Maputo / Kigali, Agosto de 2026 — Enquanto África procura novas formas de transformar criatividade, conhecimento e cultura em desenvolvimento, Mel Matsinhe leva a Kigali uma perspectiva moçambicana sobre uma questão cada vez mais central: que lugar ocuparão a cultura e as indústrias criativas na construção do futuro africano?
Investigadora, escritora e musicista, Matsinhe tem desenvolvido um percurso que cruza criação artística, investigação, educação, desenvolvimento cultural e pensamento estratégico, trabalhando a cultura não apenas como expressão artística, mas como uma força capaz de produzir conhecimento, oportunidades económicas, transformação social e novas formas de imaginar o futuro.
A sua participação no Africa Creative Economy and Investment Forum (ACEIF), em Kigali, acontece num momento particularmente relevante para o continente e para Moçambique. Em diferentes espaços africanos, governos, instituições, universidades, investidores e organizações culturais procuram compreender como transformar o potencial criativo do continente em valor, emprego, conhecimento, propriedade intelectual, inovação e desenvolvimento sustentável.
A presença de Mel Matsinhe no ACEIF não representa apenas a participação de uma profissional moçambicana num fórum internacional.
Representa a afirmação de uma perspectiva: Moçambique precisa de participar activamente na construção do pensamento que irá definir o futuro das indústrias culturais e criativas africanas.
Para Matsinhe, a questão não é apenas produzir mais música, livros, filmes, espectáculos ou obras de arte. É construir as condições para que esses produtos e processos possam gerar valor económico, conhecimento, emprego, identidade, bem-estar e transformação humana, permanecendo ligados às comunidades e aos sistemas de conhecimento que lhes dão origem.
Esta perspectiva assume particular importância num momento em que Moçambique procura pensar o seu próprio futuro e redefinir caminhos de desenvolvimento. Para Matsinhe, cultura não pode permanecer à margem dessa conversa.
As indústrias culturais e criativas relacionam-se directamente com educação, juventude, emprego, turismo, tecnologia, cidades, diplomacia, empreendedorismo, identidade e coesão social. Pensar o futuro de Moçambique implica, portanto, pensar também sobre quem produz conhecimento, quem conta as histórias do país, quem protege o seu património, quem detém a propriedade intelectual e quem participa na criação do valor gerado pela cultura. É nesse espaço que a investigadora pretende contribuir.
A trajectória de Matsinhe distingue-se pela capacidade de transitar entre mundos que frequentemente permanecem separados: a prática artística e a investigação; a cultura e o desenvolvimento; o conhecimento tradicional e os debates contemporâneos; a realidade local e os circuitos internacionais.
A sua investigação de doutoramento na Universidade de Pretória dedica-se à salvaguarda, desenvolvimento e promoção da música em Moçambique, explorando questões de política cultural, propriedade intelectual, participação dos detentores de conhecimento, género, criação de emprego e o potencial da música enquanto instrumento de cura, paz e coesão social.
O trabalho desenvolvido através das suas iniciativas culturais e educativas amplia essa abordagem, procurando criar espaços onde arte, conhecimento e desenvolvimento possam produzir impacto concreto nas comunidades. Esta combinação de investigação e prática permite-lhe olhar para a economia criativa de uma perspectiva que vai além da programação cultural. Interessa-lhe compreender como se constrói valor — e como esse valor pode permanecer em África.
É esta visão que Matsinhe levará ao ACEIF, onde, no dia 29 de Agosto, irá moderar uma conversa sobre criação in and through Africa, colocando em discussão diferentes modelos de colaboração, co-criação e circulação de ideias e produtos culturais entre África e o resto do mundo.
A discussão parte de uma questão essencial para o futuro do continente: Como pode África colaborar com o mundo sem deixar que outros continuem a definir, sozinhos, o valor, os termos e a direcção da sua criatividade?
Para Matsinhe, internacionalização não significa abandonar as raízes. Significa criar raízes suficientemente profundas para que aquilo que nasce em África possa viajar, competir, dialogar e permanecer relevante sem perder a sua origem, a sua inteligência e a sua autonomia. É também por isso que Moçambique ocupa uma posição central na sua agenda.
Matsinhe pretende aprofundar o seu trabalho no país, construindo raízes institucionais e profissionais mais fortes e criando novas possibilidades de colaboração entre Moçambique, África e parceiros internacionais.
A experiência acumulada por Matsinhe coloca-a numa posição de interesse para instituições que procuram mais do que programação cultural convencional. O seu trabalho pode contribuir para estratégias culturais, investigação, desenho de programas, desenvolvimento de competências, políticas públicas, educação, conferências, masterclasses, consultoria e projectos de colaboração internacional.
O seu foco está particularmente ligado a organizações que reconhecem que cultura e criatividade não são sectores periféricos, mas activos estratégicos para o desenvolvimento humano, económico e social.
É nesta segunda dimensão que Mel Matsinhe pretende concentrar a próxima fase do seu trabalho. A partir de Moçambique e em diálogo com o continente, a investigadora procura contribuir para uma nova geração de projectos e instituições capazes de transformar criatividade em conhecimento, conhecimento em valor e valor em desenvolvimento. A participação no ACEIF constitui mais um espaço para essa conversa. Mas não é o ponto de chegada. É o início de novas conversas, novas parcerias e novas possibilidades de trabalho entre Moçambique, África e o mundo.
Mel Matsinhe é investigadora das indústrias culturais e criativas, escritora e musicista moçambicana. O seu trabalho cruza cultura, criatividade, investigação, educação e transformação humana e social.
É doutoranda na Universidade de Pretória, onde investiga a salvaguarda, desenvolvimento e promoção da música em Moçambique. O seu percurso combina experiência prática no sector cultural com investigação académica e intervenção em projectos de educação, criação artística e desenvolvimento cultural.
A sua agenda actual está orientada para a construção de novas possibilidades para a cultura e a criatividade africanas, com especial atenção a Moçambique e às relações entre conhecimento, criação, desenvolvimento e internacionalizaçã
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