
Infraestrutura destruída pelas cheias desde 2021 será reconstruída com maior extensão e critérios de resiliência climática
Os Governos de Moçambique e do Japão formalizaram um acordo de financiamento, sob a forma de donativo, para a reconstrução da ponte sobre o rio Natete, localizada na Estrada Nacional Número 13 (N13), no distrito de Ribáuè, província de Nampula.
A intervenção surge depois de mais de cinco anos de interrupção da transitabilidade naquela passagem, considerada estratégica para a circulação de pessoas e mercadorias no norte do país. A ponte encontra-se intransitável desde Fevereiro de 2021, na sequência dos danos provocados por cheias associadas à passagem de ciclones tropicais.
Uma ponte que não resistiu às intempéries
A antiga infraestrutura, com cerca de 30 metros de comprimento, foi construída em 2004 com apoio financeiro do Japão. Segundo os dados disponibilizados, a estrutura sofreu danos severos no seu único pilar central, provocando o assentamento da ponte e a fractura total da laje do tabuleiro.
O episódio levanta, entretanto, questões sobre a capacidade de infraestruturas rodoviárias consideradas estratégicas para resistirem à crescente frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.
A nova ponte será redimensionada para 40 metros de extensão, incorporando critérios de resiliência climática destinados a reduzir a vulnerabilidade da infraestrutura perante futuras cheias e outros fenómenos meteorológicos extremos.
Donativo japonês para recuperar uma ligação estratégica
O financiamento japonês representa mais uma etapa da cooperação entre Moçambique e Japão no domínio das infraestruturas. A reconstrução pretende não apenas substituir uma estrutura danificada, mas recuperar uma ligação fundamental para a economia da região norte.
A N13 desempenha um papel relevante na circulação rodoviária associada ao Corredor de Nacala, estabelecendo ligações entre o Porto de Nacala, diferentes zonas do interior e países do hinterland.
A interrupção da ponte do Natete representa, por isso, mais do que um problema local de mobilidade. A sua paralisação afecta a fluidez do transporte de passageiros e mercadorias e pode aumentar os custos e o tempo de circulação ao longo de uma das principais rotas logísticas do norte de Moçambique.
Reconstrução também coloca Governo perante novo desafio
Com a assinatura do acordo, o principal desafio passa agora da mobilização de financiamento para a execução efectiva da obra, dentro dos padrões técnicos anunciados.
A reconstrução deverá ser acompanhada de mecanismos rigorosos de fiscalização da qualidade da empreitada, cumprimento dos prazos e aplicação transparente dos recursos, sobretudo porque se trata de uma infraestrutura cuja primeira construção contou igualmente com apoio externo.
A aposta em maior resistência climática será determinante. Para além de reconstruir os 40 metros da nova ponte, será necessário garantir que a infraestrutura esteja preparada para enfrentar as condições hidrológicas que contribuíram para a destruição da anterior.
A expectativa das autoridades é que a reposição da ponte permita recuperar a segurança e a estabilidade da circulação na N13 e, simultaneamente, reforçar a competitividade do Corredor de Nacala, uma via considerada estratégica para o comércio nacional e para as ligações económicas de Moçambique com os países do interior da África Austral.







