A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) enfrenta um dos cenários financeiros mais exigentes dos últimos anos, como consequência directa da seca severa associada ao fenómeno El Niño. A irregularidade das chuvas registada nos últimos dois anos comprometeu o enchimento da albufeira e obrigou a empresa a reduzir drasticamente a produção de energia.
A cota actual da albufeira encontra-se abaixo dos 308 metros, um nível considerado crítico, tendo em conta que o limite superior de operação normal é a cota 326. A escassez de água, principal matéria-prima da hidroeléctrica, forçou a HCB a ajustar a produção em função da disponibilidade hídrica, de modo a preservar níveis sustentáveis do reservatório para os próximos anos.
Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, apenas quatro dos cinco grupos geradores da HCB estão actualmente em funcionamento. O nível mínimo de produção recentemente registado foi de 900 megawatts (MW), muito abaixo da potência instalada total de 2.075 MW.
As projecções de produção para o presente exercício apontam para uma redução de cerca de 6.000 gigawatts-hora (GWh) face ao ano anterior. Esta quebra terá reflexo directo nas receitas da empresa.
O director de Planeamento, Organização e Método da HCB explicou que as receitas previstas para este ano situam-se pouco acima dos 21 mil milhões de meticais, contra os 34 mil milhões de meticais registados em 2024. A diferença representa uma queda expressiva no volume de negócios.
Como consequência, o resultado líquido projectado para o final do exercício deverá situar-se perto de 50% abaixo do valor alcançado no ano passado.
Enquanto um dos maiores contribuintes fiscais do país, a HCB verá igualmente reduzida a sua contribuição para o Estado. A diminuição do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC) terá impacto directo nas receitas públicas. Paralelamente, a quebra do resultado líquido limita a capacidade da empresa de garantir retorno aos seus accionistas.
Para atenuar o impacto da redução das vendas de energia, a HCB adoptou duas medidas imediatas. A primeira consiste na rentabilização das disponibilidades financeiras, através de aplicações no mercado que têm assegurado retornos positivos. A segunda passa por um controlo mais rigoroso dos custos operacionais.
No plano técnico, a empresa aposta na previsibilidade climática como instrumento de mitigação de riscos. Para o efeito, mantém a partilha diária de dados hidrológicos com entidades regionais, incluindo a barragem de Kariba, gerida por Zimbabué e Zâmbia, e o sistema do rio Kafue, na Zâmbia.
Apesar das dificuldades actuais, a HCB mantém uma estratégia de crescimento a médio e longo prazo. No âmbito do programa CAPEX Vital, a empresa projecta, para os próximos dez anos, a reabilitação e modernização da central hidroeléctrica, a construção de uma central fotovoltaica e a implementação da central norte, com vista ao aumento da capacidade de produção e fornecimento de energia a nível nacional e regional.
A redução da produção na HCB, provocada pela seca, surge como um alerta claro sobre a forte dependência das fontes hídricas. Num contexto de mudanças climáticas, a natureza revela-se tão determinante para o desempenho financeiro de uma empresa como qualquer variável de mercado.
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