A recente homenagem pública do Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, à Selecção Nacional Sub-17 de Moçambique, conhecida popularmente por “Mambinhas”, desencadeou uma onda de críticas entre adeptos, jornalistas desportivos e simpatizantes do futebol nacional, sobretudo em grupos de WhatsApp e nas redes sociais.
A controvérsia surgiu após a divulgação de um vídeo em que o governante felicita a equipa pela histórica qualificação de Moçambique para o Mundial Sub-17, feito considerado inédito e de enorme relevância para o futebol juvenil moçambicano. No entanto, para muitos cidadãos e observadores desportivos, a manifestação pública do ministro está a ser interpretada como uma tentativa de capitalização política de uma conquista alcançada, alegadamente, sem o devido apoio institucional do Estado.
As críticas ganharam maior intensidade devido a declarações anteriores do próprio ministro, nas quais admitia dificuldades financeiras no Ministério da Juventude e Desporto, afirmando que a instituição enfrentava limitações orçamentais para apoiar diversas actividades desportivas nacionais. Para vários adeptos, essa posição contrasta diretamente com a recente exposição pública ao lado do sucesso da selecção.
Segundo relatos recolhidos junto de simpatizantes da equipa nacional, muitos consideram que o mérito da campanha pertence exclusivamente aos jogadores, à equipa técnica e à Federação Moçambicana de Futebol, que terão conduzido o projeto mesmo diante de limitações logísticas e financeiras.
“Agora o ministro já está a fazer vídeos e quer receber a selecção no aeroporto. Nós, como adeptos, não queremos Caifadine lá”, declarou um simpatizante da Selecção Sub-17 ouvido pelo Jornal Visão Moçambique.
Entre os críticos, cresce a percepção de que o governante não demonstrou apoio efectivo moral ou financeiro durante o percurso competitivo da equipa, surgindo apenas após a conquista continental e consequente qualificação para o Campeonato do Mundo da categoria.
Um jornalista desportivo ouvido pelo Jornal Visão Moçambique, que pediu anonimato por receio de eventuais represálias, afirmou que o ministro deveria evitar protagonizar o momento histórico vivido pela seleção nacional.
“O ministro da Juventude e Desporto nem precisava criar espaço para querer ir ao aeroporto receber a Seleção Nacional Sub-17, porque este título é fruto do mérito, da força e da crença dos jogadores e da Federação Moçambicana de Futebol, que apostaram na equipa desde o início.”
A conquista dos “Mambinhas” está a ser celebrada como um marco histórico para o futebol moçambicano e um sinal encorajador para o desenvolvimento das camadas jovens no país. Ainda assim, o debate em torno da atuação do ministro acabou por dividir opiniões no espaço público, com vários internautas a defenderem maior investimento estrutural no desporto juvenil, em vez de manifestações consideradas oportunistas após as vitórias.
Nas redes sociais e em plataformas de discussão desportiva, multiplicam-se mensagens exigindo maior transparência no apoio estatal às seleções nacionais e criticando aquilo que muitos classificam como “aproveitamento político” de conquistas alcançadas com esforço independente.
Até ao momento, o Ministério da Juventude e Desporto não reagiu oficialmente às críticas que circulam entre adeptos e jornalistas desportivos moçambicanos.
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