Mesmo com regalias bilionárias nacionais Ossufo Momade vive num hotel

Mesmo com regalias bilionárias nacionais Ossufo Momade vive num hotel

Mesmo com regalias bilionárias nacionais Ossufo Momade vive num hotelA justificação: a segurança do líder da RENAMO. Politólogo questiona o facto incomum e alerta que, “nas relações internacionais, não há almoços de graça”. Onde fica o estatuto do segundo líder mais votado?

Um artigo noticioso tornado público pela DW no princípo do mês em curso(03.03.2020), refere que o líder do maior partido da oposição em Moçambique, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), reside num estância turística desde a assinatura dos acordos de paz de agosto de 2019. Segundo aquele órgão de comunicação social, Ossufo Momade saiu da serra da Gorongosa, para onde foi residir após a morte de Afonso Dhlakama, em maio de 2018, e foi para o hotel.

A DW cita José Manteigas, porta-voz da RENAMO que confirma: “Ele vive numa estância turística aqui na cidade de Maputo.”

As contas de Ossufo Momade nessa estância são pagas pela comunidade internacional. Contudo, José Manteigas garante que não foi escolha de Momade viver em tais circunstâncias.

“Isto resulta das negociações com a mediação da comunidade internacional. Por uma questão de segurança do próprio presidente, as partes das negociações decidiram que devia ficar numa estância hoteleira até que se criem condições de habitação com a devida segurança”, esclarece o porta-voz.

“Não há almoços de graça”

Embora o facto esteja ligado ao processo de paz, dossier de interesse nacional, nunca foi revelado publicamente, o que faz aumentar as suspeições. E levanta questionamentos, sobretudo porque o líder da RENAMO tem o direito a usufruir das regalias previstas pelo estatuto de segundo líder mais votado, entre elas uma residência oficial.

O politólogo Calton Cadeado levanta outros: “O que causa estranheza é quem está pagar e porquê. Qual é a contrapartida a esse pagamento? Isso é o mais importante de se questionar, quando se sabe que, nas relações internacionais, não há almoços de graça.”

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Segurança: Medo da FRELIMO ou de Nhongo?

Ainda sobre a questão da segurança, a principal justificação da RENAMO para acomodar Ossufo Momade na estância turística, o partido lembra um atentado contra o falecido líder do partido, cuja autoria foi atribuída à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o partido que governa.

“Se lembra muito bem o que aconteceu com Afonso Dhlakama, que foi cercado na sua própria residência na cidade da Beira, no dia 9 de outubro de 2016. Portanto, foi assinado o acordo de paz, mas não é que as pessoas estejam tranquilas”, sublinha Manteigas.

Contudo, o politólogo Calton Cadeado desvaloriza a justificação, afirmando que “esse argumento de falta de segurança é um bode expiatório, um argumento mais fácil para fugir à essência” da questão.

Cadeado entende que Momade “fala em risco de segurança hoje, [no entanto,] o risco não é tanto de uma ameaça que vem do Estado, mas da própria RENAMO, porque ele sabe que está sob ameaça de morte a partir de Gorongosa. Então, é um problema que se tem de questionar. A única forma de resolverem o problema de segurança é eles se entenderem. Mas é isso que ele não quer, não quer falar com Nhongo”, o líder da autoproclamada “Junta Militar” da RENAMO.

Aumento das fragilidades na RENAMO

Uma das causas que determinou o fracionamento do partido foram justamente as vantagens materiais que supostamente Ossufo Momade quereria usufruir na qualidade de líder da oposição e do partido no poder, na visão dos descontentes. Esta ala lembra que Dhlakama abdicou de tais confortos em nome de uma causa nacional na Gorongosa.

A atual vida de Ossufo Momade poderá contribuir para intensificar estas clivagens internas? Calton Cadeado diz que sim.

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“Uma das coisas é intensificar a fragilidade do entusiasmo em seguir um projeto RENAMO, tanto mais que hoje não vemos na RENAMO um discurso de causa. Há um discurso mais de reclamação, e depois aparece uma causa democrática. Então, fragiliza o discurso e legitimidade da RENAMO em discutir projetos. Dois, isto pode fragilizar também a já frágil legitimidade do próprio Ossufo Momade, porque, em função disso, há muita comparação entre Ossufo Momade e Afonso Dhlakama”, aponta o politólogo.

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