SUICÍDIO APONTADO COMO SEGUNDA CAUSA DE MORTE NO MUNDO

SUICÍDIO APONTADO COMO SEGUNDA CAUSA DE MORTE NO MUNDO

Em cada quatro segundos, em todo o mundo, uma pessoa tira a sua própria vida e a incidência vai para jovens com idades compreendidas entre 15 e 24 anos. Assim sendo, cerca de 800 mil mortes registadas por ano no mundo são por suicídio, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado recentemente.

Estes dados revelam números superiores aos óbitos por malária, câncer de mama, guerra ou homicídio e significam “um sério problema de saúde pública global”. Apesar do grande número de vítimas, refere a organização, entre 2010 e 2016, a taxa de suicídio global caiu 9,8%, mas apenas 38 países apresentam estratégias preventivas contra o problema. A única região que apresentou aumento (6%) dos casos foi a das Américas.

É mesmo olhando para estes números que o Director-Geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, considera que “toda morte é uma tragédia para a família, os amigos e os colegas e os suicídios não são inevitáveis”, por isso pede que todos os países incorporem de forma sustentável estratégias eficazes de prevenção de suicídio nos programas nacionais de educação e saúde.

Em números absolutos, a maioria dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda, mas os países de alta renda têm a maior taxa de suicídio de 11,5 por 100.000 habitantes. A África, Europa e Sudeste Asiático têm taxas de suicídio acima da média mundial de 10,5 por 100.000 habitantes. Já a região do Mediterrâneo Oriental tem a taxa mais baixa.

Moçambique tem a taxa de suicídios mais elevada do continente

Moçambique é o país africano com maior taxa de suicídio e a esperança de vida é de 57 anos, abaixo da média continental, que é de 60 anos. O documento revela que Moçambique tem uma média de 17,3 suicídios por cada 100 mil habitantes, a taxa mais elevada do continente, enquanto a mortalidade devido a homicídios é de 3,4 pessoas por 100 mil, colocando o país, neste item, entre os três melhores de África nesse capítulo. Estes dados constam também no relatório de Estatísticas Mundiais de Saúde.

A OMS sublinha que “apesar das melhorias verificadas nos últimos anos, a esperança média de vida em Moçambique continua abaixo da média africana, que é de 60 anos, situando-se em 57 anos à nascença. É assim a décima pior dos 47 países africanos analisados”.

E os motivos são vários. Uns pensam em tirar as suas próprias vidas por julgarem que já não têm outras alternativas de solucionarem os seus problemas. Edmilson Silvino, de 26 anos de idade, é disso um exemplo. Estudante universitário e já com uma certa consciência de que o suicídio não é o certo, conta que já pensou em se suicidar devido a vários problemas que enfrentou durante a adolescência. Entre os problemas, desentendimentos com o seu tio provocados por uma certa insatisfação das suas necessidades pesam mais.

Caso semelhante é de Fátima Issa, 19 anos, que embora com uma idade ainda na flor, também já pensou em cometer um suicídio e as causas são mais uma vez desentendimentos familiares, mas desta feita é entre mãe e filha. Por outro lado, Luís Caetano, 17 anos, ainda não entra na lista dos milhares de moçambicanos que já pensaram em tirar as suas próprias vidas. Luís conta que teve seus problemas, mas nunca pensou em tirar a sua própria vida e que nunca teve motivos para isso. Considera suicídio como sendo “uma forma irracional de resolver problemas”.

As principais formas de cometer suicídio são enforcamento, envenenamento e uso de armas de fogo. Portanto, restringir o acesso a esses meios é o início da prevenção. Outras estratégias eficazes são, educar a mídia sobre como relatar suicídios de forma responsável, identificar ainda cedo pessoas com risco aumentado de tirar a própria vida e ajudar jovens a desenvolver habilidades que os ajudem a lidar com o “stress” ao longo da vida, segundo explicou o psicólogo, Adelto Mulubwa

Entretanto, na busca pela redução dos casos de suicídio no mundo, a OMS definiu 10 de Setembro como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e o mês é celebrado como “Setembro Amarelo” para os activistas que lutam contra os suicídios. Em muitos países é comum ter soluções de prevenção de suicídio para que as pessoas que considerem a alternativa possam se abrir com alguém e falar abertamente sobre medos, anseios e os problemas que as levaram a escolher esse caminho.

Hoje, o suicídio mata mais jovens que o HIV, e pessoas entre 15 e 24 anos vêm recorrendo ao acto  com maior frequência nos últimos dez anos. O tema ainda carece de debate pela sociedade, que muitas vezes prefere o silêncio ao invés da discussão sobre como prevenir mortes desse tipo. “Quem está muito deprimido não vê luz no fim do túnel. Se alguém está nesse estado, deve procurar ajuda de uma pessoa em quem confia. Pode ser um parente, um amigo, um profissional de saúde”, explica o psiquiatra Neury Botega, um dos principais pesquisadores do tema no mundo.

Especialistas são unânimes que falar sobre o tema e abrir o debate na sociedade é o primeiro e decisivo passo para prevenir os suicídios. A prevenção começa em casa com o diálogo e a identificação de possíveis comportamentos de jovens e adultos que estão em sofrimento

Por isso, Adelto Mulumbwa indica que é possível identificar um indivíduo que tenha tendências de cometer suicídio através de alguns testes que podem ser realizados por pessoas da área. É  importante ainda que, no processo de conversa, alguém que queira ajudar a pessoa que esteja deprimida transmita confiança através de aspectos faciais.

Tudo isso para que o indivíduo que pensa no suicídio possa exprimir tudo que está dentro de si. É  preciso ainda promover debates ligados ao tema em locais públicos de modo a desencorajar o acto. Isso faz com que os indivíduos façam uma auto avaliação podendo assim reduzir o risco” – concluiu.

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