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“UM ESTRANHO QUE SAIU DE MIM”, incógnitos revelados em escritos

“UM ESTRANHO QUE SAIU DE MIM”, incógnitos revelados em escritos

A troca de balas por palavras pode ser insignificante para pessoas insignificantes. Mas a mistura das duas coisas pode ser uma arma poderosa para a construção social humana, onde o direito começa a superar as expectativas e se torna realidade. Os homens sempre foram uma incógnita e desvendar a equação pode ser um mal para quem nunca se viu encostado a leitura e folheando palavras entrelaçadas num papel, cheias de sentimentos que espelham algo estranho, que só se descobre quando se tenta cavar fundo.A carepa, sempre incomodou os aflitos, mas quando desce a gota fria, os preparados celebram e agradecem a Deus por isso.

Desde o lançamento da obra “Um estranho que saiu de mim”, do autor Cartone Mabote, várias incógnitas surgiram para quem estava acostumado a ler romances e textos poéticos, afinal o que mais se lança nos últimos tempos segue a temática.

O livro que em poucas folhas de papel trás as palavras de um pai presente e de uma mãe com anseios de cuidar das suas filhas como devia, a obra revela segredos de quem nunca teve uma disciplina de ética e educação sexual na escola ou mesmo durante a infância, afinal as nossas comunidades estão mergulhadas em assuntos de tradição.

Ler a obra pode mudar o sentido de que ser ou não, não deve ser característica da interpretação profissional do indivíduo, afinal, estamos a falar de um escritor que é Adjunto Superintendente da PRM no Ministério do Interior e que largou o ego de homem da Lei & Ordem de lado, para trazer seu ser misturado a academia e linguística e educar a sociedade.

A obra retrata o dilema actual de uma sociedade que se debate com o problema de estupro e violações sequenciadas dos direitos da criança que é promovido pelas finanças familiares que aproximam os pais dos filhos apenas no fim do mês para entregar mesada ou mesmo quando devem dar dinheiro de provas e uniformes aos seus. A literatura moçambicana ganha muito com esta obra, mas sua valorização pode transformar vidas e espelhar uma esperança de um futuro tranquilo e livre de violações dos direitos humanos começados na infância por falta de educação sexual e dos direitos sexuais e reprodutivos.

Moçambique, não está fora dos países que lutam pelo empoderamento das mulheres e engajamento do homem no reconhecimento do papel da mulher na sociedade, através da aceitação desta em tarefas que outrora consideravam-se masculinas.

A propósito disso, em conversa estendida à esteira com Cartone Mabote, foi possível perceber que a obra inspirada nos movimentos sociais, também revela o espírito de entre ajuda que o escritor tem e pondera-se ser uma fonte de conhecimento aberta a opiniões e ideias que transformam.

Mabote, homem de muitas palavras, resumiu, sua pesquisa sobre o que poderia fazer para ajudar a mudar o mundo num escrito que vale a pena ler. A leitura não pode ser superficial, pois se assim for apenas uma palavra poderá ser entendida num “Estranho que saiu de mim”.

A sociedade em que o mundo sonha não é construída apenas com ideias negativas sobre o que devia ser feito e sim com atitudes como esta. Apesar da perda de valores e interesse pelos escritos, preciso lembrar a ordem do dia para se voltar a tradição, pois muito se perde, digitalizando a imaginação e não o tradicional. Carreguemos o ontem para os computadores e celulares e não o contrário, daí superamos os abusos aos direitos humanos das pessoas em especial das crianças.

Como dizia Sócrates “existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.”

 

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Alberto Israel Chunguane

Muito obrigado pelo seu contributo na sociedade, Mestre Mabote. Com essa obra, esperamos incutir o gosto de leitura na sociedade moçambicana e também constitui uma “bíblia” que as comunidades devem carregar consigo, pois, ela (obra) retrata a vida das mulheres, principalmente a das adolescentes, que muito ainda precisam aprender sobre a educação sexual e reprodutiva.
Teacher Israel