
INTEGRITY-MOÇAMBIQUE, 28 de Setembro de 2026-Quase 18 mil pessoas recorreram aos serviços de saúde por consumo de drogas no primeiro semestre, os crimes ligados ao narcotráfico subiram 75% e as autoridades apreenderam cerca de uma tonelada de canábis.
Há números que sobem e deveriam ser motivo de orgulho, exportações, emprego, esperança média de vida, depois há os outros, aqueles que crescem e só provocam arrepios. No primeiro semestre de 2026, Moçambique registou um feito que ninguém reclama, 17.783 pessoas procuraram os serviços de saúde devido ao consumo de drogas, um aumento de quase 59% face ao período homólogo.
A representante do Ministério da Saúde, Salma Iuraimadam, apresentou os dados na conferência de imprensa de divulgação do Relatório sobre a Situação de Consumo e Tráfico de Drogas, em Maputo. O consumo de múltiplas substâncias lidera com 7.372 casos, seguido do álcool (5.469), canabinoides (1.502) e opióides (1.100). A faixa dos 21 aos 35 anos, precisamente aquela que devia estar a construir o país, é a mais atingida.
Entenda o caso
Maputo lidera o número de atendimentos, mas Nampula, Manica e Cabo Delgado apresentam igualmente níveis elevados.
O Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD) registou 131 crimes ligados a tráfico e consumo, contra 75 no ano passado. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) abriu 418 processos, contra 250 do igual período do ano passado, com um aumento de 168 casos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) tramitou 651, contra 418.
Três instituições, três subidas, uma única conclusão, as redes criminosas estão trabalhando melhor do que o Estado.
José Bambo, chefe do Departamento de Prevenção à Droga do GCPCD, anunciou a apreensão de cerca de uma tonelada de canábis, além de heroína, cocaína e metanfetaminas. As investigações indicam que a heroína tem origem principalmente na Índia e no Paquistão, enquanto a cocaína está associada a rotas provenientes da América Latina, particularmente do Brasil. Os traficantes, segundo as autoridades, recorrem a formas cada vez mais sofisticadas de ocultação.
As acções de sensibilização realizada no primeiro semestre alcançaram mais de 1,38 milhão de beneficiários, sobretudo adolescentes e jovens. Foram mobilizados mais de 21 mil activistas e realizadas mais de 14 mil palestras em escolas e comunidades.
O número de cidadãos moçambicanos detidos no exterior por crimes relacionados com droga subiu de 42 para 56, sendo o Brasil o país com maior número de casos. No país, 812 pessoas encontravam-se detidas por crimes relacionados com drogas no final do primeiro semestre, contra 844 no período homólogo de 2025. (Paulo Manjate)
Fonte original: Integrity Magazine




