Júlio Parruque lidera diálogo estratégico com transportadores para enfrentar crise de mobilidade na Matola

O Presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola, Júlio Parruque, dirigiu nesta segunda-feira o II Diálogo com Operadores de Transporte, numa iniciativa que expõe os desafios estruturais da mobilidade urbana e procura respostas coordenadas entre o município e o sector.
O encontro reuniu associações de transportadores, cooperativas e proprietários privados de viaturas, num momento em que a cidade da Matola enfrenta crescente pressão sobre o sistema de transporte, impulsionada pelo aumento populacional actualmente estimado em cerca de 1,6 milhão de habitantes.
Segundo fontes municipais, a iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de auscultação pública e concertação com operadores, considerada essencial para enfrentar problemas como a escassez de meios, sobrelotação, irregularidade de rotas e degradação de infraestruturas viárias.
“Este diálogo não é apenas consultivo; é um passo decisivo para construirmos soluções conjuntas e sustentáveis para a mobilidade urbana na Matola”, afirmou Parruque durante a sessão de abertura.
Participantes ouvidos durante o encontro apontaram preocupações recorrentes, incluindo o custo operacional elevado, dificuldades no acesso a financiamento para renovação de frotas e a necessidade de maior organização do sector informal, que continua a desempenhar um papel dominante no transporte de passageiros.
Especialistas consideram que a ausência de um sistema integrado de transporte urbano agrava os constrangimentos, obrigando milhares de cidadãos a enfrentar longos tempos de espera e deslocações precárias diariamente.
“Sem coordenação entre o município e os operadores, qualquer tentativa de reforma será insuficiente”, referiu um representante de uma das cooperativas presentes, sublinhando a importância de políticas públicas consistentes.
O município pretende, com este ciclo de diálogos, reforçar a cooperação institucional e criar bases para a implementação de medidas concretas, incluindo a reorganização de rotas, melhoria da fiscalização e eventual introdução de soluções tecnológicas para gestão do transporte.
Analistas urbanos destacam que iniciativas como esta podem representar um ponto de viragem, desde que resultem em ações práticas e não se limitem ao plano discursivo.
A cidade da Matola, um dos principais centros urbanos de Moçambique, continua a enfrentar o desafio de equilibrar crescimento acelerado com serviços públicos eficientes sendo a mobilidade urbana um dos sectores mais críticos para o desenvolvimento sustentável.

Ângelo Zacarias Manhengue

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