O Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo (TACM) veio a público esclarecer informações que circulavam na imprensa televisiva e nas redes sociais sobre uma alegada rusga nas suas instalações, confirmando que está em curso um processo-crime conduzido pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC).
Segundo o comunicado oficial, a diligência resulta de uma participação apresentada pelo próprio Tribunal Administrativo contra servidores públicos indeterminados, suspeitos de envolvimento na cobrança ilícita de valores monetários e na eventual falsificação de vistos em processos de contratação pública.
Alegações incidem sobre concessão de vistos e tramitação processual
As suspeitas apontam para a alegada prática de cobrança indevida de valores por parte de alguns magistrados e membros das suas equipas, com o objectivo de conceder vistos a determinados processos ou acelerar a tramitação de expedientes específicos, em detrimento de outros.
O visto do Tribunal Administrativo constitui um mecanismo essencial de fiscalização prévia da legalidade da despesa pública, especialmente em contratos de aquisição de bens, prestação de serviços e empreitadas. Qualquer irregularidade nesse procedimento pode comprometer a transparência e a legalidade na gestão dos recursos do Estado.
Embora não tenham sido divulgadas identidades nem o número de eventuais envolvidos, o TACM sublinha que as investigações estão em curso, devendo ser respeitado o princípio da presunção de inocência.
Fragilidades no sector da contratação pública voltam ao debate
O caso reacende o debate sobre a integridade no sector da contratação pública, historicamente apontado como uma das áreas mais sensíveis da administração pública devido aos elevados montantes financeiros envolvidos e à complexidade dos procedimentos.
Relatórios de auditoria e análises especializadas têm, ao longo dos anos, identificado desafios persistentes nos mecanismos de controlo interno, incluindo riscos de interferência indevida, conflitos de interesse e práticas ilícitas.
Especialistas em governação consideram que, sendo o Tribunal Administrativo um órgão central na fiscalização da despesa pública, eventuais irregularidades internas assumem particular gravidade institucional, mas destacam que a iniciativa de denúncia por parte da própria instituição pode representar um sinal de fortalecimento dos mecanismos de controlo interno.
Compromisso institucional reafirmado
No esclarecimento, o TACM afirma que o procedimento integra as medidas adoptadas no seio da Jurisdição Administrativa com vista ao combate à corrupção, promoção da ética profissional e reforço da integridade institucional.
A instituição garante que continuará a colaborar com as autoridades competentes até ao total esclarecimento dos factos e eventual responsabilização dos infractores, nos termos da lei.
Enquanto o processo-crime prossegue no Gabinete Central de Combate à Corrupção, o caso mantém sob escrutínio público a actuação das instituições de controlo financeiro do Estado e a necessidade de consolidação de práticas transparentes na gestão da coisa pública.
O deputado da Assembleia da República, Egídio Vaz, contestou publicamente as informações que circulam nas…
O presidente do município, Júlio Parruque, abandonou temporariamente o seu gabinete para pernoitar no bairro…
Um cidadão de nacionalidade congolesa, de 48 anos, foi detido pela Polícia da República de…
Em um país historicamente marcado por desafios estruturais na segurança pública, o estado do Tocantins…
O Ministério Público Militar (MPM) realizou, no dia 25 de fevereiro de 2026, na Procuradoria…
O Presidente da República, Daniel Chapo, alertou que Moçambique poderá enfrentar impactos no abastecimento de…
This website uses cookies.