A sinistralidade rodoviária em Moçambique atingiu níveis alarmantes nos primeiros nove meses do ano. Entre Janeiro e Setembro, pelo menos 662 pessoas perderam a vida em consequência de 488 acidentes de viação registados em todo o país, segundo dados oficiais.
Perante este cenário preocupante, o Governo tem vindo a implementar medidas consideradas estruturantes. Entre elas constam o reforço da fiscalização da lotação dos veículos, a criação de postos de descanso ao longo das principais estradas, a introdução de tacógrafos em rotas longas e a formação obrigatória em segurança rodoviária para condutores reincidentes.
Ainda assim, a sinistralidade manteve-se elevada nos meses seguintes. Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, a situação culminou recentemente num acidente de grande impacto mediático, envolvendo duas viaturas de transporte de passageiros, que resultou em sete mortes.
Na sequência do acidente, a peritagem preliminar concluiu que o motorista de um autocarro pertencente à transportadora City Link terá sido o causador do sinistro. Como resposta imediata, as autoridades decidiram suspender a actividade da empresa, uma medida que gerou forte controvérsia no sector dos transportes.
Para Nelson Mobucanhane, especialista em transportes, a suspensão é legítima e necessária. Na sua leitura, responsabilizar a transportadora constitui um sinal claro de que as empresas devem assumir um papel activo no combate aos acidentes rodoviários.
Mobucanhane defende que práticas como o excesso de velocidade e as ultrapassagens irregulares não surgem por acaso, mas estão ligadas ao modelo de negócios das transportadoras. Segundo o especialista, a imposição de uma taxa mínima diária empurra os motoristas para comportamentos de risco, numa tentativa de cumprir metas financeiras. Para ele, a responsabilidade deve ser partilhada entre empresa e condutor, e não colocada exclusivamente sobre o motorista.
O especialista aponta ainda a corrupção e o tráfico de influência como “os principais cancros” do sector. Denuncia que algumas transportadoras, apesar de reincidirem em acidentes fatais, continuam a operar sem sanções, protegidas por esquemas de influência. Na sua perspectiva, a polícia de trânsito não deveria ser o único ente fiscalizador do sistema.
Do outro lado do debate está a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro), que discorda da suspensão da City Link. O presidente da federação, Castigo Nhamane, considera injusto que as empresas “paguem o carro” pelos erros individuais dos motoristas.
Para a Fematro, o Governo deve concentrar as sanções no chamado factor humano, responsabilizando directamente o condutor infractor. Nhamane alerta que, muitas vezes, o motorista envolvido num acidente abandona a empresa e passa a trabalhar noutra transportadora, sem enfrentar consequências duradouras, enquanto a empresa fica penalizada.
A suspensão da City Link, que possui 80 autocarros, mais de metade novos, e emprega cerca de 311 trabalhadores, poderá ter impactos significativos. Segundo a Fematro, a medida ameaça a disponibilidade de transporte durante a quadra festiva e coloca em risco o pagamento de salários aos trabalhadores.
Como alternativa, a federação propõe o reforço da educação cívica dos motoristas e a sensibilização dos passageiros, que em alguns casos pressionam os condutores a circular em alta velocidade para reduzir o tempo de viagem.
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