Redacção
O Chile declarou apoio à soberania do Reino de Marrocos sobre o seu território, incluindo a região do Sahara, numa posição formalizada através de uma declaração conjunta assinada em Nova Iorque.

A decisão foi anunciada na sequência das conversações entre o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Africana e Marroquinos Residentes no Estrangeiro, Nasser Bourita, e o seu homólogo chileno, Francisco Pérez Mackenna, encontro que contou com a presença do Presidente do Chile, José Antonio Kast.
Na declaração, Santiago considera a proposta de autonomia apresentada por Marrocos em 2007 como uma base para uma solução política “justa, duradoura e mutuamente aceitável” para a questão do Sahara.
O posicionamento chileno vai além do plano diplomático. Segundo o comunicado conjunto, o Chile pretende traduzir o seu apoio em iniciativas de cooperação bilateral, incluindo oportunidades económicas e comerciais na região do Sahara administrada por Marrocos, com enfoque no investimento, comércio e desenvolvimento produtivo.
A declaração refere igualmente o apoio do Chile à Resolução 2797/2025 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendendo negociações entre as partes sem pré-condições e com base na proposta de autonomia marroquina.
No mesmo encontro, os dois países assinaram ainda os Termos de Referência para o início das negociações destinadas à celebração de um acordo de comércio livre entre Chile e Marrocos.
Efeito dominó diplomático
A nova posição de Santiago surge num momento de intensificação da actividade diplomática em torno da questão do Sahara.
Nos últimos dias, Marrocos recebeu também manifestações de apoio de Cabo Verde e Serra Leoa.Cabo Verde reafirmou o seu apoio à soberania marroquina sobre o Sahara, tornando-se, segundo o texto divulgado, o terceiro país africano de língua portuguesa a assumir essa posição nos últimos 12 meses, depois da Guiné-Bissau e de São Tomé e Príncipe.
Serra Leoa também reiterou o seu apoio à posição de Marrocos à margem dos trabalhos das Nações Unidas.
A sucessão destas declarações evidencia uma crescente movimentação diplomática em torno do dossier do Sahara, colocando a questão no centro de novas negociações políticas, económicas e estratégicas entre Marrocos e diferentes parceiros internacionais.
Ao mesmo tempo, a referência à Resolução 2797/2025 e ao processo negocial sob a égide das Nações Unidas mantém a questão inserida no quadro multilateral de procura de uma solução política para o conflito.

