Por: Dávio David
O filho da revolucionária moçambicana, Joana Simeão, Malcolm Tshilengue, tomou posse na última semana, como representante do partido Renamo, na França.

A cerimónia simbólica, que ocorreu no passado dia 12 de Setembro na cidade de Paris, foi presidida pela Chefe Adjunta do Departamento das Relações Exteriores para a Europa e América, Linette Olofsson e contou ainda com a presença do Delegado Político e Coordenador da Europa, o Dr Delmar Maia Gonçalves .
Malcolm Tshilenge é o segundo filho da histórica dirigente política e revolucionária Dra Joana Simeão.

Criada na colónia portuguesa de Moçambique, Simeão politizou-se durante a sua educação em Portugal, onde se juntou à luta de resistência anticolonial estudantil.
Para escapar à repressão crescente em Portugal, Simeão passou 10 anos no estrangeiro, onde apoiou brevemente o movimento da FRELIMO em Argélia, e mais tarde a COREMO em Lusaka.
De regresso a Moçambique, durante a última fase do colonialismo português (1973/74), Simeão foi uma das fundadoras do Grupo Unido de Moçambique (GUMO) que promovia a descolonização de Moçambique em diálogo com o poder colonial, incluindo a participação de toda a população moçambicana na questão da definição do futuro de Moçambique.
Durante seu percurso político, Simeão entrou muitas vezes, em rota de colisão, com o partido Frelimo, na época que este seguia orientação marxista-leninista.
Mais tarde, Joana Simeão, foi acusada pela Frelimo de colaborar com a polícia secreta portuguesa, PIDE, publicamente julgada como traidora da revolução e inimiga do Estado, tal como outros revolucionários considerados reaccionários como o Reverendo Urias Simango, Lázaro Kanvadame entre outros.Simeão foi deportada para um campo de reeducação onde foi executada em circunstâncias desconhecidas.
Nos anais da história de Moçambique contada sem filtro , Joana Simeão é considerada a primeira mulher negra moçambicana a ter feito campanha pública pela participação democrática e pelos direitos das mulheres.

