O jornalista e activista social Nádio Taimo reagiu publicamente às declarações do político Venâncio Mondlane, que criticou a recente deslocação do Presidente da República, Daniel Chapo, à Etiópia, num contexto marcado por cheias que afectam várias regiões do país.
Durante uma transmissão em directo (Live), Mondlane, também conhecido por VM7 e presidente do partido ANAMOLA, afirmou que o Chefe de Estado “mais uma vez deixa o povo na desgraça”, ao optar por realizar uma visita oficial ao exterior enquanto persistem desafios internos associados às intempéries. Na sua intervenção, o político defendeu que a prioridade da liderança nacional deveria estar centrada na gestão directa da crise causada pelas cheias.
Reação e contraponto
Em resposta, Nádio Taimo recorreu à sua conta oficial na rede social Facebook para contestar o posicionamento de Mondlane. O jornalista considerou a crítica exagerada, afirmando que o Presidente já se encontrava no país a acompanhar a situação das cheias antes da deslocação internacional.
“Cota também está a exagerar hahahha. Chapo esteve aqui a gerir o assunto das cheias, está a ir tratar outros negócios, volta já!”, escreveu Taimo, numa publicação que rapidamente gerou interações e comentários diversos.
O activista sustentou ainda que a governação não pode restringir-se exclusivamente à gestão de fenómenos climáticos, argumentando que o exercício do poder executivo implica igualmente o tratamento de assuntos diplomáticos, económicos e estratégicos de interesse nacional.
“A prioridade da governação não é só gerir assuntos de cheias”, reforçou, defendendo uma abordagem equilibrada entre a resposta a emergências internas e o cumprimento da agenda internacional do Estado.
Polémica sobre viagem da família da Presidente da Assembleia
No mesmo contexto de debate público, Taimo reagiu também às críticas relacionadas com a viagem da família da Presidente da Assembleia da República, Esperança Bias, a Dubai. Segundo informações em circulação nas redes sociais, a deslocação dos familiares teria sido alvo de questionamentos por parte de sectores críticos.
O jornalista manifestou-se contrário à associação directa da dirigente parlamentar à viagem dos filhos, sublinhando que estes são adultos e responsáveis pelas próprias decisões.
“Não vejo a necessidade de meter a Presidente da Assembleia nisso por causa de uma viagem dos filhos (filha e genro)”, escreveu. Acrescentou ainda que as acções individuais dos descendentes não devem ser automaticamente imputadas à mãe, defendendo que férias constituem um assunto de natureza privada, desde que não haja indícios de irregularidades ou uso indevido de recursos públicos.
Contexto e implicações
O episódio evidencia a crescente polarização do debate político nas plataformas digitais, onde líderes partidários, jornalistas e activistas utilizam transmissões em directo e publicações online para expor posições, influenciar a opinião pública e confrontar narrativas.
Especialistas observam que, em períodos de crise, deslocações oficiais ao exterior tendem a ser escrutinadas com maior intensidade, sobretudo quando coincidem com situações de emergência interna. Por outro lado, defensores da diplomacia activa argumentam que compromissos internacionais fazem parte das responsabilidades institucionais do Chefe de Estado e podem trazer benefícios estratégicos ao país.
O debate permanece aberto, reflectindo diferentes visões sobre responsabilidade política, ética pública e prioridades de governação.
