FOME É A CAUSA DA VIOLAÇÃO DO ESTADO DE EMERGÊNCIA

FOME É A CAUSA DA VIOLAÇÃO DO ESTADO DE EMERGÊNCIA

“Assim é difícil cumprir com as medidas de Prevenção”- defende o político, Natércio Lopes.   

O Chefe do Departamento de formação de quadros do Partido Independente de Moçambique-PIMO, Natércio Lopes em entrevista ao Jornal Visão nesta semana, classificou negativamente o cumprimento das medidas de prevenção e contenção da pandemia de coronavírus no país estabelecidas pelo governo no Estado de Emergência. O político afirma que, não estão sendo cumpridas as medidas por todos os grupos sociais, deste a população em geral ate aos membros do governo do dia.

Natércio diz que, é possível encontrar locais de aglomeração em perdido de distanciamento social em igrejas, supermercados e até a própria polícia que têm aglomerado pessoas nas suas incursões de fiscalização e fazer cumprir com as medidas estabelecidas pelo executivo. “A análise que faço sobre o cumprimento das medidas estabelecidas no Estado de Emergência é negativa. Não está a se cumprir com as medidas mencionadas no decreto presidencial, ainda há aglomeração nos supermercados, na via pública, igrejas que continuam com suas actividades na clandestinidade, reunindo as pessoas em cultos. Temos também aglomerações através do Ministério da Educação por causa de assuntos das fichas que aglomeram pessoas na aquisição, festas clandestinas. E até temos a própria policia que aglomera as pessoas nas suas actividades de fiscalização”, avança o entrevistado.

 

Entretanto, quanto as aglomerações promovidas pela Polícia da República de Moçambique, o Político afirma que os agentes são os primeiros a violar as normas. Além de fiscalizar e garantir a ordem e segurança, estes são apontados por fazer detenções de cidadãos que são colocados em mesmo local sem se observar as medidas de distanciamento e as questões de higienização.

A polícia deve proteger o povo, mas a polícia viola as normas, prende, anda a balear e a agride cidadãos por não terem mascaras. Parem de bater nas pessoas por falta de mascaras, porque mascara não cura Covid-19. Qual é a lei que a polícia esta a usar, devem trabalhar em benefício do povo, respeitar os seus direitos e seus deveres. A polícia deve para de cometer crimes, deve sensibilizar as pessoas, exorta a fonte.

O nosso entrevistado vai mais longe ao afirmar a actuação dos agentes é de raiva para cidadãos inocentes. Entretanto, Lopes acredita que a raiva esteja ligada a questões de remuneração dos profissionais da lei e ordem.

“Se a polícia tem problemas de salários o povo não é culpado, o povo paga imposto. Eles não precisam deixar a raiva no povo, que conversem com seus superiores não precisa machucar o povo, quem não aumentou salário deles não é o povo, é o governo e seus deputados, que se vinguem lá e deixem o povo em paz”, diz o político.

Natércio Lopes critica severamente o comportamento das autoridades governamentais, em particular a polícia que deteve mais de 50 menores de idade na província de Nampula. A fonte afirma ser um exagero por parte da corporação violar os direitos destas crianças. De realçar que, as crianças foram privados dos seus direitos por varias horas sob custodia policial, e foram expostas a situações de possíveis contaminações, pois os petizes estivem aglomerados em uma esquadra naquela província.

Nos sabemos o que a carta Africana o que diz sobre as crianças é triste que um governo têm um Ministério da Justiça e tribunais ainda aqui a assistir a liberdade a ser retirada as crianças. No lugar de privar estas crianças dos seus direitos, estariam a sensibilizar, ou levar as crianças as suas casas para conversar com seus pais, e não prende-las”, disse a fonte.

Este exorta as autoridades policiais para usar todos meios disponíveis para resolver problemas, mas nunca deter menores de idade em circunstância desconhecidas ou pela emoção de fazer cumprir as medidas de prevenção do Coronavírus.

O governo gasta combustível, e os carros que a polícia têm não é para só levar prisioneiros, poder ir ate a casa do fulano informar ao pai que o seu filho está fora do quintal, o que está a acontecer. Pedir para que os pais controlem seus filhos pacificamente sem guerra, este é um trabalho da polícia também, é uma vergonha o que aconteceu em Nampula, são 150 pessoas acumuladas em um único lugar, uma coisa é comício outra é sensibilizar as crianças a ficarem em casa. A polícia deve despir-se de agendas políticas ou separar-se e servir o Estado”, defende o Chefe do Departamento de formação de quadros do PIMO.

De lembrar que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou uma série de notas de políticas para destacar o impacto da COVID-19 sobre as crianças em Moçambique. A primeira nota, acompanhada por uma ficha de dados, discute as principais áreas de preocupação com o bem-estar das crianças a curto, médio e longo prazo, caso não sejam tomadas as medidas certas. Isto inclui os riscos de cair na pobreza ou de agravamento da pobreza, bem como sérios retrocessos nos resultados do desenvolvimento das crianças, especialmente as mais vulneráveis.

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Porém, ao que diz respeito as motivações por de trás do não cumprimento das medidas estabelecidas, Natércio Lopes defende que a fome é a principal causa. Na opinião do político o povo não cumpre as medidas por que não tem nada para comer e sai as ruas para buscar dinheiro.

A fome é o principal elemento que leva com que se desobedeça o Estado de Emergência. Ninguém vai respeitar o Estado de Emergência com fome, ninguém vai trancar-se dentro de casa com fome. O povo viola o decreto por este motivo, o povo têm várias despesas a costear, têm serviços públicos que devem pagar ter acesso, como água, energia entre outros. O povo não têm comida e nem nada, por isso sai para vender o seu amendoim torado, bananas e outros produtos para ganhar o pão do seu dia-a-dia. Assim é impossível cumprir com as medidas do Estado de Emergência nestas condições”, justificou Natércio Lopes.

Destruição de infraestruturas – Oportunismo dos Governantes em meio a crise

O Jovem político reagiu também a cerca da destruição de infraestruturas, na sua maior parte estabelecimentos comercias, actividade está levada a cabo pelas edilidades de Maputo cidade e Matola, e pelo governo distrital de Maracuene. Natércio Lopes afirma que é puro oportunismo dos governantes aproveitarem-se das medidas de isolamento social para destruir estes estabelecimentos. Ao Jornal Visão a fonte defendeu que este é um meio pelo qual estes dirigentes usaram para fugir as responsabilidades de indeminização ou compensação pela destruição. Este lamenta o facto de se mandar os cidadãos ficarem em casa em quanto por outro lado são destruídos seus estabelecimentos que são também as suas fontes de rendimento.

É de lamentar a postura dos nossos líderes, quer de Maputo, Matola ate de Maracuene, vimos o administrador de Maracuene a destruir casas a dias em pleno o Estado de Emergência onde o decreto obriga a população a ficar em casa. Vimos os próprios líderes a virem destruir os tetos onde a própria população estava escondida, e Maputo e Matola estão também a destruir as bancas. O nosso povo sobrevive das bancas, das vendas diárias e dessas pequenas “banquinhas” espalhadas pelas bermas das estradas, queremos transformar as nossas ruas ou vilas em uma cidade tudo bem, mas temos que respeitar a lei de reassentamento”, defendeu Lopes.

O nosso entrevistado vai mais fundo defendendo a necessidade de sempre se negociar as questões da retirada dos comerciantes ate se chegar a um consenso entre ambas as partes. Mas neste caso apenas os cidadãos proprietários destes estabelecimentos é que saíram a prejudicado em um momento de crise financeira.

Teve-se criar um espaço no sentido de os comerciantes não saírem a perder. Se o Município não conseguiu garantir a sua indeminização ou dar um outro espaço para esse vendedor que sua banca foi destruída é a vida da família deste cidadão que está sendo colocada em risco. É o pão de cada dia que esta sendo posta em risco, são contas de vários serviços fornecidos pelo próprio Estado que não serão pagos, o governo também sairá a perder. É uma desgraça, voltamos mais uma vez a uma pobreza absoluta”, diz o político.

Entretanto, este recorda que três líderes responsáveis pela destruição das infraestruturas que, estes devem servir ao povo, melhorando suas condições de vida. Em nenhum momento os governantes devem estar contra a vida do seu povo, devem ser a solução dos problemas que apoquentam o cidadão e não mais um problema na vida destes, assegura Natércio Lopes.

Não é chegou e montou a maquina logo está a destruir as bancas, onde e como estas pessoas irão viver, como irão se alimentar, se a sua maquina que trazia o pão em casa foi destruída. Vamos criar bandidos e drogados, tudo por falta de políticas concretas que o governo deveria implementar. Estamos perante um governo que não sabe fazer um estudo ou uma análise, o nosso governo não têm uma equipe técnica para fazer estudo de como serão as consequências. É chegado a hora de termos um governo que possa ter soluções para os problemas do povo”, alerta o entrevistado.

 De realçar que, o político diz que o seu movimento político tem as soluções para resolver a problemática da fome que têm sido um dos grandes motivos dos problemas vividos no país. Este recordou que o PIMO têm um projecto de produção de alimentos aprovado internacionalmente e que com possíveis financiadores mas que depende do comprometimento do governo, na participação da implementação do mesmo. Enquanto o governo recusar-se a ser um dos parceiros de implementação o projecto ficará arquivado, e nesse longo tempo de espera, Lopes diz que o governo tem tentado plagiar o projecto do seu partido sem sucesso. Importa referir que, este defende que a agenda do país agora é desenvolvimento e a independência económica.

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