Votar em meio ao coronavírus, qual é a sensação?

Votar em meio ao coronavírus, qual é a sensação?

Enquanto muitos países do mundo procuram soluções para que a vida volte a normalidade, alguns cantos do mundo continuam invictos e procuram nova liderança do país em meio às circunstâncias impostas pela Covid-19.

O novo coronavírus não está para uma e outra classe coisal, raça, cor da pele, etnia ou povoação. Esta pandemia, chegou para destruir tudo e todos, mas nem isso impede alguns de continuar a vida como se nada estivesse a subtrair a atenção do mundo.

O Burundi, um dos mais pequenos países africanos, votou nesta quarta-feira, no fim de cinco anos de crises políticas. A eleição decorreu sem a presença de observadores internacionais. O país, localizado na região dos Grandes Lagos, com 11 milhões de habitantes e 5,1 milhões de eleitores, decidiu manter as eleições gerais – presidenciais, legislativas e locais – de ontem(quarta-feira, 20 de Maio de 2020) apesar da vigência da pandemia da Covid-19.

Concorrem às presidenciais sete candidatos, mas a chefia do Estado deverá ser discutida entre Evariste Ndayishimiye, que se apresenta pelo partido do Governo(CNDD-FDD) após a decisão de não recandidatura do chefe de Estado cessante, Pierre Nkurunziza, e Agathon Rwasa, líder histórico da oposição no país (Palipehutu-FNL).

Ao contrário da Etiópia, que adiou as suas eleições de Agosto devido à Covid-19, o Burundi decidiu mantê-las, com o Governo a basear-se no seu reduzido número infecções até ao momento.

O país registou oficialmente 42 casos positivos, incluindo uma morte. O Burundi não impôs o confinamento da população e a campanha eleitoral mobilizou grandes multidões, com a distribuição de baldes de água e sabão como medida preventiva.

O Governo ordenou a expulsão dos quatro principais peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS) que aconselhavam sobre a epidemia e que abandonaram o país no sábado.

Por outro lado, não foi autorizado que observadores internacionais assistam às eleições, incluindo da União Africana (UA), devido a cerca internacional sanitária em vigor no país na sequência da pandemia, algo considerado como pouco habitual num Estado-membro da organização.

Os únicos observadores autorizados inicialmente eram os da Comunidade da África Oriental, que organizou o envio de cerca de 20 elementos, no entanto as autoridades burundesas anunciaram que estes teriam de ficar de quarentena durante 14 dias após a sua chegada devido à Covid-19, o que inviabilizaria a sua acção no dia da votação.

O Burundi vive uma crise política desde as últimas eleições, em 2015, de que já resultaram pelo menos 1.200 mortos e mais de 400 mil refugiados, acontecimentos alvo de uma investigação do Tribunal Penal Internacional.

 

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