Banco regista lucro de MZN 217,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, reduz drasticamente o crédito malparado e reforça indicadores de solvabilidade
O Moza Banco iniciou o exercício de 2026 com sinais claros de recuperação operacional e fortalecimento financeiro, ao anunciar um resultado líquido positivo de MZN 217,5 milhões no primeiro trimestre do ano. O desempenho representa um marco relevante para a instituição bancária, após um período de reestruturação interna e implementação de medidas de saneamento financeiro ao longo de 2025.
Segundo os dados financeiros divulgados pelo Banco, os resultados reflectem a consolidação de uma estratégia centrada no reforço prudencial, optimização do balanço e melhoria da capacidade operacional, factores que permitiram ao Moza entrar numa nova etapa de crescimento considerada mais sustentável, prudente e resiliente.
O crescimento do Produto Bancário foi um dos principais motores da recuperação. No primeiro trimestre de 2026, o indicador atingiu MZN 1.239,3 milhões, correspondendo a um aumento de 16,6% em comparação com o mesmo período de 2025. Este desempenho foi impulsionado pela evolução positiva das operações cambiais, aumento das comissões líquidas, recuperação de créditos anteriormente registados como perdas (“write-off”) e melhoria dos demais proveitos financeiros.
Ao mesmo tempo, o Banco conseguiu melhorar significativamente os seus níveis de eficiência operacional. O rácio cost-to-income reduziu-se de 78,42% para 65,67%, demonstrando uma combinação entre crescimento das receitas e maior controlo sobre os custos operacionais.
Outro indicador considerado estratégico foi o crescimento da base de Clientes. Durante o trimestre, o Moza Banco registou a entrada de 9.565 novos Clientes, elevando o crescimento acumulado para cerca de 41 mil novos Clientes em termos homólogos. Paralelamente, os depósitos e recursos de Clientes aumentaram para MZN 56.861,3 milhões, representando um crescimento de MZN 7.852,9 milhões, numa evolução interpretada pelo sector como sinal de reforço da confiança do mercado na instituição.
Apesar da melhoria dos resultados, o Banco manteve uma postura conservadora na concessão de crédito, seguindo uma estratégia de maior selectividade e saneamento da carteira. O crédito líquido a Clientes situou-se em MZN 15.808,6 milhões, reflectindo ainda os efeitos das medidas de reestruturação adoptadas em 2025. Ainda assim, a instituição concedeu MZN 529,2 milhões em novos financiamentos durante o trimestre, mantendo o compromisso de apoio à economia nacional.
Os indicadores de qualidade dos activos apresentaram uma das evoluções mais expressivas do período. O rácio de crédito em incumprimento (NPL EBA) caiu de 14,03% no primeiro trimestre de 2025 para apenas 3,88% em igual período de 2026, sinalizando uma melhoria substancial do perfil de risco da carteira de crédito do Banco.
No campo prudencial, os principais rácios mantiveram-se acima das exigências regulamentares impostas pelo Banco Central. O rácio de solvabilidade fixou-se em 14,82%, enquanto o rácio de liquidez alcançou 52,33%, indicadores que reforçam a robustez financeira e a capacidade de absorção de choques da instituição.
A transformação digital também continuou a ganhar peso na estratégia operacional do Banco. Os canais electrónicos registaram crescimentos relevantes, com destaque para o Internet Banking (+35,4%), POS (+34,7%) e serviços USSD (+9,1%), evidenciando o impacto dos investimentos realizados na modernização tecnológica e melhoria da experiência do Cliente.
Para o Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, os resultados demonstram que o processo de reestruturação começou finalmente a produzir efeitos concretos:
“Os resultados deste trimestre demonstram que o processo de reforço estrutural realizado em 2025 começou a traduzir-se em ganhos concretos para o Banco. Hoje, o Moza apresenta indicadores mais sólidos, maior capacidade de geração operacional e uma base mais robusta para sustentar crescimento e confiança no longo prazo.”
Analistas do sector financeiro consideram que os resultados agora apresentados poderão representar um ponto de viragem para o Moza Banco, sobretudo depois dos desafios enfrentados nos últimos anos no sistema financeiro moçambicano. A manutenção desta trajectória dependerá, no entanto, da capacidade do Banco em consolidar os ganhos operacionais, expandir o crédito de forma sustentável e preservar os actuais níveis de solvabilidade e liquidez num contexto económico ainda marcado por incertezas internas e externas.
