Simoni Santi reeleito para terceiro mandato na Câmara de Comércio Moçambique–Itália
Nova direcção aposta na economia criativa, expansão provincial e reforço da cooperação bilateral
A Câmara de Comércio Moçambique–Itália reconduziu, esta quinta-feira, Simoni Santi à presidência da instituição para um terceiro mandato consecutivo, num movimento que sinaliza continuidade estratégica e consolidação institucional num contexto de crescente interdependência económica entre os dois países.
A eleição ocorreu durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais, num momento em que a organização procura ampliar o seu papel como plataforma de facilitação de investimentos, promoção empresarial e diplomacia económica.
Na sua intervenção, Santi interpretou a recondução como um voto de confiança das empresas associadas no desempenho da direcção cessante e na trajectória de crescimento sustentado da câmara, que agrega operadores económicos moçambicanos e italianos. O dirigente destacou, igualmente, o reforço da representatividade interna, com maior equilíbrio de género e a integração de novos actores empresariais.
“A eleição demonstra que as empresas confiam no trabalho desenvolvido e na capacidade de consolidar uma equipa mais forte e inclusiva”, afirmou, sublinhando a crescente presença feminina em posições de decisão.
Para o novo ciclo de governação, Santi definiu como eixos prioritários a promoção de projectos económicos estruturantes, o aprofundamento da cooperação com a diplomacia italiana e a melhoria do ambiente de negócios, com vista à atracção de investimento directo estrangeiro. Entre os constrangimentos identificados, destacou a necessidade de maior previsibilidade regulatória e o reforço do diálogo institucional com o Executivo moçambicano.
No plano bilateral, o embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Phillip Annis, anunciou uma agenda cultural e económica robusta para 2026, enquadrada nas comemorações dos 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países.
Embaixador da Itália em Moçambique Gabriele Phillip Annis
A programação contempla iniciativas nos sectores da música, artes plásticas, cinema, gastronomia e promoção da língua italiana, com enfoque particular na economia criativa enquanto vector de diversificação económica. Pela primeira vez, as actividades serão descentralizadas, abrangendo cidades como Pemba, Beira e Chimoio, além da capital, Maputo.
O diplomata defendeu a massificação destas iniciativas, com especial incidência sobre a juventude, e apelou a uma participação mais activa do sector privado, no quadro do reforço do chamado “Sistema Itália”, entendido como a articulação entre Estado, empresas e instituições culturais na projecção externa da economia italiana.
Inclusão e capital relacional como motores da nova vice-presidência
A nova vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique–Itália, Alima Hussein Sauji, enquadrou a sua nomeação como um avanço no reforço da inclusão institucional e no equilíbrio de género, apontando para uma abordagem mais abrangente na mobilização de capital humano e empresarial.
Alima Hussein sauji vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique -Itália
Segundo Sauji, a estratégia para o mandato passa por ampliar a participação das mulheres empresárias nas dinâmicas da câmara, tanto em Moçambique como em Itália, ao mesmo tempo que se intensificam as parcerias económicas bilaterais.
A dirigente destacou a urgência de reformas no ambiente de negócios, com particular incidência na redução da burocracia administrativa e na criação de condições mais competitivas para o investimento.
“Itália é um dos principais investidores em Moçambique e possui elevado conhecimento tecnológico. Queremos capitalizar essa experiência para impulsionar o empresariado nacional e promover investimentos conjuntos”, afirmou.
No plano operacional, a nova direcção pretende acelerar a expansão territorial da câmara, levando as suas actividades a outras províncias, numa lógica de descentralização económica e inclusão produtiva. A iniciativa visa dinamizar mercados regionais, reduzir assimetrias e criar novas oportunidades de integração empresarial ao nível nacional.
A recondução de Santi e a entrada de Sauji na vice-presidência surgem, assim, alinhadas com uma visão de continuidade reformista, assente na modernização institucional, diversificação económica e fortalecimento das relações Moçambique–Itália num cenário global cada vez mais competitivo.