UM VENDEDOR CHINÊS NUM PAÍS DE PATRÕES » Opinião » Jornal Visão

UM VENDEDOR CHINÊS NUM PAÍS DE PATRÕES

O cinema pode ser a única forma de interpretar a posição de um vendedor e de um político. Uma vez assisti um filme de um homem que o denominaram vendedor chinês.

No princípio da história tudo parecia algo bom pois os concorrentes até pareciam ser leais ao concurso para montagem de um sistema de comunicações num país africano, só que com a entrada de um concorrente muito forte a história mudou pois este segundo passou a vigiar a qualidade de seu concorrente e descobriu que suas ideias eram fortes e que ele poderia ganhar o concurso de montagem do sistema de comunicações naquele país.

Assim começa a trama. O vendedor Chinês experimentou o sistema e deu sucesso mas a outra companhia de tão prestigiado nome conseguiu contrariar a ideia elevando o nível de comunicações para o mais sofisticado, colocando na parede o vendedor chinês.

Enquanto tudo parecia andar bem, o Chinês se desafiou a sofisticar mais o sistema e foi sabotado pois tudo que fazia mostrava ao outro concorrente(não de forma directa), mas sempre vigiado passou a perder confiança do país que buscava pelos serviços e era desprestigiado, chegando a conseguir lograr os intentos após passar por uma luta com seu concorrente.

Companheiros, leitores, observadores, entendidos na matéria, Moçambique tem no seu leito uma imensa lista de políticos que só se via assim até princípios do séc 21. A mudança da forma de actuação dos nossos políticos conheceu uma nova categoria nas últimas duas décadas com a introdução de busca pelas vantagens monetárias e isenções alfandegárias que só pertenciam a minoria. De lá para cá, muitos empresários conquistaram lugares de topo para conseguirem fazer negócios de forma livre e deliberada, entrando assim o novo sistema operacional denominado “EMPRESÁRIO POLÍTICO”, em suma copywriters.

Em Moçambique como em qualquer parte do mundo, o fazer política deixou de ser uma obrigação de carácter ou de bem-fazer, pois se formos a olhar a estilização do género político encontramos mais empresários do que políticos que fazem o trabalho por interesse de proteger a maioria.

A política moçambicana e de outros países do mundo está longe de ser pelo bem social e sim tende a transformar-se num campo de exibicionismo da hipocrisia científica do dinheiro ou seja, só poderá estar nos meandros desta “profissão” quem reunir mais “taco”(dinheiro em gíria popular).

Durante vários séculos o interesse de um político era ser aplaudido pelo povo porque cumpriu com o que desejou dar ao seu público mas hoje em dia as coisas mudaram: “você será aplaudido se conseguir doar uma carinha de rodas a um aleijado, um saco de arroz a um necessitado e poucos te admiram por falar e fazer planos de algo bom mais que na prática não muda a realidade instantânea”.

A política que se faz de persuasão, hoje em dia não funciona quando não é acompanhada de dinheiro, pois ela permanece simplesmente política e não o desejo de quem busca por uma casa, muitas das vezes porque quem depois ganha com as promessas dos políticos são eles mesmos. A fé num político permanece desconhecida pois alguns indivíduos são endeusados porque construíram uma vala de drenagem, uma escola de 2 salas de aulas, um centro informático, facilitaram a obtenção de terrenos para habitação, ajudaram com roupas usadas aos necessitavam no momento.

Os cidadãos críticos e contra-críticos, existem mas hoje em dia temos mais Copywriters do que políticos ou mesmo pessoas de bem querendo fazer o certo pela maioria e não pelos seus estômagos.

 

ATENÇÃO AOS PONTOS QUE PODEM FAZER COLIDIR QUALQUER ORGANIZAÇÃO POLÍTICA NUM REGIME QUE SEQUESTRA IDEIAS E É CORRUPTA POR NATUREZA.

 

Durante os últimos 50 anos o mundo viveu uma revolução na maneira como os seres humanos se interessam uns pelos outros. O que sucede é que a maioria, está no lado em que a moeda toca para os números e não para as batalhas. Muitas conquistas que se propalam por aí, não passam de idealismos políticos e de senso comum, que divertem os internautas, o povo para não adoecer de tanta pobreza e no último minuto quem se diz ter feito algo por estas pessoas são os políticos.

Se estamos certos de que fazemos política ou seja, advogamos pelo povo, porque os preços dos produtos essenciais continuam altos?

Porque temos que comprar o carvão que é produzido pelas nossas árvores por mais de 1.500MT?

Porquê pagamos tantos impostos se nem água para consumo próprio estamos a comprar de um vendedor privado que marca o seu preço e age como se o país fosse seu e que no seu próprio reinado ninguém pode opinar?

Meus caros, a política jamais conhecerá a verdade de sua origem enquanto levarmos o cenário para o negócio.

A política que fazemos está contrariamente a beneficiar os verdadeiros donos(povo) e sim a nós mesmos fazedores, pois, sempre concordamos com um opositor porque ele tem dinheiro e nossos planos caem por terra.

Como ser opositor se continua a receber esmola do seu concorrente? Isso também é política? Se for, então precisamos mudar os primeiros conceitos desta área porque ninguém aceitaria receber um bem do seu inimigo para permanecer contrário às suas ideias.

Os políticos são humanos e não máquinas que manipulam mentes humanas para acreditar no ideal enquanto elas cometem os piores erros.

A política em Moçambique continua a ser um mistério pois quem devia simplesmente trabalhar como actor social é quem a faz e muito bem.

Contrariamente a muitos idealistas em Moçambique, poucos que falam de mudanças tem acções que demonstram a vontade de correr para isso. Muitos que se dizem ser políticos, são empresários, embora eu deva reconhecer que há alguns empresários que nunca gritaram ser políticos que fazem muito bem o papel de políticos.

Companheiros, devo aqui lembrar que o político não é um fanfarrão que aos 4 ventos propala suas ideias e no fim do dia não resolveu nada.

Um político de verdade, pensa sobre onde dorme, o que come, como sai de sua casa para a rua, quem são os que o rodeiam, como vivem os que o rodeiam, de que forma pode proporcionar uma melhor vida aos que não tem nem as básicas condições. Agir como se de um escritor copywriter fosse, não transforma ninguém. Prometer riquezas imaginárias, pode afectar a materialização dos propósitos do povo. Os políticos de verdade não prometem fazer o mundo saltitar e sim colocar as acções e ensejos do mais necessitado na terra.

Moçambique conheceu alguns políticos que poderiam ter mudado algo se tomassem o poder mas também acabaram se transformando em meros belicistas e gananciosos quando comparados aos seus opositores, pois almejam mais o seu sucesso que o dos que supostamente vão á luta por eles.

Em Moçambique de boca cheia digo, faz-se política para se encher a barriga e só depois disso veremos as promessas cumpridas.

Como se pode notar há nos últimos dias a permanência de políticos idealistas que recorrentemente baseiam suas realidades sentados em escritórios. Analisam a vida dos moçambicanos sentados numa cadeira giratória e encontram pela Internet pessoas que buscam riqueza fácil que rebentam suas expectativas chegando a se perceberem como convictos vitoriosos.

A forma como se faz política em Moçambique não sustenta a maneira que um cidadão pacato e comprometido com os interesses da maioria devia agir. Estamos acostumados a inventar relatórios triunfalistas e até de abnegado esforço, quando nada se fez no terreno.

Os desenhadores de políticas, baseiam suas locuções e opiniões em factos apresentados pela imprensa crítica e assim por diante constroem uma ideia de que o jornalista trouxe a realidade completa do que Moçambique é. Não através desta desprezar os pensamentos positivos de alguns políticos, mas quero aqui lamentar a forma como lucidamente os chamados “sem papas na língua” fazem pelo bem do povo que dizem elegê-los.

É visível a forma como um deputado que se julga lutador pelos interesses do povo, não move nenhuma acção para defesa dos interesses do seu eleitorado. Conforme explanei no princípio deste texto, há muitos copywriter que políticos em Moçambique. Há vendedores de ideias e não solucionadores de problemas.

Passados 50 anos de luta pela revolução dos povos e pelo desenvolvimento científico, Moçambique revela-se um país governável apenas por um grupo de pessoas e ideais, pois segundo os mesmos políticos, apenas o que os jornalistas escrevem pode libertar o povo.

Não se faz política aqui e sim copywritismo.

Comentários do Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: