Depois de anos de queixas por atrasos, falhas técnicas e longas filas, o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) anunciou um aumento significativo da capacidade de produção de cartas de condução, numa tentativa de responder à pressão crescente dos automobilistas e ao elevado número de processos acumulados.
A empresa pública pretende passar da produção diária de 750 para 1.500 cartas de condução, o que representa um aumento superior a 50% face à capacidade anterior. O anúncio foi feito esta terça-feira, durante uma conferência de imprensa realizada na sede nacional da instituição, em Maputo, pelo administrador do INATRO, Carlos Zunguza.
Segundo o dirigente, a decisão surge num contexto em que o sistema da instituição regista cerca de 35 mil pedidos acumulados, muitos deles pendentes há meses, situação que tem condicionado a vida profissional de milhares de cidadãos que dependem do documento para exercer actividades económicas, sobretudo nos sectores de transporte, logística e serviços.
Para mitigar o impacto do atraso, o INATRO anunciou ainda a extensão do atendimento ao público para os fins de semana, uma medida considerada extraordinária, mas que revela a dimensão da pressão existente sobre os serviços da instituição.
No plano tecnológico, Carlos Zunguza reconheceu implicitamente as limitações do actual sistema informático, apontado como uma das principais causas dos constrangimentos. O administrador afirmou que o INATRO está a trabalhar em coordenação com o Ministério dos Transportes e Logística e parceiros para a aquisição de um novo servidor, prometendo que a futura infra-estrutura irá melhorar a estabilidade do sistema e a qualidade do atendimento ao público, embora sem avançar prazos concretos.
Outro ponto sensível abordado diz respeito às cartas de condução provisórias, documento utilizado por milhares de moçambicanos que circulam nos países da região. Zunguza confirmou que estas cartas não são reconhecidas no espaço da SADC, incluindo países como África do Sul, Zimbabwe, Malawi e Zâmbia, expondo os automobilistas nacionais a multas, apreensões e outros constrangimentos legais.
Ainda assim, o administrador garantiu que esta realidade poderá mudar, defendendo que o Governo de Moçambique está a desenvolver contactos com entidades regionais com vista à harmonização e reconhecimento dos documentos de condução, um processo que, segundo afirmou, “já está em curso”.
Apesar das promessas apresentadas, persistem dúvidas quanto à capacidade do INATRO em recuperar o atraso acumulado e evitar que o problema se repita, num sector onde a eficiência administrativa é determinante para a mobilidade, segurança rodoviária e dinamização da economia nacional.
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