Só a partir de 2023 Nampula poderá ter um aterro sanitário

A Província de Nampula no norte de Moçambique é a mais populosa com cerca de 6 milhões de habitantes. Esta província produz anualmente cerca de 200 mil toneladas de resíduos sólidos, muito lixo onde não tem um aterro sanitário. Para fazer face à demanda, o lixo é depositado em lixeiras a céu aberto e em contentores que quase não se usam porque viraram refúgio dos sem abrigo.

Alguns cidadãos entrevistados naquela parcela do país apontam que com o crescimento populacional da maior parte dos municípios de Nampula, sufocando a parte da gestão dos resíduos sólidos na capital do Norte.

“A solução que temos é queima e não incineração como devia ser”, disse um dos representantes do Governo em Nampula. Apesar de a queima de resíduos sólidos trazer impactos negativos ao meio ambiente, segundo disse um dos representantes do governo local, a queima é a única metodologia que encontrou para redução da quantidade de resíduos sólidos que a província de Nampula tem.

Em Nampula a recolha de resíduos sólidos não é regular, chegando algumas quantidades permanecerem por 6 meses sem remoção em alguns pontos. No bairro do Matadouro, por sinal um dos mais populosos da província, segundo alguns moradores, a situação é caótica naquele ponto.

“A lixeira está nos criando muitos problemas, cheira mal, não nos deixa confortável. Então, quando se trata de lixo a situação é preocupante mesmo”, disse uma residente do bairro Matadouro em entrevista a Televisão de Moçambique.

Outro cidadão daquela área residencial, apontou que a recolha de lixo naquele local é irregular por parte do município.

A televisão de Moçambique também conversou com Saide Madala, docente universitário e especialista em Ambiente. Para o ambientalista, cinco factores concorrem para a fraca gestão integrada dos resíduos sólidos em Nampula.

“Falta de pessoal qualificado, formado neste caso na área de saneamento, para poder dar vazão a essa situação. Recursos financeiros, Conhecimento Técnico, Existência de um aterro sanitário no sentido verdadeiro e outra questão é de vontade política”, disse Saide.

Para o ambientalista, com a gestão efectiva dos resíduos sólidos, evitar-se-ia a contaminação do meio ambiente, dos solos e da água, contribuindo para o alastramento de doenças.

“Não existe um sistema de gestão integrada de resíduos sólidos, ao nível do município, o que acontece é a proliferação dos resíduos sólidos e o transporte de um lugar para o seu devido sítio e o seu devido tratamento, onde há negligência no sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos”.

Para inverter o actual cenário, está em vista a construção de um aterro sanitário, no posto administrativo de Namaita, distrito de Rapale, orçado em mais de 144 milhões de meticais. A acção insere-se no âmbito da iniciativa presidencial lançada em 2020, que consiste na construção nas capitais provinciais de uma infra-estrutura de gestão de resíduos sólidos e melhoria do saneamento do meio.

“O projecto tem previsão de ser implementado a partir de 2023, e será um aterro com grande capacidade, estamos a falar de cerca de 1 419 000 toneladas que responderá, para além de tratamento, estamos a falar de compostagem, valorização de resíduos sólidos, reciclagem entre outras actividades”.

Em meio a este problema existem em Nampula pessoas que fazem do lixo sua fonte de sobrevivência, os chamados catadores de lixo. Estes colectam objectos que podem ser reaproveitados, como são os casos de plástico e ferro velho, para posterior venda.

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Sobre o autor: Redacção do Jornal Visão Moçambique
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