURA DUMA JUVENTUDE PREOCUPADA COM QUESTÕES AMBIENTAIS

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS, CHAVE PARA GERAR UMA CONSCIÊNCIA FUTURA DUMA JUVENTUDE PREOCUPADA COM QUESTÕES AMBIENTAIS

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS, CHAVE PARA GERAR UMA CONSCIÊNCIA FUTURA DUMA JUVENTUDE PREOCUPADA COM QUESTÕES AMBIENTAIS – A Cooperativa de Educação Ambiental Repensar criou em 2017 e lançou no mesmo ano na Escola Primaria 3 de Fevereiro o Projecto Escola Ecológica, um projecto piloto que em 2018 começou a trabalhar sob o lema “Semente para o Futuro”, uma iniciativa que está a ser implementada em Sete Escolas Primárias sendo uma na Matola e seis na cidade de Maputo.

No projecto em alusão estão envolvidas mais de 10.500 crianças, 14 educadores ambientais dos quais dividem-se em dois para cada escola em parceria com AMAIA.

AMAIA, é um projecto tem como objectivo a responsabilidade social, trabalhando assuntos ligados com meio ambiente, saúde pública, água, saneamento, higiene, alimentação, nutrição saudável e resiliência climática.

A Repensar como um organizado tem três grandes áreas de educação ambiental sendo que uma delas é virada a escolas, Educação Ambiental não formal que é virada a sociedade toda e a Desperdiço Zero que é a busca incansável de soluções para todos os resíduos que para além de olhar como lixo devem ser vistos numa perspectiva de economia circular que tem valor e utilidade pois gera oportunidades de negócios e serve para fazer alguma coisa.

Numa entrevista exclusiva e concedida ao Jornal Visão, o Ambientalista Carlos Serra foi explica que a Educação ambiental nas escolas é a chave para gerar uma consciência futura duma juventude preocupada com questões ambientais que pensa em fazer diferença. “É importante investir nas crianças do ensino primário porque se não, nos próximos anos teremos muitas lacunas, uma vez que está inclusa em alguns cursos, mas isso não é suficiente, porque na realidade e no dia-a-dia as escolas vivem com problemas e dificuldades, sendo que a educação em si precisa de ser melhora e restruturada”, explica o ambientalista.

Carlos Serra avança que com essas restrições e limitações na educação, o ambiente acaba sendo confinado em alguns livros escolares como Ciências Naturais, e algumas aulas práticas de Ofícios que acabam tendo um contacto e ficam na consciência que alguns resíduos podem ser transformados em coisas interessantes. Para Serra, isto ainda é uma visão fragmentada, pois as escolas não funcionam de forma ambientalmente correcta e esses momentos são feitos quando existe algum parceiro ou mesmo em alguma data festiva. “Não existe um programa de primeiro ao último dia sobre ambiente, por isso a Repensar implementou o Projecto Escola Ecológica que visa fazer a diferença, colocando nas escolas educadores ambientais que não são pagos pela escola e não constituem nenhum custo para as mesmas. Estes seguem um plano que vai melhorando de ano em ano que não só inclui aspectos sobre ambiente mas é alargado porque engloba o cumprimento dos objetivos desenvolvimento sustentável aprovados pelas das Nações Unidas”, disse o ambientalista.

A Cooperativa REPENSAR não só está preocupada com o ambiente, mas com a saúde das crianças, água, saneamento, higiene, alimentação e nutrição saudável pois no seu entender as crianças estão a comer muito mal, mesmo no contexto urbano está a se comer muito mal, e “há comer o que não se devia comer e a beber coisas que não deviam ser consumida nessa idade, mas também as condições climáticas são outra maior preocupação. “O comportamento tende a ser cada vez mais de adaptação e sabemos como reagir na aproximação de um fenômeno, sem deixar de fora aspectos ligados a segurança e a paz. É um trabalho diário, é um extra para a escola e uma mais valia, e que, para além desses projectos, foram criados clubes ambientais em 2018 que funcionam com uma sede e estão permanentemente abertos existindo sempre um grupo que frequenta um curso, que são os membros das mesmas escolas e este participa e dinamiza atividades fora da escola.” revelou Carlos Serra.

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O ambientalista avançou também que os educadores estão sempre apostos para ocupar as crianças durante as horas vagas, durante o intervalo e a ideia é passar mensagens de educação ambiental, este é um programa de médio e longo prazo e não é para este ser largado, mesmo com dificuldades financeiras porque ainda há parcerias que não viram a importância desse trabalho. O interlocutor frisa o imperativo de manter essa cultura nas escolas pois, o programa também tende a formar profissionalmente estudantes finalistas ou recém-licenciados. “É uma grande valia para a formação desses e alguns a receber estágios profissionais que acaba sendo uma lição para eles e por fim recebem certificados”, repisa Serra.

Questionado se o projecto Escola Ecológica vai ser expandido para outras províncias, o Ambientalista afirma que se houver financiamento será expandida a iniciativa pois, “até agora Repensar está em conversa com o Governo para ver se as ideias e o subsídio desse programa não poderão ser replicadas e em que medida se pode levar essa experiência para o Sistema Nacional de Educação-SNE com regras e normas muito simples para tornar cada escola em um espelho na matéria de educação ambiental, pois a escola tem de ser um lugar limpo, as crianças devem estar doutrinadas, consciencializadas que lixo no chão não, lixo fora não, lixo não é no chão, lixo não é lixo é um recurso”, refere.

Ainda na explanação o Ambientalista explica que diferente dos outros anos, o projecto iniciou este 2020 sem parceiros confirmados, mas nem com isso parou de trabalhar. “Começamos uma aventura assumindo riscos e acreditando que a qualquer momento um parceiro poderá ver a importância desse e se juntará a nós. Em 2018 tivemos a empresa CDM, em 2019 o programa WIFET que faz a gestão de fundos da Suécia e que o mesmo terminou e para este ainda por confirmação duma empresa que vai cumprir as necessidades duma única escola e não das sete mas nós assumimos o risco, pois este projecto é tão importante que avançamos com os educadores, porque ficar parado não faz sentido,” esclarece Serra.

LIXO JOGADO NAS PRIAS DA CIDADE DE MAPUTO: PLÁSTICO CONTINUA UM DOS MAIORES PROBLEMAS AMBIENTAIS NO PAÍS

Um material que foi criado para salvar vida dos animais, hoje é responsável pela morte de mais de 100 mil espécies marinhas a cada ano. O plástico um material que foi desenvolvido no fim do século XIX para substituir produtos feitos a partir do marfim dos elefantes, em que naquela época era feito com celulose, e posteriormente passou a ser desenvolvido com base a petróleo, para barateá-lo e garantir mais qualidade e durabilidade, é o inimigo do meio ambiente.

Desde então impulsionado pela indústria de embalagens, o uso do plástico cresceu de forma exponencial. Estima-se que a produção em 2050 chegue a 33 bilhões de toneladas, e no mesmo ano haverá mais plástico que o peixe nos oceanos.

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Estima-se todos os anos que cerca de 8 a 13 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos, mais de 40% deste, produzido durante o ano foi usado uma vez antes de descarte, apenas 9% foi reciclado, menos de um quinto da produção foi reaproveitada, e, entre as matérias encontradas nos oceanos estão canudos, sacolas plásticas, rede de pescas, bitucas de cigarro, tampinhas e as garrafas plásticas são produzidas um milhão por minuto.

Carlos Serra diz que das praias de Maputo não conhece a quantidade de plástico recolhida durante as campanhas e um exemplo claro é que no dia Mundial da Limpeza foram recolhidas toneladas exuberantes de lixo que receberam muitas acções de monitorias de avaliação e verificou-se que tem muito plástico. “É importante dizer que dentro destas quantidades, que chamamos nome aos Bois temos muito plástico. No entanto o plástico está aumentar, as embalagens estão ai de tudo e mais alguma coisa, os níveis de reciclagem, a valorização permanece baixa”, disse Serra.

No entender de Serra, apesar por exemplo as embalagens de água, refrigerante, as garrafas pet que tem alguma saída, o resto é tudo plástico e este está em todo lado, desde o plástiquinho de amendoim, o gelinho doce, o próprio saco plástico que continua em grandes quantidades apesar da legislação em vigor desde 2015 ter sido aprovada.

O Ambientalista frisa que o vidro não fica de trás, este está a circular de forma exagerada, em outras palavras está a se beber muito em Moçambique. Nas monitorias e avaliações feitas pode-se verificar garrafas de vidro de, todo tipo e todos tamanhos nos espaços públicos em quantidades muito elevadas, algo mau pois, algumas praias são impróprias porque não tem segurança principalmente a da Costa do Sol, sem esquecer que a periculosidade estende-se nos bairros. “Uma garrafa partida, um pneu de carro fura-se, uma criança correndo descalça pisa e corta-se, o vidro é também a maior preocupação da Repensar”, esclarece Serra.

“O balanço do ano 2019 é positivo. Como organização apreendemos muito, principalmente sobre a poluição plástica e hoje estamos mais consciente da gravidade, das causas das fontes e das consequências daquilo que é a poluição plástica, especialmente em Grande-Maputo e com isso estamos a propor algumas recomendações, pois é fundamental o país avançar para o banimento duma parte dos artigos de um só uso do plástico, e não é só o saco plástico e um pouco mais de tudo, é necessário atacar isto porque o assunto é sério e numa primeira linha é de saúde pública”, explana.

Para os dois primeiro meses de 2020 a Repensar esteve a trabalhar na contribuição da nova postura de praias com o Conselho Municipal, esta que ao ser implementada vai revolucionar a Costa de Maputo. “Esta é uma postura que outros Municípios devem implementar pois é necessário valorizar a praia, este que é o cartão de visita para a vila e a cidade costeira, mas também é fundamental para a resiliência nas mudanças climáticas e no bem estar dos munícipes”, avança o Ambientalista.

“A praia tem de ser assumida e actualmente estão desprovidas de tudo, quando alguém vai à praia está entregue, cheia de lixo, falta de gestão, falta de policiamento, qualidade ambiental, monitoria, falta de tudo, um o outro assunto é a conclusão da pesquisa sobre poluição plástica em que tivemos a oportunidade de partilhar os Estudos com o Príncipe da Noruega que visitou as escolas que se beneficiam desse projecto Escola Ecológica e pôde verificar e ser brindado com algumas obras feitas por crianças” relata.

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Serra disse ainda que para 2020, para Repensar tem de ser o ano de consolidação da Escola Ecológica, também a colaboração do plano com o Ministério da Terra e Ambiente, para apoiar o governo naquilo que são as estratégias de educação ambiental nacional para todas escolas, “mas também é um ano que devemos reforçar abordagem Zero S desperdiço zero. Portanto, trabalhamos muito o vidro no ano 2019, fizemos a retoma de vidro na praia da Costa do Sol através do programa Praia Zero com apoio do Porto de Maputo, Conselho Municipal, Repensar e Município, mas agora gostaria imenso de avançar para o plástico pet, as latas de alumínio para ter alguma sustentabilidade, gerando empregos e oportunidades nas cadeias de valor e também como projecto abraçado pela CDM, CMM que vai ter o epicentro a Mafalala sobre educação ambiental, desperdício zero, conservação de espaços públicos envolvendo mais os educadores ambientais”, aponta Serra.

Para o Ambientalista tudo isso, implica também uma unidade de retoma e processamento primário de plástico, vidro e, até de latas, mas o desafio grande é de estender essa campanha para a sociedade e a ideia é realmente contaminar toda a sociedade que “Lixo no chão não”.

É VISTO QUE O COMPORTAMENTO DOS BANHISTAS NAS PRAIAS EM MAPUTO VEM PIORANDO…É IMPERIOSO COLOCAR-SE UM HORÁRIO PARA A ESTADA DESTES NAQUELE ESPAÇO?

O Ambientalista responde que a partir do momento em que há uma gestão presente nas praias, há também uma necessidade de se colocar o horário, mas para isso essas devem ter uma gestão presente, não exatamente um portão, mas em muitos países para o acesso deve se usar um portão, mas Moçambique não é assim, são completamente livres.

“Desde o momento que as praias estejam condicionadas, não é que estejam privatizada pelo contrário estão condicionadas ou seja tem um contrato com o Município e um operador e isso facilita bastante porque torna a organização uma realidade. A gestão de praia e autoridade, são regras que estão na postura e passariam a ser respeitadas e se essa diz vidro na praia não, não  pode entrar vidro, e se essa diz fora dos espaços indicados para o consumo  de alimentos e bebidas não pode haver nada disso, não mesmo, e se também diz onde tem bandeira vermelha ninguém pode ir a água, é não. Explica e avança que se esta postura chegar a vias de facto e estabelecer um horário para a estada na praia assim será e deve ser “porque não se pode aceitar que as 17h alguém ainda esteja a ir à praia e a mesma esteve no bairro ou algures a beber, acabam causando acidentes na via pública e quando chega a praia já é noite, nesse momento não se pode fazer uma gestão, com isso registamos afogamentos, assédios sexuais, violações, pancadaria e ninguém está a essa hora para velar pela segurança”, defende a ideia Serra

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